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	<title>Vítor Pereira, autor em Smart Cities</title>
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	<description>Cidades Sustentáveis</description>
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	<title>Vítor Pereira, autor em Smart Cities</title>
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		<title>Cidades Criativas e Livres: Superando os Desafios da Ciência, Informação e Liberdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2025 08:29:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Tendências urbanas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“O futuro não está em cidades controladas por algoritmos, mas em espaços criativos e caóticos, onde diversidade, experimentação e liberdade floresçam”. Leia o texto de opinião de Vítor Pereira, da ZOOM Global Smart Cities Association.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><span data-contrast="auto">Desde tempos imemoriais, a humanidade tem superado desafios através da inteligência e do engenho. Da invenção da roda às tecnologias contemporâneas, a evolução do pensamento humano é marcada por momentos transformadores. A Revolução Industrial, impulsionada por máquinas e invenções, exemplifica o espírito inventivo que transcende limites e constrói sobre o conhecimento acumulado.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Ao longo da história, cientistas moldaram o mundo com descobertas revolucionárias. Pitágoras explorou a geometria e as relações matemáticas na música, enquanto Arquimedes e Eratóstenes expandiram os horizontes do conhecimento com princípios científicos e cálculos precisos. No Renascimento, Leonardo da Vinci uniu arte e ciência, e Galileu Galilei desafiou paradigmas, lançando as bases do método científico. Figuras como Isaac Newton e Nikola Tesla também impulsionaram o progresso, construindo alicerces para as tecnologias e teorias do mundo moderno.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">A história da ciência, contudo, não é apenas de triunfos. É também de lutas contra a ignorância, a repressão e os interesses contrários à inovação. Durante séculos, ideias revolucionárias foram vistas com desconfiança, e seus defensores, perseguidos. A trajetória de Giordano Bruno, queimado por defender ideias cosmológicas que contrariavam a Igreja, exemplifica como o pensamento inovador sempre enfrentou resistência.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<h4><b><span data-contrast="auto">Repressão ao pensamento crítico</span></b></h4>
<p><span data-contrast="auto">Com o tempo, a ciência conquistou reconhecimento como chave para o progresso, mas continua a enfrentar desafios éticos. A busca pelo avanço científico frequentemente entra em conflito com interesses económicos e políticos. Ignaz Semmelweis, que no século XIX propôs a lavagem das mãos para evitar infeções, foi ignorado e ridicularizado, apenas para ser validado décadas mais tarde. Ainda hoje, cientistas que desafiam narrativas dominantes encontram obstáculos, sendo marginalizados ou silenciados.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Um exemplo emblemático ocorre na indústria farmacêutica, onde, em alguns casos, a manipulação de dados clínicos distorce a ciência para proteger lucros. O escândalo de 2016 na Harvard Medical School revelou médicos envolvidos na publicação de estudos manipulados por interesses corporativos, ilustrando como a verdade científica pode ser sacrificada em nome de ganhos financeiros.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Além disso, o sistema de publicações científicas tornou-se vulnerável a distorções. A pressão por publicações de alto impacto e os interesses comerciais de revistas científicas criam um ambiente onde nem sempre a melhor ciência prevalece. Resultados alinhados a grandes financiadores são promovidos, enquanto descobertas disruptivas frequentemente enfrentam resistência.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<h4><b><span data-contrast="auto">Manipulação da informação</span></b></h4>
<p><span data-contrast="auto">A manipulação da informação é outro desafio crescente nas democracias contemporâneas. Se no passado regimes autoritários controlavam a opinião pública com censura direta, hoje, democracias enfrentam métodos mais sofisticados, mas igualmente perigosos.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">O escândalo da Cambridge Analytica demonstrou como dados pessoais foram usados para influenciar eleições e referendos. Mais de 70% das democracias ocidentais utilizam estratégias de manipulação digital, incluindo campanhas segmentadas e desinformação, segundo estudos recentes. Essa realidade levanta questões profundas sobre a integridade dos processos democráticos.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Com o avanço da tecnologia, a censura digital tornou-se uma preocupação crescente. Iniciativas como o Pacto para o Futuro, promovido pela ONU, e a Lei de Serviços Digitais da União Europeia procuram combater desinformação, mas levantam questões sobre liberdade de expressão. Políticas que implementam censura algorítmica e identificação digital podem limitar a autonomia dos cidadãos e abrir caminho para vigilância global.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Embora apresentadas como medidas para garantir segurança e progresso, essas iniciativas frequentemente caminham na linha ténue entre proteção e controlo. Sem mecanismos democráticos sólidos, essas ferramentas podem facilmente ser usadas para suprimir vozes dissidentes e restringir debates legítimos.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<h4><b><span data-contrast="auto">Cidades criativas</span></b></h4>
<p><span data-contrast="auto">Diante destas complexidades, o futuro não está em cidades controladas por algoritmos, mas em espaços criativos e caóticos, onde diversidade, experimentação e liberdade floresçam. Lugares que acolhem tensões e debates como motores de inovação, onde o erro e a falha são vistos como partes essenciais do progresso.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">Cidades criativas seriam antítese de um mundo homogéneo e controlado. Nessas cidades, a pluralidade seria celebrada, e políticas públicas promoveriam a liberdade individual e a auto supervisão cidadã. Em vez de buscar a perfeição em sistemas rígidos, estas cidades seriam ambientes dinâmicos, onde as tensões sociais e culturais impulsionariam soluções criativas.</span></p>
<p><span data-contrast="auto">São nesses espaços que a humanidade pode encontrar caminhos para superar os desafios do conformismo e da manipulação, alcançando um equilíbrio entre progresso tecnológico e liberdade individual.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;335559738&quot;:240,&quot;335559739&quot;:240}"> </span></p>
<p>&nbsp;</p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><em><br />Este artigo foi originalmente publicado na edição n.º 46 da Smart Cities &#8211; janeiro/fevereiro/março 2025</em></p></div>
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		<title>Farol urbano: A teoria da complexidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jan 2025 23:02:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Tendências urbanas]]></category>
		<category><![CDATA[ai]]></category>
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		<category><![CDATA[humanidade]]></category>
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		<category><![CDATA[vitor pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"Os saltos civilizacionais impulsionados pela tecnologia têm criado entropias em várias cidades e, consequentemente, afetado muitos cidadãos que não conseguem acompanhar o ritmo dos avanços sociais e tecnológicos". Opinião de Vítor Pereira.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><span data-contrast="auto">É interessante observar como as reflexões e preocupações de cidadãos, organizações e autoridades se </span><span data-contrast="auto">acumulam</span><span data-contrast="auto"> em noções básicas como “humanidade” ou “pessoas”. </span><span data-contrast="auto">Ouço</span><span data-contrast="auto"> com frequência políticos de todos os quadrantes dizer que “é para as pessoas” que estão a trabalhar, ou especialistas da indústria, nomeadamente da nova superestrela do firmamento da semântica popular, a Inteligência Artificial, </span><span data-contrast="auto">afirmarem</span><span data-contrast="auto"> que tem de </span><span data-contrast="auto">haver</span><span data-contrast="auto"> sempre ética e tudo em prol do bem da humanidade. E, contudo, a </span><span data-contrast="auto">prática</span><span data-contrast="auto"> tem vindo a demonstrar outra realidade.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">A utilização de um discurso ou narrativa “amigável” e &#8220;pacífica&#8221; para, a pouco e pouco, ir introduzindo mudanças profundas no funcionamento das nossas organizações e, em geral, da sociedade, é uma </span><span data-contrast="auto">prática</span><span data-contrast="auto"> ancestral. No que toca às novas tecnologias, aplica-se pelos estímulos mediáticos e pela influência de líderes, empresas ou outros especialistas que contribuem para tornar conceitos, métodos e ferramentas caras e complexas aceites e priorizados na gestão e no funcionamento das nossas instituições e, consequentemente, da nossa sociedade. E, como é óbvio, não é um processo exclusivo das democracias do ocidente. No geral, pelo globo, os saltos civilizacionais impulsionados pela tecnologia têm criado entropias </span><span data-contrast="auto">em</span><span data-contrast="auto"> várias cidades e, consequentemente, </span><span data-contrast="auto">afetado</span><span data-contrast="auto"> muitos cidadãos que não conseguem acompanhar o ritmo dos avanços sociais e tecnológicos.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Por exemplo, em eventos dedicados </span><span data-contrast="auto">à</span><span data-contrast="auto"> Inteligência Artificial, o principal assunto em debate é a “humanidade vs artificial” e, no final, a conclusão é sempre a mesma: a IA é uma ferramenta que vai ajudar a desenvolver a sociedade e as pessoas. Já em eventos dedicados ao metaverso, por exemplo, o tópico dominante é mais ou menos semelhante, “humanos sempre!”. E, contudo, avança-se em segundo plano com Digital Twins, gamificação das cidades, Blockchain e outras novas realidades paralelas.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Recentemente, dei o exemplo, num evento em que participei, de como era possível demonstrar que não existe alma nem sentimento em nada do que se discute hoje nas cidades. No caso das Smart Cities, quando a prioridade é a tecnologia, ou a mudança de hábitos, ou a sustentabilidade, quase sempre existe uma política ou estratégia que tenta impor uma direção aos cidadãos, organizações e lideranças. E esse tem sido, porventura, o maior inimigo da humanidade nas cidades e na sociedade em geral: a abolição da criatividade, do pensamento crítico, da experiência e da memória, do imprevisto e inusitado. As cidades são, na verdade, a maior invenção humana e a sua complexidade e dinâmicas próprias sempre foram fatores de atração e sentimentos intensos de pertença.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Embora a digitalização das cidades ofereça enormes benefícios em termos de eficiência e sustentabilidade, também é essencial preservar o espaço para a criatividade humana e o livre-arbítrio. Isso exigirá um equilíbrio cuidadoso entre o uso de tecnologia para otimização e a proteção da capacidade dos indivíduos de inovar, experimentar e exercer a sua autonomia dentro do ambiente urbano. O futuro das cidades não deve ser apenas determinado por algoritmos, mas por uma coabitação entre a máquina e a imaginação humana. Estamos numa encruzilhada, numa corrida que já começou, rápida e intensa, sem previsão de fim. O importante não é quem vence, mas que alguém, em algum lugar, consiga alcançar a meta.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">A corrida em questão é a incessante procura no desenvolvimento </span><span data-contrast="auto">de</span><span data-contrast="auto"> uma “nova ciência das cidades”, tão quantitativa e preditiva quanto possível. Essa ciência será capaz de nos explicar como as cidades se expandem e os motivos pelos quais falham. Vai permitir identificar os fatores que fazem com que algumas zonas prosperem, enquanto outras </span><span data-contrast="auto">mantêm</span><span data-contrast="auto"> os seus residentes na pobreza.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Vai mostrar como a energia e a informação circulam pela cidade, tal como o sangue flui num organismo complexo.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true}"> </span><span data-contrast="auto">Há quem afirme que essa corrida começou nos anos 90 e início dos anos 2000, quando investigadores começaram a aplicar a chamada teoria da complexidade ao estudo das cidades. Uma teoria que emergiu do estudo do caos, dos fractais e de outros novos conceitos matemáticos há cerca de três décadas </span><span data-contrast="auto">e que</span><span data-contrast="auto"> abriu novos horizontes.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Contudo, recentemente, a chegada do Big Data, da computação e da teoria das redes trouxe ferramentas inéditas para avançar na compreensão das cidades. Hoje, enormes quantidades de dados estão a alimentar essa revolução científica, com registos de alta precisão, desde o tráfego até à saúde pública, disponíveis para serem explorados. Se adicionarmos agora a Inteligência Artificial a estes processos, começamos a despir a cidade da sua alma vibrante e a desviá-las nefastamente do livre-arbítrio e da responsabilidade ética e democrática do decisor </span><span data-contrast="auto">político</span><span data-contrast="auto"> ou administrativo, enquanto agente de interação com os seus concidadãos, que apenas terão um caminho, o da “verdade científica” ordenada pelos algoritmos como a nova Bíblia.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Contudo, neste movimento de quantificar e caracterizar há riscos. As cidades são muito mais do que simples problemas físicos. São criações da imaginação humana e, por isso, a sua vitalidade depende da qualidade da imaginação que investimos nelas. E todos sabemos que os principais valores humanos surgem do caos, da imprevisibilidade e do acaso. Se deixarmos valores como o amor, a compaixão, a amizade, a honestidade, a resiliência, a alegria, a tristeza, a moral, etc., surgirem por uma decisão computacional, seremos porventura os novos autómatos e marionetas de um complexo universo gerido por racionalidade e lógica impessoal. E, contudo, gerado e programado, em algum momento da história, por um imperfeito humano condicionado pela complexidade passada.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Assim, ao entregarmos às máquinas o poder sobre a nossa essência, arriscamo-nos a perder o brilho único que nasce das imperfeições humanas, trocando a profundidade dos sentimentos pela frieza de uma lógica que jamais compreenderá a alma.</span><span data-ccp-props="{&quot;134233117&quot;:true,&quot;134233118&quot;:true}"> </span></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><em><br />Este artigo foi originalmente publicado na edição n.º 45 da Smart Cities &#8211; outubro/novembro/dezembro 2024</em></p></div>
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		<title>A geração artificial: acidental ou evitável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Dec 2024 22:55:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião / Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[cidades]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[farol urbano]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[vitor pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"Um dos grandes desafios que se colocam às cidades nos dias de hoje, prende-se com o tipo de cidadãos que as irão habitar no futuro. Já na atualidade é possível observar este fenómeno de interação com eventos ou concertos, sempre com mais interesse na partilha do que no conteúdo". Artigo de opinião de Vítor Pereira.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p>No Verão de 2023, o meu filho mais novo fazia a sua primeira grande viagem internacional para conhecer a família na distante província de Gansu, na China. Viajar com bebés de tenra idade é sempre um desafio e as preocupações são muitas, sobretudo no que respeita às rotinas de alimentação e sono.</p>
<p>Contudo, chegados à cidade de Hangzou, foi fácil encontrar atividades <em>indoor</em> e <em>outdoor</em> (apesar do intenso calor) para crianças de todas as idades, mas especialmente para as de tenra idade. A adaptação foi relativamente fácil e, mesmo na parte mais complexa, relacionada com a alimentação, conseguimos ir encontrando soluções para minimizar a aversão aos diferentes sabores, paladares, texturas dos produtos chineses.</p>
<p>Mesmo para um adulto, sem orientação local, comer bem na china é uma certeza, contudo, a imensa variedade de pratos pode ser labiríntica e facilmente podemos perder-nos no meio de tantas opções, ou no pior dos casos, escolher a errada.</p>
<p>Após alguns dias em Hangzou, fomos para uma pequena cidade remota no interior da província de Gansu, uma das mais afastadas da capital. A forma como as crianças se adaptam de região para região, de ambiente para ambiente diz mais da resiliência da nossa espécie do que parece à primeira vista. Muitas das preocupações nascem do próprio subconsciente dos pais que tentam balizar tudo de forma que a aprendizagem e a caminhada da sua prole decorra sem o mínimo de contrariedades nem sobressaltos.</p>
<p>Pese embora a bondade deste pensamento, a necessidade de as crianças “sofrerem” (moderadamente, claro) com impactos de mudanças, viagens ou outras circunstâncias do nosso quotidiano, permite que ganhem resistência, experiências e novos estímulos que de outra forma seriam impossíveis de proporcionar.</p>
<p>Relatar este meu caso particular é também uma forma de refletir sobre o que as nossas cidades e a nossa sociedade está a proporcionar, nos dias de hoje, às novas gerações. Há décadas, na minha infância, por exemplo, jogava-se à bola nas ruas, às escondidas e jogos tradicionais, andava-se de bicicleta, skates, etc. Mas também já havia tecnologia. Já existiam os jogos, as máquinas de árcade, os parques de diversões, etc.</p>
<p>Em 2024, com a popularidade da Inteligência Artificial camuflada de Chat-GPT a ganhar uma tração nunca antes vista, alguns pais começam a ponderar se o efeito da tecnologia em excesso na vida diária das crianças não irá provocar danos irreparáveis na nossa sociedade futura. Na Suécia, e noutros países nórdicos, foram abolidos os meios digitais nas salas de aula e voltou-se ao tradicional papel depois de uma experiência piloto com conclusões preocupantes, nomeadamente após a introdução de tablets nos jardins-de-infância, que terá levado a um declínio das competências básicas.</p>
<p>Um dos sinais de alerta partiu dos resultados do último estudo internacional sobre Literacia em Leitura que revelou que as crianças suecas estavam com mais dificuldades nesta área.</p>
<p>As opiniões dividem-se, mas é um facto, existe uma tendência para que muitos pais “sosseguem” as suas crianças com recurso a meios eletrónicos. Eu próprio recorri a esse método, confesso, especialmente durante as refeições fora de casa ou em viagens. É de facto uma ajuda preciosa, mas que deve ser utilizada de forma equilibrada e moderada e com muita atenção aos conteúdos. Também devem ser alternados com momentos offline e de interação com o meio ambiente que rodeia as crianças, afinal de contas desde tenra idade, elas crescem e desenvolvem-se através da experimentação e dos estímulos.</p>
<p>Mas serão assim tão diferentes as crianças nas mais diversas geografias, uma vez que os telemóveis e os tablets já estão disseminados por todo o mundo e presentes de forma incontornável no nosso quotidiano? Afinal de contas, os adultos também não largam os ecrãs&#8230;podemos julgar um pai ou mãe que, para sossegar uma criança num momento social e de interação familiar ou até de negócios, recorre a esta ferramenta de <em>babysitting</em>? Podemos mesmo afirmar que estes momentos serão prejudiciais ao seu desenvolvimento social e humano futuros?</p>
<p>Ou, porventura, o alheamento dos próprios adultos que não largam os ecrãs, é ele mesmo o fator de influência de novas gerações que, através do exemplo irão mimetizar o comportamento dos seus progenitores alheados que estão da vida e com uma interação social desligada ou intermitente.</p>
<p>Será que nos países ocidentais seremos assim tão exemplares ao ponto de criticar altivamente o excesso de tecnologia nos países asiáticos, por exemplo? Quem é que está realmente viciado nas tecnologias desde tenra idade? E porquê?</p>
<p>Talvez se observarmos as cidades e conhecermos as realidades e as ofertas teremos respostas mais assertivas. Na China, por exemplo, na minha própria experiência, existem espaços para as crianças brincarem e aprenderem com legos, brinquedos, livros, cubos, piscinas de bolas, piscinas de areia, etc. Mas também têm espaços de eletrónica com jogos digitais e máquinas. Os espaços são utilizados de maneira diferente e por idades diferentes, isso é óbvio.</p>
<p>E como é na Europa e no mundo ocidental? Também temos de tudo, embora espaços mais pequenos ajustados aos nossos números como é obvio. Mas são utilizados? Ou, eventualmente, as famílias fazem elas próprias os seus programas de tempo com as crianças e, neste caso, haverá um pouco de tudo (excesso, equilíbrio ou minimalista)?</p>
<p>Um dos grandes desafios que se colocam às cidades nos dias de hoje, prende-se com o tipo de cidadãos que as irão habitar no futuro. Já na atualidade é possível observar este fenómeno de interação com eventos, concertos, etc. sempre com mais interesse na partilha do que no conteúdo. E depois temos raros exemplares que estão a desfrutar do conteúdo. São formas diferentes de viver a vida e os nossos jovens e crianças não podem ser culpabilizadas pela atual devastação de valores e moral transversal sobretudo no ocidente.</p>
<p>Passando, por exemplo, para África, observamos uma juventude inquieta com muitas necessidades e carências básicas, mas a florescer! Com sorrisos, corridas, saltos, bicicletas e brinquedos rudimentares. Também muita fome, muita pobreza, muita infelicidade, e poucos recursos. Mas pergunto-me se não será isso que irá fazer da geração africana uma fortaleza de resiliência, criatividade, vontade, em contraste com a parte rica da civilização que cresceu com tudo, híper-protegida e neste momento, até a ser encaminhada para deixar de fazer coisas básicas como escrever ou estudar, podendo, em vez disso, recorrer ao Chat-GPT e, de forma rápida e duvidosa, passar a ser a caixa de ressonância de algoritmos mal programados, conteúdo absurdo, ideologias abjetas e enviesamentos sociais. Estaremos na véspera do nascimento da geração artificial? Aqueles que não pensam, não decidem, não vivem?</p>
<p>No que a mim me diz novamente respeito, irei sempre buscar o erro, a dificuldade, o desafio, o pensamento critico, a cultura e o conhecimento pelos inevitáveis clássicos que nunca serão extintos e, infelizmente, repetidos. Irei mostrar aos meus descendentes o mundo nas suas diferentes dimensões e estou certo de que terão as ferramentas certas para encontrar a autenticidade, a genuinidade, a humanidade e a criatividade necessárias para saber destacar-se de uma geração de país que, infelizmente, devido às condições de vida e às necessidades básicas (emprego, habitação, solidez económica, etc.) que não são possíveis de ultrapassar, ceder à facilidade tecnológica que também os aprisionou.</p>
<p>Resta saber se todo este processo foi deliberadamente arquitetado pela indústria do consumismo ou se se tratou apenas de um infeliz efeito secundário do desenvolvimento capitalista.</p></div>
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<p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na edição nº 44 da Smart Cities – julho/agosto/setembro 2024, aqui com as devidas adaptações.</em></p>
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		<title>Farol Urbano: Mais do que tecnologia, a cidade precisa da filosofia</title>
		<link>https://smart-cities.pt/opiniao-entrevista/farol-urbano-mais-do-que-tecnologia-a-cidade-precisa-da-filosofia-27-08/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=farol-urbano-mais-do-que-tecnologia-a-cidade-precisa-da-filosofia-27-08</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vítor Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Aug 2024 05:27:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião / Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[farol urbano]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[vitor pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"Começa a ser evidente a necessidade de parar para pensar sobre que futuro queremos para as nossas cidades. Começa, com demasiada frequência". Artigo de opinião de Vítor Pereira.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner">Começa a ser evidente a necessidade  de parar para pensar sobre que futuro  queremos para as nossas cidades.  Começa, com demasiada frequência,  a fraquejar o debate, a partilha e as  ideias novas, e apenas tendências únicas  e monopolistas ganham tração. Podemos  já observar este processo tanto  nas eleições, como no restante quotidiano  das forças vivas das nossas comunidades.</p>
<p>Um processo que não deveria estar  a acontecer, especialmente, quando  se destaca a benignidade das democracias  ocidentais para o progresso e  prosperidade dos povos.</p>
<p>E, contudo, em cima dos 50 anos do  25 de Abril, correntes monotemáticas  ocuparam o espaço dialético, político e  mediático, não deixando margem para  pensamento crítico ou reflexão mais  aprofundada do que realmente está a  acontecer na nossa sociedade e como  pode a comunidade trabalhar em conjunto  para resolver problemas e ultrapassar  os desafios cada vez mais evidentes.</p>
<p>Claro que há sempre formas de introduzir  novos tópicos no debate e  promover a discussão saudável sem  atritos nem desprezo por opiniões diferentes  e visões alternativas do futuro.  Contudo, esse esforço é cada vez  mais oneroso para a reputação de  quem ousa pensar diferente.</p>
<p>E foi, no entanto, essa condição de  pensarmos diferente uns dos outros  que fez evoluir a nossa sociedade de  formas nunca antes imaginadas. É no  debate e no pensamento crítico que se  encontraram pontes e solucionaram,  através da aceitação, argumentação,  retórica e lógica, muitos dos desafios  da Humanidade. Foi também, pela experimentação,  pela disrupção, pelo conhecimento  que se evoluiu em todas  as áreas da ciência.</p>
<blockquote><p><em>É no debate e no pensamento crítico que se encontraram pontes e solucionaram, através da aceitação, argumentação, retórica e lógica, muitos dos desafios da Humanidade</em></p></blockquote>
<p>E se assim foi, por que razão, estamos  a descer de patamar na Polis? Quais  serão os motivos para que existam,  atualmente, tantos atritos, resistências  e inclusive insultos e depreciações  mútuas? Quais os motivos que originam  crispações e posições extremadas?  Serão político-partidárias, académicas,  económicas, sociais?</p>
<p>A meu ver, podemos estar perante o  resultado de ausência de liderança e  desresponsabilização dos atores políticos  sufragados e avaliados nas urnas  de quatro em quatro anos. Poderá estar  aqui um dos motivos para esta “ligeireza”  e pouca elevação no debate.  Muitos destes líderes assumiram causas  e incorporaram mensagens globais  para os mais variados temas e consideram-  se os embaixadores da “verdade”  e, como tal, concedem ao espaço público  de debate uma unanimidade total  privando-o de qualquer oportunidade  para uma visão diferente ou uma  crítica, que, em boa verdade também  surgem precisamente neste processo  de gestão de armas políticas de arremesso  sem qualquer intenção de encontrar  soluções para os problemas.  Muitos tendem também a procurar  desresponsabilização nas tecnologias  e na analítica dos dados que podem  confirmar ou orientar decisões apenas  e só porque um computador assim o  determina.</p>
<p>O que deveríamos estar todos a pensar  e a discutir era mesmo resolver os problemas  de uma vez por todas e, todos  os contributos são bem-vindos.</p>
<p>Vem esta reflexão a propósito da recente  edição do Smart Travel, este  ano, organizada pelo Município de  Mealhada, nos dias 17 e 18 de Abril. O  evento, no seu primeiro dia, procurou  “desassossegar” as mentes através da  filosofia e, nomeadamente, da “provocação”  intelectual do professor José  Alves Jana que deu um contributo  riquíssimo para pensarmos as cidades  no presente e não no futuro. Para Alves  Jana, “a cidade pertence a todos e  todos devem ter o direito e o dever de  contribuir para a comunidade”.</p>
<p>O regresso à Polis, a discussão de temas  de forma honesta e transparente  e urbana é o segredo para ultrapassar  desafios que estão a colocar-se a quem  tem a missão de gerir os destinos tanto  de empresas como de cidades como  de países. Prosseguir, como a avestruz,  enterrando a cabeça na areia e não enfrentando  os problemas, apenas acenando  com propaganda global e genérica  inócua para as vidas dos cidadãos,  afigura-se como um potencial desastre  para as democracias ocidentais.</p>
<p>Enquanto isso, noutras latitudes, obviamente  menos “democráticas”, os  problemas resolvem-se, o progresso é  evidente, o desenvolvimento económico  e social consolida-se e os cidadãos  começam a ter voz nas respetivas  comunidades mesmo que não votem  para eleger os seus líderes.</p>
<p>Mas é nas comunidades e no trabalho  de resolução de problemas do dia  a dia, que nascem os verdadeiros líderes,  respeitados na sociedade e com  méritos e qualidades humanas evidentes.  E, naturalmente com exceções, é  porventura isto o que está a faltar nas  “fábricas de políticos” no ocidente.</div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><blockquote><p>&#8220;Esperamos todos que as nossas cidades do futuro sejam abertas, livres e prósperas. De 10, 15 ou 30 minutos, é irrelevante. O importante é que a liberdade prevaleça e se fortaleça. Caso contrário, teremos outra versão de Oppenheimer, desta feita para as cidades<em>.</em>&#8220;</p></blockquote></div>
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				<div class="et_pb_text_inner">No corolário de abundantes teorias de conspiração com as cidades de 15 minutos encontramos muitos absurdos, contudo, também é possível detetar abusos e exageros por parte das cidades e governos que, cada vez mais, anseiam por controlar mais e melhor os cidadãos. E se na Europa e no mundo ocidental em geral este imaginário distópico e totalitário tomou conta das nossas vidas durante a pandemia, noutras latitudes está já efetivo e a ser executado em pleno.</p>
<p><img loading="lazy" class="aligncenter wp-image-27301 size-full" src="https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/12/The-headquarters-of-Mussolinis-Italian-Fascist-Party-1934-1024x711-fotor-20231220113818.jpg" alt="" width="650" height="340" srcset="https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/12/The-headquarters-of-Mussolinis-Italian-Fascist-Party-1934-1024x711-fotor-20231220113818.jpg 650w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/12/The-headquarters-of-Mussolinis-Italian-Fascist-Party-1934-1024x711-fotor-20231220113818-300x157.jpg 300w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/12/The-headquarters-of-Mussolinis-Italian-Fascist-Party-1934-1024x711-fotor-20231220113818-400x209.jpg 400w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/12/The-headquarters-of-Mussolinis-Italian-Fascist-Party-1934-1024x711-fotor-20231220113818-610x319.jpg 610w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /></p>
<p>Seja qual for a solução, deve ser sempre equilibrada. Se formos no sentido inverso e começarmos a ver apenas restrições, proibições e outros cortes na liberdade de movimentos dos cidadãos, apenas com intuito de controlar, então os fundamentos defendidos por Carlos Moreno serão subvertidos dando razão as teorias conspirativas, o que será um enorme dano para a nossa sociedade tal como qualquer outra invenção, opção estratégica ou inovação concebida para nos facilitar as vidas e contribuir para que sejamos mais felizes e tenhamos maior qualidade de vida. Julius Robert Oppenheimer também sofreu as agruras da alma dividida entre o progresso e o lado bom da ciência com o seu mau uso e nefastas consequências para o mundo e para a humanidade. Ficou celebre a sua frase: “Agora tornei-me a Morte, a destruidora de mundos”. Espero, pela grande amizade que tenho por Carlos Moreno, que ele nunca se sinta nesse papel de ter criado um conceito fantástico repleto de virtudes e que tenha sido mal-interpretado ou usado de forma errada numa sociedade que tem manifestado, cada vez mais, sinais complicados relativamente ao futuro das democracias e do mundo livre.</p>
<p>Esperamos todos que as nossas cidades do futuro sejam abertas, livres e prósperas. De 10, 15 ou 30 minutos, é irrelevante. O importante é que a liberdade prevaleça e se fortaleça. Caso contrário, teremos outra versão de Oppenheimer, desta feita para as cidades.</div>
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<p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na edição <a href="https://smart-cities.pt/noticias/nova-edicao-smartcities43-oceanos-os-desafios-da-economia-azul/">nº 43 da Smart Cities – abril/maio/junho 2024</a>, aqui com as devidas adaptações.</em></p>
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		<title>Farol Urbano: O mundo livre precisa de mais Carlos Morenos e menos Openheimers</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Dec 2023 07:30:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião / Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[farol urbano]]></category>
		<category><![CDATA[vitor pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"Esperamos todos que as nossas cidades do futuro sejam abertas, livres e prósperas. De 10, 15 ou 30 minutos, é irrelevante. O importante é que a liberdade prevaleça e se fortaleça. Caso contrário, teremos outra versão de Oppenheimer, desta feita para as cidades". Artigo de opinião de Vítor Pereira.</p>
<p>O conteúdo <a rel="nofollow" href="https://smart-cities.pt/opiniao-entrevista/farol-urbano-o-mundo-livre-precisa-de-mais-carlos-morenos-e-menos-openheimers-26-12/">Farol Urbano: O mundo livre precisa de mais Carlos Morenos e menos Openheimers</a> aparece primeiro em <a rel="nofollow" href="https://smart-cities.pt">Smart Cities</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="et_pb_section et_pb_section_4 et_section_regular" >
				
				
				
				
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				<div class="et_pb_text_inner"><p class="Texto" style="text-indent: 0cm;">Em Portugal, aconteceu mais um <em>Portugal Smart Cities Summit</em> em que o ponto alto foi a intervenção de Carlos Moreno a versar sobre o tema das Cidades de 15 minutos, do qual é o grande impulsionador global.</p>
<p>Carlos tem repetido até à exaustão que nada do que se tem dito recentemente sobre o tema faz sentido, nomeadamente algumas teorias de conspiração que garantem que o conceito será usado para cortar direitos fundamentais dos cidadãos. Sem pré-aviso, muitas destas paranoias atingiram o bom nome de Carlos e trouxeram-lhe, inclusive, ameaças de morte e outros impropérios que ele não merece.</p>
<p>Carlos Moreno defende que as cidades se comecem a adaptar a outras realidades de maior proximidade, gerando maior conforto e felicidade para os cidadãos que verão aumentar a sua qualidade de vida através de uma comunidade mais vibrante e cativante.</p>
<p>Contudo, e como se observou no painel seguinte, nem tudo é perfeito e de fácil execução. Por um lado, temos o crescente aumento do custo de vida, a falta de habitação acessível e os problemas crónicos de mobilidade em muitas cidades. Por outro, temos a inércia de governos (nacionais e locais) que se aproveitam do selo “15 minutos” para obter vantagens eleitorais e ganhar popularidade fácil não executando nenhuma medida de monta para realmente mudar o status quo.</p>
<p>Ainda em outubro, tive oportunidade de participar no maior evento de inovação e tecnologia do mundo, o GITEX, no Dubai. Foi a primeira vez que visitei aquela cidade sem ser em trânsito pelo aeroporto e o que experienciei foi tudo menos agradável. Além do calor, a cidade não é acessível e existem imensos casos em que, para atravessar uma avenida se demora quase 30 minutos, pois não existem passagens superiores ou inferiores.</p>
<p>No evento <em>Future Urbanism</em>, integrado no GITEX, surgiu, no entanto, a ideia de tornar uma parte nova da cidade, construída para a Expo 2020, numa cidade de 15 minutos. Sem dúvida, a disposição dos edifícios e proximidade de serviços é adequada para o conceito advogado por Carlos Moreno e, numa próxima visita, irei verificar se foi possível implementá-lo, já que a cidade, cheia de vida e vibrante em todos os aspetos, vive muito das deslocações de automóvel. No entanto, tal como noutras cidades, a implementação dos 15 minutos pode e deve ser feita por zonas.</p>
<p>Ainda no <em>Future Urbanism</em>, tive oportunidade de participar num painel dedicado ao turismo e à sustentabilidade (ou falta dela) do setor. Com o crescimento exponencial de visitantes a diversos locais históricos e cidades referenciais de turismo como Paris, Atenas, Veneza e, inclusive Lisboa, por exemplo, várias cidades europeias estão a restringir a entrada nas suas atrações turísticas. O futuro aponta, segundo especialistas, para uma maior regulamentação em todo o continente.</p>
<p>Por exemplo, em Atenas, desde o início de setembro, o Pártenon limitou as suas visitas a 20 mil entradas por dia, a um ritmo de cerca de duas mil por hora, para evitar o risco de saturação que surgiu durante a avalanche de turistas no verão, que obrigou as autoridades a intervir com velocidade. Amsterdão, outro dos pontos do mapa europeu que concentra maior fluxo de visitantes, fechou o seu terminal de cruzeiros no centro histórico e lançou uma campanha para desencorajar as visitas de homens britânicos, além de limitar o tráfego noturno no celebre <em>Red Light District</em>. Desde a primavera passada, o notório bairro da cidade holandesa, famoso pela sua tolerância à prostituição e às drogas, tomou medidas no sentido de uma relativa racionalização: os bares fecham à 1h em vez das 2h, e o trabalho sexual foi interrompido entre as 3h e as 6h da manhã.</p>
<p>Em Veneza, foi instaurada uma nova taxa de cinco euros para os turistas que passam o dia na cidade, que recebe cerca de 30 milhões de visitantes por ano. Destinado apenas a quem não pernoita na cidade, ou seja, cerca de dois terços dos visitantes. Na Croácia, Dubrovnik, onde residem apenas 41 mil pessoas, apesar de receber cerca de 1,5 milhões de visitantes por ano, também estuda limitar a chegada de navios de cruzeiro e a abertura de novos restaurantes. Na Islândia, o Canon Fjaðrárgljúfur teve que ser fechado ao público após aparecer em Game of Thrones e num vídeo de Justin Bieber. E na Áustria, grupos de manifestantes protestaram neste mês de agosto contra o turismo na cidade de Hallstatt, património mundial, onde vivem 700 habitantes, mas que recebe cerca de 10 mil visitantes por dia na época alta.<br />É o chamado <em>overtourism</em>, um anglicismo para turismo de massas, um problema que não é recente, mas que, após a experiência da pandemia, está finalmente a ser combatido por soluções restritivas e punitivas.</p>
<p>E aqui estará um dos pontos quentes da discussão. Voltaremos a ter turismo para ricos e pobres? As viagens serão apenas para uma elite privilegiada? E o que dizer da intenção real de algumas cidades em tornar inacessíveis a turistas zonas da cidade, bairros e outros locais apenas acessíveis por códigos e cartões de acesso a residentes?</p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><blockquote>
<p>&#8220;Esperamos todos que as nossas cidades do futuro sejam abertas, livres e prósperas. De 10, 15 ou 30 minutos, é irrelevante. O importante é que a liberdade prevaleça e se fortaleça. Caso contrário, teremos outra versão de Oppenheimer, desta feita para as cidades<em>.</em>&#8220;</p>
</blockquote></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p>No corolário de abundantes teorias de conspiração com as cidades de 15 minutos encontramos muitos absurdos, contudo, também é possível detetar abusos e exageros por parte das cidades e governos que, cada vez mais, anseiam por controlar mais e melhor os cidadãos. E se na Europa e no mundo ocidental em geral este imaginário distópico e totalitário tomou conta das nossas vidas durante a pandemia, noutras latitudes está já efetivo e a ser executado em pleno.</p>
<p><img loading="lazy" class="aligncenter wp-image-27301 size-full" src="https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/12/The-headquarters-of-Mussolinis-Italian-Fascist-Party-1934-1024x711-fotor-20231220113818.jpg" alt="" width="650" height="340" srcset="https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/12/The-headquarters-of-Mussolinis-Italian-Fascist-Party-1934-1024x711-fotor-20231220113818.jpg 650w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/12/The-headquarters-of-Mussolinis-Italian-Fascist-Party-1934-1024x711-fotor-20231220113818-300x157.jpg 300w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/12/The-headquarters-of-Mussolinis-Italian-Fascist-Party-1934-1024x711-fotor-20231220113818-400x209.jpg 400w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/12/The-headquarters-of-Mussolinis-Italian-Fascist-Party-1934-1024x711-fotor-20231220113818-610x319.jpg 610w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /></p>
<p>Seja qual for a solução, deve ser sempre equilibrada. Se formos no sentido inverso e começarmos a ver apenas restrições, proibições e outros cortes na liberdade de movimentos dos cidadãos, apenas com intuito de controlar, então os fundamentos defendidos por Carlos Moreno serão subvertidos dando razão as teorias conspirativas, o que será um enorme dano para a nossa sociedade tal como qualquer outra invenção, opção estratégica ou inovação concebida para nos facilitar as vidas e contribuir para que sejamos mais felizes e tenhamos maior qualidade de vida. Julius Robert Oppenheimer também sofreu as agruras da alma dividida entre o progresso e o lado bom da ciência com o seu mau uso e nefastas consequências para o mundo e para a humanidade. Ficou celebre a sua frase: “Agora tornei-me a Morte, a destruidora de mundos”. Espero, pela grande amizade que tenho por Carlos Moreno, que ele nunca se sinta nesse papel de ter criado um conceito fantástico repleto de virtudes e que tenha sido mal-interpretado ou usado de forma errada numa sociedade que tem manifestado, cada vez mais, sinais complicados relativamente ao futuro das democracias e do mundo livre.</p>
<p>Esperamos todos que as nossas cidades do futuro sejam abertas, livres e prósperas. De 10, 15 ou 30 minutos, é irrelevante. O importante é que a liberdade prevaleça e se fortaleça. Caso contrário, teremos outra versão de Oppenheimer, desta feita para as cidades.</p></div>
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<p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na edição nº 41 da Smart Cities – outubro/novembro/dezembro 2023, aqui com as devidas adaptações.</em></p>
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		<title>Farol Urbano: O Espaço é Público</title>
		<link>https://smart-cities.pt/opiniao-entrevista/farol-urbano-o-espaco-e-publico-09-08/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=farol-urbano-o-espaco-e-publico-09-08</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vítor Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2023 07:47:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião / Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[espaço público]]></category>
		<category><![CDATA[farol urbano]]></category>
		<category><![CDATA[vitor pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tenho observado ultimamente – e confesso que com alguma perplexidade – que existem seres humanos neste planeta que se consideram donos e proprietários do espaço que é de todos. Artigo de opinião de Vítor Pereira.</p>
<p>O conteúdo <a rel="nofollow" href="https://smart-cities.pt/opiniao-entrevista/farol-urbano-o-espaco-e-publico-09-08/">Farol Urbano: O Espaço é Público</a> aparece primeiro em <a rel="nofollow" href="https://smart-cities.pt">Smart Cities</a>.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR">Tenho observado ultimamente – e confesso que com alguma perplexidade – que existem seres humanos neste planeta que se consideram donos e proprietários do espaço que é de todos. Ainda antes de definirmos o que é o espaço, admitamos que há propriedade privada e que mesmo assim não é permitido aos proprietários fazerem tudo o que querem e desejam na mesma. Porquê? Porque existem regras, regulamentos e autoridades que monitorizam o “interesse público”, defendendo a sociedade de potenciais abusos do coletivo. </span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR">Mas vamos dar um exemplo extremado. Os chineses anunciaram que irão construir uma base na Lua com potencial nuclear – não se sabe em que quantidades e quais as reais intenções. O espaço lunar é público? Sim, pois alterações na sua estabilidade e harmonia com o nosso planeta afetariam todos de uma forma inimaginável e com consequências desconhecidas. A sociedade deve, por isso, chamar a atenção da China para esta situação e geri-la da melhor forma. Mas e se os chineses quiserem ir para Marte fazer, lá, o que lhes bem aprouver? Teremos alguma coisa a ver com isso? Não. O espaço é de quem o conquista e, embora com uma corrida arrefecida, não esqueçamos um nada insignificante detalhe: foi a corrida ao espaço, nos anos 50, que catapultou a inovação tecnológica para o patamar em que nos encontramos atualmente. O espaço é de todos e o espaço sideral não é de ninguém porque ninguém consegue alcançá-lo (pelo menos, ninguém humano). </span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR" style="letter-spacing: -.05pt;">Mas vamos a outro exemplo. Há um projeto que está a ser apelidado de “teoria da conspiração”, mas que pretende mesmo avançar em breve com o lançamento de biliões de partículas (?!) na atmosfera para “reduzir os efeitos do sol”. Ou seja, há um projeto liderado por científicos, e patrocinado por Bill Gates e mais alguns iluminados, que quer reduzir a quantidade de luz solar que atinge a terra. Sinceramente, prefiro que os chineses façam asneiras na Lua do que patetas autodenominados “cientistas” nos retirem, em nome de um suposto “interesse comum”, o usufruto do nosso sol que alimenta a vida no nosso planeta.</span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR">Já chega de exemplos radicais; passemos aos casos mais comuns e frequentes. Há, neste mundo, e particularmente em Portugal, a ideia de que o espaço público é propriedade de alguém, de uma autoridade, de um governo, de um município, etc. Não. Em definitivo, não. O espaço público é de todos e, no caso das democracias participativas, é transmitido ao eleito o dever de zelar e gerir, em nome de todos, os interesses comuns e gerais dos cidadãos. </span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR" style="letter-spacing: -.05pt;">Então, sendo assim, porque não avançam mais medidas de aproveitamento do espaço público com o propósito de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos? Pergunta de difícil resposta&#8230; Mas vamos imaginar que necessitamos de resolver o problema da habitação e o Estado (ou governo), com a autoridade que lhe é delegada, em vez de aproveitar o espaço público para solucionar o problema, decide confiscar a propriedade privada em nome de um interesse geral e público. Talvez seja mais um exemplo radical e imaginário, mas não duvidem de que há tiranos à espreita em cada eleito democraticamente porque é essa a tendência dos humanos: assumir que por terem o privilégio de poder ir à Lua esta passa a ser sua propriedade. </span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR">E aqui estamos nós, cidadãos incautos e convencidos de que mudamos o mundo pelo voto, a convocar tiranos para o nosso quotidiano que não se interessam pelo espaço público, [mas, sim,] apenas pelos seus interesses imediatos e lucrativos enquanto gestores temporários desse mesmo espaço. Com a devida ressalva para imensas exceções, temos (todos!) de prestar atenção e sindicar com cautela e determinação quem se aproveita de um poder (ou poderes) efémero e comprovadamente limitado quer pelo espaço quer pelo tempo.</span></p>
<h4 class="Texto" style="text-indent: 0cm;">Sustentabilidade ou eficiência?</h4>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR">Aproveitando o tema do momento, resolvi recordar nesta edição o seguinte artigo que escrevi em 2015 e que, pelos vistos, se mantém atual:</span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR"> </span><span lang="PT-BR">“Falar de cidades nos dias de hoje tornou-se uma banalidade. Para o bem e para o mal, muito do que está a acontecer no mundo, neste preciso momento, tem uma cidade como palco ou protagonista.</span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR" style="letter-spacing: -.05pt;">Descobrimos precisamente isso quando as próprias cidades se empenham em anunciar aos gritos todas as suas façanhas ou potencialidades, escondendo debaixo do tapete as suas debilidades e os seus problemas.</span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR">Uma cidade inteligente precisa de saber lidar com tudo. Com o bom e com o mau. Precisa de não se envergonhar dos seus defeitos nem exaltar excessivamente as suas virtudes. Uma cidade inteligente tem de ser, acima de tudo, humilde – na forma como fala com os seus cidadãos, na forma como comunica.</span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR">Naturalmente que nesta época dominada pelos media, pelas televisões e pelo mediatismo e populismo é cada vez mais complicado discernir o que é uma mensagem humilde, [distinguindo-a] de uma mensagem imodesta, ou pior, falsa ou propagandística. </span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR">Todos os dias vemos exemplos disso mesmo. Todas as cidades do mundo são escrutinadas em milhares de rankings de todo o género e feitio. Dá para todos os gostos. E se uma cidade fica em último lugar num desses rankings aparecerá em primeiro noutro qualquer. Comunicar os rankings não é, por isso, uma forma inteligente de comunicar a cidade. Pode levantar temporariamente o moral dos cidadãos, dos residentes, dos turistas, mas é sol que pouco dura. É uma comunicação efémera. Sem substância. Não envolve a comunidade nem a torna consciente da realidade, antes pelo contrário. Muitas cidades vivem da ilusão, dos rankings pagos, das publirreportagens nos mais ‘prestigiados’ órgãos de comunicação social. Este ilusionismo, um dia mais tarde, pode tornar-se um problema.</span></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><blockquote>
<p>&#8220;<em>Uma cidade eficiente terá, porventura, mais sentido do que uma cidade sustentável. A eficiência é o estado de uma perfeita harmonia entre os diversos setores</em><em>.</em>&#8220;</p>
</blockquote></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><span lang="PT-BR">Uma grande parte dos cidadãos já vive conectada, participa nas redes sociais, mas não interage nem está para se aborrecer com o excesso de otimismo e positivismo que subitamente inundou este planeta, nos negócios, nas empresas, nas escolas, nas cidades. O cidadão sabe que a realidade não é assim tão cor-de-rosa como a que querem pintar. Por isso, quem quer comunicar com os cidadãos tem de ter uma postura humilde, franca e honesta e, ao mesmo tempo, direta e frontal. Não pode escudar-se em ‘marketing territorial’, seja lá o que isso for. Tem de se mostrar tal qual como é. Tem de ser exatamente aquilo que os seus cidadãos sabem que é.</span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR">Tudo isto por causa da última moda do palavreado Smart nas cidades: a sustentabilidade. De repente, todos querem ser sustentáveis. Até há bem pouco tempo, era um palavrão, na boca de fundamentalistas ambientalistas. Hoje, está na moda ser sustentável. Mas ser sustentável pode significar muitas coisas. E quando se adota a sustentabilidade por exemplo no setor energético ficamos com muitas dúvidas. Ser sustentável energeticamente não significa que se seja sustentável, por exemplo, economicamente.</span></p>
<p><img loading="lazy" class="aligncenter wp-image-24580 " src="https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/08/shutterstock_367127252.jpg" alt="" width="587" height="307" srcset="https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/08/shutterstock_367127252.jpg 650w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/08/shutterstock_367127252-300x157.jpg 300w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/08/shutterstock_367127252-400x209.jpg 400w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/08/shutterstock_367127252-610x319.jpg 610w" sizes="(max-width: 587px) 100vw, 587px" /></p>
<p>Por isso mesmo, há vocabulário que entra na comunicação das cidades sem pedir licença. É adotado porque está na moda e porque soa bem. E quando entra é complicado remover e contrariar a ideia de que, embora não seja enganadora, também não corresponde à realidade.</p>
<p>Uma cidade eficiente terá, porventura, mais sentido do que uma cidade sustentável. A eficiência é o estado de uma perfeita harmonia entre os diversos setores. É uma conspiração de vontades para que toda a organização social e económica das cidades se articule criando bem-estar, progresso e desenvolvimento. Sendo eficiente, uma cidade será sempre sustentável, porque não depende de medidas avulsas nem tiradas de pacotes instantâneos de considerações filosóficas.</p>
<p>Uma cidade sustentável pode ser uma coisa boa de se ouvir, mas se na realidade não o for torna-se ruído e confunde. Uma cidade eficiente, por outro lado, sustenta-se em dados reais, em análises pragmáticas dos resultados de todos os setores, afastando o empirismo ligado ao vocabulário, afastando possíveis tendências de se alimentarem a propaganda e a ilusão. É disso que precisamos também, de cidades eficientes na forma de ler o que são e o que serão. A sustentabilidade será um extra. Neste caso, bom.” </p></div>
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<div class="et_pb_text_inner">
<p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://smart-cities.pt/project/redesenhar-espaco-publico-2/" target="_blank" rel="noopener">edição nº 39 da Smart Cities – Abril/Maio/Junho 2023</a>, aqui com as devidas adaptações.</em></p>
</div>
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		<title>Farol urbano: As novas fronteiras da tecnologia e da Humanidade</title>
		<link>https://smart-cities.pt/opiniao-entrevista/as-novas-fronteiras-da-tecnologia-e-da-humanidade-2023/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=as-novas-fronteiras-da-tecnologia-e-da-humanidade-2023</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vítor Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 May 2023 05:32:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião / Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[farol urbano]]></category>
		<category><![CDATA[vitor pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cada vez mais, a Humanidade interpreta a realidade em frente à TV ou nas redes sociais. Com um conflito bélico em curso na Europa e a ascensão de uma máquina de inteligência artificial (IA)...</p>
<p>O conteúdo <a rel="nofollow" href="https://smart-cities.pt/opiniao-entrevista/as-novas-fronteiras-da-tecnologia-e-da-humanidade-2023/">Farol urbano: As novas fronteiras da tecnologia e da Humanidade</a> aparece primeiro em <a rel="nofollow" href="https://smart-cities.pt">Smart Cities</a>.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR" style="letter-spacing: -.1pt;">Cada vez mais, a Humanidade interpreta a realidade em frente à TV ou nas redes sociais. Com um conflito bélico em curso na Europa e a ascensão de uma máquina de inteligência artificial (IA), que se tornou popular pela facilidade com que pode enganar humanos – que já pouco ou nada leem além das “gordas”, do Twitter ou de outros ‘copy’ simples – , a Humanidade tornou-se, possivelmente, num alvo fácil para quem está no ‘comando’ das ditas ferramentas e dos respetivos conteúdos.</span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR" style="letter-spacing: -.15pt;">Também no que diz respeito à governação, parecemos estar numa encruzilhada. As filosofias opostas do multilateralismo vs. globalismo estão ao rubro, muito por culpa da ação russa na Ucrânia. </span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR" style="letter-spacing: -.15pt;">Se antes apenas conseguíamos ver a ponta do icebergue, este começa agora a emergir a uma velocidade estonteante. Mistura-se tudo nas águas do “politicamente correto”, da “participação cidadã”, da necessária “discussão científica” ou da evolução tecnológica que faz perigar os sistemas democráticos tradicionais em direção a lideranças e governos autocráticos e cada vez mais limitadores dos direitos e das liberdades dos cidadãos, que, recorde-se, vivem, muitos deles, numa letargia mediática e assombrados pelo custo de vida e pelas dificuldades de ter uma casa condigna, de constituir família, de criar filhos e de manter uma carreira. Há exceções, claro. Haverá sempre exceções. Contudo, estas exceções caminham na sombra e muitas delas abusam do poder e do estatuto, que, em muitos casos, lhes é conferido pelo voto, ou, então, pelas alegadas competências e qualificações ou pelo reconhecimento. </span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR" style="letter-spacing: -.15pt;">Tenho vindo a tentar escrever mais sobre as questões éticas e filosóficas deste “admirável novo mundo”, que, afinal, parece ter mais anos do que as sesmarias, e esbarro-me sempre neste conflito entre mundos que muitos querem em sintonia com os “valores ocidentais” e que outros afirmam de que ninguém é dono ou proprietário. Só que, sim, há donos e proprietários, e são conhecidos. A escravatura foi abolida, mas existirão sempre escravos e alguns de forma voluntária.</span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR" style="letter-spacing: -.15pt;">Nas últimas semanas, os maiores gigantes tecnológicos de Silicon Valley (e não só) anunciaram despedimentos em massa. Alphabet (dona da Google), Amazon, Meta (Facebook), Twitter e Microsoft irão despedir milhares de funcionários “para reduzir custos e prepararem-se para uma possível recessão”. A estas grandes empresas, juntaram-se muitas outras mais pequenas, mas influentes, que irão juntar mais alguns milhares de funcionários despedidos. Refira-se que todas estas empresas estão representadas (e financiam) no World Economic Forum (WEF), essa entidade supranacional, transformada numa espécie de think-tank que ninguém se atreve a criticar – numa mistura de lobismo com uma influência cada vez maior no mundo ocidental, sobretudo, nas democracias da Europa e da América do Norte, mas também com influência, em tempos, na China e na Rússia. Ou, pelo menos, tentativa.</span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR" style="letter-spacing: -.2pt;">A agenda dos despedimentos não esteve em discussão certamente no último fórum de Davos, que a WEF organiza anualmente em Janeiro, mas, garantidamente, os presentes estiveram empenhados em encontrar soluções para “um mundo melhor”, com alguns, inclusive, a arvorarem-se “alienígenas” e “especiais”, por exemplo, no combate às alterações climáticas. Foi o caso de John Kerry – sem dúvida, um portentoso representante da divindade e virtuosismo. Outros mais comedidos enfatizaram a necessidade de retomar o processo dos “Certificados de Vacinação” como opção tecnológica relevante para controlar quem pode e quem não pode fazer algo num mundo distópico em que as máquinas serão incorruptíveis e infalíveis (pelo menos, para alguns).</span></p>
<p class="Texto" style="text-indent: 0cm;"><span lang="PT-BR" style="letter-spacing: -.2pt;">O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, do alto da sua honrada e histórica verdade sobre as “armas de destruição massiva” no Iraque, quer, pelos vistos, ser o novo chefe do WEF, que já não aguenta mais a má imagem do Klaus Schwab e do seu “Great Reset”. Blair é mais “polido”, uma figura mais esponjosa e popular que pode contribuir para influenciar estas novas medidas e iniciativas distópicas junto de governos e nações, muitas delas, também governadas por Young Leaders, autênticos Frankensteins “paridos” em Davos e imbuídos do espírito de missão para “salvar o mundo”. Sem dúvida de que esta é uma missão honrosa e que, naturalmente, recolhe aplausos e apoios das massas – as mesmas que irão ser despedidas e com direito a um subsídio dos respetivos Estados que já tinham entregado (em alguns casos, a fundo perdido) às mesmas empresas biliões em incentivos para promoverem a criação de empregos. Este deve ser, afinal, o real significado de precariedade.</span></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><blockquote>
<p>&#8220;<em>Poderemos assistir, nos próximos anos, ao lançamento da </em>smart city <em>num processo autoritário e voltado para o controlo e a limitação de liberdades ao invés do oposto, que seria o seu original objetivo.</em>&#8220;</p>
</blockquote></div>
			</div> <!-- .et_pb_text --><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_20 et_animated  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p>Chegados aqui, sobra a tecnologia. No limite, como se observou recentemente na China e durante a pandemia, haverá portas trancadas à distância, estradas e acessos cortados, contas bancárias congeladas (que também existiram no Canadá), associadas à hipervigilância de dados e locais. As cidades serão o palco.</p>
<p>Assim sendo, poderemos assistir, nos próximos anos, ao lançamento da smart city num processo autoritário e voltado para o controlo e a limitação de liberdades ao invés do oposto, que seria o seu original objetivo. Afinal, quantos de nós não encheram a boca de “smart cities para as pessoas” ou de “primeiro as pessoas”?! Pois, efetivamente, as pessoas são o principal problema porque, ao contrário de uma qualquer IA, as pessoas sofrem, têm sonhos, têm depressões e explosões de felicidade. Têm sentimentos, que, pelos vistos, alguém, a todo o custo, quer moldar, limitar ou cancelar.</p>
<p>Os factos de termos tido uma pandemia, de termos uma guerra, de nos acenarem novamente com o fim do mundo por causa da ação humana são apenas o combustível para fomentar medos, culpa, divisões e distrações. E, entretanto, cancelam cartões e contas bancárias, cortam a água, a eletricidade e o gás remotamente, retiram acesso a crédito bancário e, podem, inclusive, proibir os carros elétricos de circular (os outros já o proíbem em certas zonas). Tudo para o “nosso bem”.</p>
<p><img loading="lazy" class="aligncenter wp-image-22369 size-full" src="https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/05/istock-1166695965.jpg" alt="" width="650" height="340" srcset="https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/05/istock-1166695965.jpg 650w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/05/istock-1166695965-300x157.jpg 300w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/05/istock-1166695965-400x209.jpg 400w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2023/05/istock-1166695965-610x319.jpg 610w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /></p>
<p>Os futuros governos estão nesta encruzilhada e não conseguimos dizer qual o melhor modelo, por enquanto. Uns preferem ter, no futuro, um governo apoiado pelos dados, pelas máquinas, pela desresponsabilização dos eleitos enquanto executores, do que os “dados nos dizem” manipulando os resultados, garantindo credibilidade sustentada por modelos e projeções matemáticas sobre cenários hipotéticos no futuro que nunca se concretizarão. Este tipo de governação iniciou-se em 2020 e vai progredir, crescer, talvez, mas desejo, sinceramente, que não tenha futuro.</p>
<p>O segundo modelo, humanizado e respeitador dos valores e das liberdades individuais irá promover educação e debate entre todos os cidadãos em condições de igualdade. Será um modelo que aproveitará ao máximo a tecnologia para, realmente, concretizar os sonhos dos visionários e dos génios que engrandecerão a ciência respeitando a diferença e aceitando o debate, a crítica e a contradição normal de quem não sabe tudo. Um processo mais longe do tal “socialismo woke” gerado em Davos e mais próximo da rebeldia dos grandes anarquistas que debatem valores humanos de igual para igual e respeitam a diferença a todos os níveis e onde a única condição e o único propósito é não fazer o mal. Ou, para os mais puristas, apenas praticar o bem com respeito da moral, dos valores e das tradições.</p>
<p>A novidade é que nada disto é novo. Tudo está escrito, romanceado, filmado e pensado. Há séculos. Mesmo tudo! Os ratos na roda estão demasiado ocupados e focados em chegar a um destino que nunca mais chega. Esperamos que exista bom senso e que se crie uma nova corrente de pensamento alternativo àquilo que todos parecem ver e aceitar, porque alguém, supostamente mais qualificado ou importante, lhes diz para aceitar.</p>
<p>É um caminho tortuoso entre influenciadores, patrões, familiares e outros que se julgam “do lado certo da História”. O problema é que ninguém, no presente, sabe que lado é este, nem ninguém o pode afirmar perentoriamente. A menos que já tenha tido acesso à última das tecnologias, a máquina do tempo. E isso parece muito pouco provável!</p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.</em></strong></p></div>
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		<title>Farol urbano: As cidades inteligentes e imperiais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jun 2022 09:51:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião / Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[farol urbano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No jogo da nova Ordem Mundial, a tecnologia é cada vez mais uma arma. Poderão as cidades ­­– e os seus cidadãos – escapar à influência dos impérios tecnológicos? ....</p>
<p>O conteúdo <a rel="nofollow" href="https://smart-cities.pt/opiniao-entrevista/cidades-inteligentes-imperiais-farol-urbano-1506/">Farol urbano: As cidades inteligentes e imperiais</a> aparece primeiro em <a rel="nofollow" href="https://smart-cities.pt">Smart Cities</a>.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong>No jogo da nova Ordem Mundial, a tecnologia é cada vez mais uma arma. Poderão as cidades ­­– e os seus cidadãos – escapar à influência dos impérios tecnológicos?</strong></p>
<p>Quando, em 2016, os Estados Unidos da América (EUA), liderados, então, por Donald Trump, lançaram uma ofensiva comercial contra a China, o mundo tremeu. Escrevi, na altura, que a medida, travestida de “Segurança Nacional”, era uma fanfarronice de Trump, que, para o bem e para o mal, ninguém levou muito a sério na Europa. Contudo, os EUA praticamente <a href="https://gizmodo.com/zte-is-practically-shutting-down-and-a-u-s-ban-is-to-1825888872" target="_blank" rel="noopener">acabaram com uma das mais proeminentes empresas chinesas da altura</a>, a ZTE, com uma implantação muito forte em solo americano e abalaram a Huawei.</p>
<p>Primeiro, com acusações de espionagem eletrónica e, depois, com sanções e processos judiciais/criminais. O mais mediático, contra Meng Wanzhou, filha do CEO da Huawei, além de ser CFO da companhia. Foi presa em 2018 no Canadá e aguardou extradição para os EUA, acusada de violar as sanções impostas ao Irão, através de subsidiárias. Como retaliação, a China deteve dois cidadãos canadianos, depois de investigações relativas a “atividades que colocam em risco a segurança nacional da China”. Meng foi, entretanto, libertada e regressou à China. Segundo, com nova legislação e imposição de sanções que levaram, inclusive, a Huawei a criar o seu próprio <a href="https://www.cnbc.com/2021/06/02/huawei-harmonyos-operating-system-launched-on-smartphone-smartwatch.html" target="_blank" rel="noopener">Sistema Operativo.</a></p>
<p>Estas movimentações ocorriam em simultâneo com os grandes anúncios de parcerias entre a gigante tecnológica chinesa e cidades em toda a Europa. Capitais e metrópoles, umas maiores, outras mais pequenas, que foram seduzidas pelo soft power da China através de empregos, tecnologias, capital de risco e relações económicas entre Europa e Ásia. Assistimos todos a essa “evolução”. A Huawei já vinha sendo uma das maiores patrocinadoras de eventos na Europa (e no mundo). Os EUA, liderados por Trump, perceberam que a team America estava a enfraquecer, após anos de supremacia (da Microsoft, IBM e Cisco, por exemplo).</p>
<p>Foi um tempo de discórdia. A pressão dos americanos aos seus parceiros europeus, nomeadamente através da NATO, que se tornou no principal palco de discussão de segurança eletrónica e tecnológica ao mais alto nível, acentuou-se. Na resposta ao <em>soft power</em> chinês, entrava à bruta na loja de porcelana o elefante Trump.</p>
<p>Se, com o caso da ZTE, devido à influência ocidental no seu modelo de negócio, essa ação levou praticamente ao desmantelamento da empresa e respetiva falência, o mesmo não ocorreu com a Huawei. O Ocidente demorou a perceber que a marca chinesa já não era apenas uma fabricante de telemóveis. A sua maior especialização durante a última década aconteceu em áreas que impulsionaram a China para um patamar superior ao americano no 5G, na Inteligência Artificial (IA), no <em>Cloud Computing</em> ou no <em>Machine Learning</em>. A Huawei vinha a entrar aos poucos na Europa através de contratos públicos de serviços 5G, <em>cloud</em> e <a href="https://smart-cities.pt/tic/pensarcidade-huawei78/" target="_blank" rel="noopener"><em>smart cities</em></a>. Trump parecia derrotado, mas obrigou alguns aliados a repensarem as suas estratégias e, assim, <a href="https://www.mijngroeve.nl/history/city-council-of-rotterdam-would-like-to-ban-huawei-amsterdam-to-follow/" target="_blank" rel="noopener">verificamos que algumas iniciativas com a Huawei foram canceladas ou suspensas</a>. Outras foram reprogramadas com exigência de garantias de código neutral e aberto no sistema chinês.</p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><blockquote>
<p>&#8220;Aparentemente, todos prometem mais liberdade e mais privacidade, mas o que se vê em todos os blocos imperiais em disputa é uma conquista do digital, e há quem duvide de que [esta] seja efetivamente para o nosso bem.&#8221;</p>
</blockquote></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p>Com o surgimento da pandemia, curiosamente, com epicentro na cidade de Wuhan – que apresentou, em 2012, nos primórdios da Smart City Expo Barcelona, <a href="https://www.chinadaily.com.cn/bizchina/2012-11/16/content_15935840.htm" target="_blank" rel="noopener">o seu <em>roadmap</em> para se tornar uma<em> smart city</em> em 2020</a> –, deu-se um retrocesso no mundo globalizado com a suspensão de viagens, eventos, reuniões presenciais e outro tipo de interações entre <em>stakeholders</em>, nomeadamente entre cidades, eleitos e empresas.</p>
<p>O ano 2020 é também aquele em que entra Joe Biden na Casa Branca, derrotando Donald Trump, e, ao contrário do que muitos analistas previram, o ataque cerrado à China acentuou-se e tornou-se ainda mais agressivo noutros tabuleiros da geopolítica, e não apenas no comércio. A pandemia trouxe uma série de novos avanços tecnológicos, nomeadamente no setor da IA. A crescente (e, em muitos casos, abusiva) utilização de dados privados e certificados digitais catapultou o recrudescimento de enormes unidades centralizadas de dados digitais – na China, suportados em Tecent e Huawei; no Ocidente, a maioria em sistemas Microsoft, IBM, CISCO e outros.</p>
<p>É também o tempo de voltar a falar em ética nos algoritmos de IA e na utilização de dados pessoais e do foro privado. Um aparente contrassenso quando, em diversos países da UE, o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) praticamente foi abolido/suspenso durante a pandemia, em virtude dos autoproclamados “Estados de Emergência”. Numa aparente contradição, países que suspenderam direitos e liberdades por causa da pandemia, iniciam processos de ‘digitalização’ dos seus cidadãos, promovendo códigos de conduta e ética, e <a href="https://citiesfordigitalrights.org/selectedcities" target="_blank" rel="noopener">promovendo plataformas de estudo e desenvolvimento de regras de privacidade e protocolos de seguranç</a>a.</p>
<p>Do lado chinês, acontece exatamente o mesmo, com Xi Jinping <a href="https://www.economist.com/china/2021/09/11/china-has-become-a-laboratory-for-the-regulation-of-digital-technology" target="_blank" rel="noopener">a anunciar novas leis e regulamentos exigentes com penalizações pesadas para as empresas que ‘abusem’ dos dados pessoais dos cidadãos</a>.</p>
<p>No meio de toda esta parafernália de processos e de ações governamentais e corporativas, surgem outras plataformas alegadamente ‘virtuais’ como o Metaverso do Facebook, que, além de promover a criação de um <em>Digital ID,</em> também pretendeu lançar uma nova criptomoeda. De resto, diretamente interligada às intenções de digitalização da identidade individual, surge também uma criptomoeda e uma nova plataforma na Web3.</p>
<p>Independentemente da candura de alguns projetos de smart cities, todos estes novos processos e políticas em curso levantam preocupações e estão também na origem de algumas teorias da conspiração, envolvendo, nomeadamente, o Fórum Económico Mundial e a sua apologia e pressão global para um <em>Great Reset</em>. Pelos vistos, foi preciso iniciar-se mais uma guerra para se começar a clarificar o que era duvidoso no tempo de Trump e na última década de crescimento da China, enquanto superpotência global e económica.</p>
<p>Para já, é a Rússia que está a movimentar-se no tabuleiro geopolítico, criando, por um lado, disrupções, e, por outro, uniões que os americanos vinham a tentar garantir e pressionar há anos. A NATO, por exemplo, acaba reforçada e as relações transatlânticas retomam força e vigor com um novo acordo anunciado recentemente entre UE e EUA para uma nova <a href="https://www.thesmartcityjournal.com/en/news/trans-atlantic-data-privacy-framework?utm_source=owned&amp;utm_medium=mail&amp;utm_campaign=dailynews&amp;utm_term=280322" target="_blank" rel="noopener"><em>Framework Transatlântica de Privacidade de Dados.</em></a></p>
<p>Aparentemente, todos prometem mais liberdade e mais privacidade, mas o que se vê em todos os blocos imperiais em disputa é uma conquista do digital, e há quem duvide de que [esta] seja efetivamente para o nosso bem. Os próximos meses serão decisivos para verificar a bondade destes processos em curso, contudo, o que podemos observar já é que a Guerra de Impérios está de regresso. E, com a guerra, chega sempre a vitória das elites e a derrota e o sofrimento do povo.</p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.</em></strong></p></div>
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		<title>Farol urbano: Metaversos reais</title>
		<link>https://smart-cities.pt/opiniao-entrevista/metaversos-farol-urbano-1612/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=metaversos-farol-urbano-1612</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vítor Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 10:29:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião / Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mês de outubro, com temperaturas amenas e as medidas anti-Covid mais relaxadas, foi perfeito para a Semana de Blockchain de Lisboa, que decorreu entre os dias 18 e 24 ...</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p>O mês de outubro, com temperaturas amenas e as medidas anti-Covid mais relaxadas, foi perfeito para a <a href="https://lisbonblockchainweek.com/pt/" target="_blank" rel="noopener">Semana de Blockchain de Lisboa</a>, que decorreu entre os dias 18 e 24. A quantidade de eventos que se encadearam uns nos outros contribuiu para fortalecer um ecossistema praticamente desconhecido e <em>underground</em> na capital portuguesa.</p>
<p>Centenas de <em>developers</em>, artistas, designers, influencers, investidores e <em>crypto-geeks</em> aterraram de malas e bagagens para uma semana frenética, que incluía, além das conferências, muitas festas, <em>hackathons</em>, exposições, concertos de música, <em>rooftop parties</em> e <em>raves</em> na praia. Chegava a ser estonteante o ritmo de circulação entre eventos e locais de reunião de todos os participantes que se foram espalhando pela cidade e arredores como um organismo integrado na urbe, mas, ao mesmo tempo, apenas visível aos mais atentos e conhecedores da realidade <em>underground</em>.</p>
<p>Este foi um dos primeiros metaversos que consegui experimentar em Portugal. Uma realidade desconectada, no geral, do <em>mainstream</em>, mas, ao mesmo tempo, ligada e a usufruir de infraestruturas e espaços de eventos noturnos na cidade onde decorreram algumas as reuniões ‘sociais’ mais vibrantes. Quem são estes participantes? De onde vêm? O que fazem? Possíveis respostas serão afloradas mais adiante. Para já, outros metaversos em curso no mundo.</p>
<p>E o que é afinal um <em>metaverso</em>? É um conceito amplo. A palavra é usada no mundo dos jogos e transporta-nos para mundos virtuais. Trata-se, no fundo, de utopias digitais em que muitos participam através da tecnologia que lhes dá acesso. O exemplo mais recente de um gigante tecnológico a desejar criar um metaverso é o Facebook. Mark Zuckerberg, possivelmente cansado de tantos escândalos e brechas na privacidade e segurança, estará a preparar-se para zarpar para um mundo onde o virtual é intangível às leis e normas da sociedade real. Mas não é o único e é espantoso ver a quantidade de admiradores e seguidores que vibram com as novas utopias anunciadas com cidades construídas de raiz ou “zonas de inovação” um pouco por todo o lado, algumas já referidas em crónicas passadas. São indivíduos fora de série, multibilionários e poderosos, que, numa primeira divisão, competem por um lugar na corrida espacial a bordo de foguetões fálicos com destinos incertos. Num segundo patamar, os que se propõem a construir novas cidades de raiz, com as suas próprias leis e estruturas sociais alegadamente “mais livres”. Livres dos regulamentos estúpidos de alguns países. Livres dos impostos absurdos, livres de uma censura social que os oprime.</p>
<p>Vivem no seu próprio universo abonado de seguidores, fãs e colaboracionistas. Desejam construir as novas cidades-estado, suportadas na “liberdade” e mérito, mas sem se aperceberem de que o mundo novo sonhado levará à decadência e ao conflito social, pois existirá sempre um “mundo velho” repleto de problemas que poderiam ser solucionados ou minimizados com uma percentagem desse investimento utópico.</p>
<p>Embora falemos de cidades novas, existe uma âncora que os irá prender à realidade. Muitos destes projetos concebem-se como metaversos na nuvem. A <em>cloud</em> será a nova atmosfera para trocas e interações digitais com todos os dados filtrados e analisados por Inteligências artificiais e novos processos de votação, contratos e autenticação, concedendo identidades novas e autónomas.</p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><blockquote>
<p>&#8220;O problema das utopias anarquistas é a essência humana. A concretização deste tipo de sonhos será acompanhada, inevitavelmente, de conflito e insegurança no confronto com a realidade das leis e regulamentos&#8221;</p>
</blockquote></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p>O caso da cidade de <a href="https://cityoftelosa.com/" target="_blank" rel="noopener">Telosa</a> é um dos exemplos. Um sonho do bilionário americano Marc Lore e com a participação do arquiteto do regime, o inebriante Bjarke Ingels. São utopias que soam bem: “um futuro mais igualitário, justo e sustentável”; Telosa custará 400 biliões de dólares e será uma “cidade de 15 minutos com espaços de trabalho, escolas e outros serviços básicos”, com poucas distâncias entre si, evitando grandes deslocações dos seus residentes e utilizando veículos verdes e não poluentes, com ênfase para bicicletas, scooters e carros autónomos.</p>
<p>Um sonho, mas é um sonho partilhado por centenas, senão milhares, de outras cidades “normais” em todo o mundo e que poderia tornar-se realidade com os investimentos e recursos tecnológicos e influências políticas destes bilionários. Contudo, não é o que se pretende.</p>
<p>Temos a sensação de que há um novo poder emergente e que está a tentar desancorar-se de normas sociais, leis e regulamentos. Uma tentativa de refundar o capitalismo, tornando-o mais justo e garantindo mais equidade. Sem dúvida de que a sonoridade das palavras é cativante, sobretudo num mundo onde a corrupção é crescente, a incompetência e o clientelismo grassam e os impostos cobrados financiam tudo menos o bem-estar dos cidadãos.</p>
<p>Outro caso, o de <a href="https://www.drydenbrown.org/" target="_blank" rel="noopener">Dryden Brown</a>: um universitário que pretende fundar a sua cidade utópica baseada em estátuas NFT (<em>non-fungible token</em>) que serão, depois, replicadas no mundo real. Dryden considera que os EUA têm regulamentos e leis muito restritas, “estúpidas” até, e, por isso, está a considerar Chipre para lançar a sua cidade. Certamente desconhecerá as dores de cabeça dos regulamentos europeus, que, já observando um estado de monopólio dos grandes fornecedores de <em>cloud</em>, se preparam para lançar novo regulamento, supostamente com vista a dar mais transparência e justiça a esta área.</p>
<p>O que têm estes e outros projetos utópicos em comum com Lisboa e a sua relação com a <em>Semana de Blockchain</em>? Tudo se resume à tecnologia que corre nas veias de todo eles. Uma descentralização do poder de decisão assente em <em>blockchain</em> e criptomoedas com especial enfase para a plataforma <a href="https://ethereum.org/en/" target="_blank" rel="noopener"><em>Etherium</em></a>.</p>
<p>Se, no caso dos multibilionários, existe capital para lançar cidades de raiz em diversos pontos do globo, há iniciativas e experiências mais modestas, a decorrer em simultâneo, que consistem na aquisição de terrenos com alguma dimensão e co-criação de novas comunidades sustentáveis misturando permacultura, retiros zen e empreendedorismo verde ou ecológico. Em Portugal, são já vários.</p>
<p>Os resultados anunciados são mais ou menos idênticos: justiça e equidade nas decisões com recurso a DAO (<em>Descentralized Autonomous Organizations</em>), smart contracts desenvolvidos em <em>Etherium</em> e NFT, que alimentem a criatividade, a inovação e disrupção de mercados e novas fontes de rendimento.</p>
<p>Enquanto o mundo normal lida com crises energéticas, guerras, pandemias, fomes, alterações climáticas, corrupção, crime e insegurança, entre outras maleitas sociais, há todo um metaverso já real constituído por <em>anarco-crypto-hippy-nerds</em> que usam as mesmas ferramentas para construírem as suas utopias. Todos sonham com um mundo melhor, mas é o mundo real que ainda os acolhe e, no caso de Lisboa, oferece divertimento, sol, praia e comida que o mundo virtual não tem.</p>
<p>O problema das utopias anarquistas é a essência humana. A concretização deste tipo de sonhos será acompanhada, inevitavelmente, de conflito e insegurança no confronto com a realidade das leis e regulamentos. E, no caso dos anarco-capitalistas, a exagerada proximidade com os poderes instituídos, governos e empresas, que sobrevivem e interagem no mundo real. Para qual das utopias tenderá a sociedade nos próximos anos?</p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.</em></strong></p></div>
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		<title>Farol urbano: A neutralidade carbónica e outros contos de fadas</title>
		<link>https://smart-cities.pt/opiniao-entrevista/neutralidade-carbonica-contos-fada-2904/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=neutralidade-carbonica-contos-fada-2904</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vítor Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Apr 2021 08:44:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião / Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Países, cidades, empresas e cidadãos de todo o mundo estão a ser chamados a participar na já conhecida descarbonização da economia. O novo paradigma energético e social está a ser justificado com ...</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p>Países, cidades, empresas e cidadãos de todo o mundo estão a ser chamados a participar na já conhecida descarbonização da economia. O novo paradigma energético e social está a ser justificado com a necessidade de reduzir as emissões de carbono e combater as alterações climáticas. Uma preocupação que, sem dúvida, nos aflige a todos.</p>
<p>Todos nós devemos consciencializar-nos para uma alteração de hábitos apostando na informação, na ciência, na educação e na sensibilização. Mas, ao mesmo tempo, necessitamos de estar alertas, pois, uma grande fatia desta transição energética (senão, a maior) será da responsabilidade de todo um sistema económico “neoliberal” que se tem vindo a travestir de ecologista ao longo da última década.</p>
<p>A União Europeia (UE), “empenhada em desenvolver uma política climática ambiciosa, pretende tornar-se no primeiro continente a eliminar até 2050 tantas emissões de CO2 quantas aquelas que produz”. Este objetivo poderá tornar-se juridicamente vinculativo se o Parlamento e o Conselho Europeus adotarem a nova Lei do Clima.</p>
<p>O objetivo provisório de redução das emissões da UE para 2030 foi também atualizado, “passando da proposta atual de redução de 40% para uma redução mais ambiciosa”.</p>
<p>O Parlamento Europeu votou, a 7 de outubro, a favor da neutralidade climática até 2050 e de “um objetivo de redução das emissões em 60% até 2030 em comparação com os níveis de 1990, ou seja, uma meta mais ambiciosa do que a proposta da Comissão relativa a uma redução de 50-55%”. Estas metas só serão conseguidas através do já conhecido Pacto Ecológico, que acabou por ser integrado na “bazuca” de apoios para fazer face à pandemia.</p>
<p>O surgimento do novo coronavírus contribuiu para “acelerar” o que já estava em andamento. Foi também em plena pandemia e estado de emergência que fomos surpreendidos com as manchetes e primeiras páginas referentes a uma “matança cinegética” de 540 animais (javalis, veados e corsos) que foram abatidos em meados de dezembro por um grupo de 16 caçadores espanhóis numa herdade na Azambuja. A justificação para esta sangrenta montaria pode estar relacionada com os planos para criar na herdade da Torre Bela uma central fotovoltaica, cuja existência é incompatível com animais de grande porte em liberdade, além de implicar a desflorestação da herdade para dar lugar aos painéis. Um projeto que se encontrava em consulta pública e que foi, entretanto, revogado pelo Governo português.</p>
<p>Noutras latitudes europeias, impactos relacionados com a exploração de biomassa estão igualmente a ser sinalizados pelas associações e organizações ecologistas e ambientalistas. Desde que a UE anunciou a intenção de duplicar o uso de energias alternativas em 2030, diversos cientistas lançaram avisos ao Parlamento Europeu sobre autênticos “buracos” na legislação referente aos critérios de sustentabilidade. Zonas cinzentas na lei que podem mesmo contribuir para acelerar a crise climática nomeadamente através da devastação de milhares de hectares de floresta adulta.</p>
<p><img loading="lazy" class="wp-image-11964  aligncenter" src="https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2021/04/2904furbano.png" alt="" width="491" height="257" srcset="https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2021/04/2904furbano.png 650w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2021/04/2904furbano-300x157.png 300w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2021/04/2904furbano-400x209.png 400w, https://smart-cities.pt/wp-content/uploads/2021/04/2904furbano-610x319.png 610w" sizes="(max-width: 491px) 100vw, 491px" /></p>
<p>O multimilionário <em>lobby</em> da biomassa é apenas um desses exemplos. Em praticamente todos os países europeus se registou um acréscimo na exploração florestal para energia. A biomassa, cuja fonte principal reside nas florestas, representa, neste momento, 60% da energia renovável na UE, superando a solar e eólica juntas.</p>
<p>A desflorestação para exploração de biomassa em países como Estónia, mas também noutras zonas do Báltico, poderá estar na origem de diversos problemas sinalizados pelos ambientalistas nomeadamente em zonas da Rede Natura, com o declínio ou desaparecimento de espécies autóctones de aves.</p>
<p>Este drama, bem como as ambiguidades na legislação, estão já identificados, mas ainda poucos passos foram dados no sentido de corrigir a trajetória do desastre, muito por culpa do peso económico entretanto alcançado por esta indústria. Ao mesmo tempo, dão-se passos em direção ao hidrogénio e às restantes opções (solar, eólica, etc.) e o Pacto Ecológico será o mecanismo preferencial para financiar muitos destes projetos.</p>
<p>É por isso a altura certa para garantir que não se repetem casos idênticos ao da biomassa, apesar de já detetarmos alguns. O caso da Herdade da Torre Bela, com a desmatação e eliminação da fauna alegadamente para prosseguir um projeto de instalação fotovoltaica, deveria ser um aviso sério à navegação e não se espumar pelas primeiras páginas dedicadas ao impacto da matança enquanto um evento isolado e macabro.</p>
<p>Entretanto, exemplos como o <a href="https://www.facebook.com/Lusitanica/" target="_blank" rel="noopener"><em>Lusitanica</em></a>, nascidos no voluntariado e associativismo, propõe-se a recuperar várias parcelas de terrenos em Estarreja. O projeto “pretende valorizar a biodiversidade dos ecossistemas lusitânicos, bem como o património cultural, envolvendo ativamente a comunidade na melhoria ecológica daqueles espaços de forma a construir paisagens e modelos de gestão florestal mais sustentáveis”. Tenhamos esperança de que os nossos líderes saibam interpretar a realidade e não embarcar nos contos de fadas ou em histórias do Capuchinho Vermelho.</p></div>
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<p>&#8220;A biomassa, cuja fonte principal reside nas florestas, representa, neste momento, 60% da energia renovável na UE, superando a solar e eólica juntas.&#8221;</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><h4>Outras estórias de encantar</h4>
<p>O Médio Oriente tem sido pródigo na construção de novas realidades urbanas a partir do zero. Dubai e o Qatar são os exemplos mais conhecidos, mas o mais sonante por estes dias tem sido <a href="https://www.neom.com/en-us" target="_blank" rel="noopener"><em>Neom</em></a>, a cidade-estado projetada pelo Reino da Arábia Saudita.</p>
<p><em>Neom</em> é um sonho fantástico do príncipe-herdeiro que tem agremiado alguns dos mais brilhantes especialistas, urbanistas, arquitetos e consultores mundiais. Recentemente, mais detalhes foram revelados, nomeadamente em relação ao custo do projeto e a sua megalomania. No início do ano, o projeto foi reforçado como “A Linha” (<em>The Line</em>). São 170 quilómetros de uma megacidade composta por módulos, sem carros e conectando a Arábia Saudita, a Jordânia e o Egipto. <em>Neom</em> será inteiramente alimentada por energias renováveis, marcando, desde já, uma mudança no paradigma de um dos maiores produtores de petróleo mundiais.</p>
<p>Além disso, é anunciada pelo próprio princípe uma nova matriz para uma vida sustentável com robots, inteligência artificial, transportes sem condutores, hortas verticais, etc. Fica assim clara a escolha do nome, uma combinação da palavra grega “novo” e o termo árabe para “futuro”.</p>
<p>Sem tantos holofotes mediáticos, mas igualmente ambicioso, encontramos um projeto que pretende reflorestar os desertos. Engenheiros, arquitetos, biólogos, ambientalistas e empresários juntos num conceito baseado numa simples, mas grande ideia: fazer uso da tecnologia já existente e outra em desenvolvimento, juntar o que temos em abundância (água salgada, sol e deserto) e produzir comida, água e energia de forma sustentável. O<a href="https://www.saharaforestproject.com/" target="_blank" rel="noopener"><em> Sahara Forest Project</em></a> vai explorar um sem número de tecnologias e métodos já existentes, aproveitar sinergias e reutilizar desperdícios. O primeiro piloto está já a ser desenvolvido no deserto junto à cidade de Aqaba, na Jordânia.</p>
<p>Estes e outros projetos, além de ambiciosos, são exemplares e inspiradores. Mesmo com todas as dificuldades de execução e concretização, todos nascem dos sonhos, mas também da necessidade. Para os próximos anos, exige-se aos cidadãos, empresas e governos que não percam tempo com ideais de contos de fada nem panaceias. Se há mesmo uma emergência climática, este é o tempo certo para se edificar o futuro com base na ética e na inteligência.</p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><strong><em>As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.</em></strong></p></div>
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