Portugal tem dois municípios entre as 10 cidades da Europa com o ar mais limpo, revela a Agência Europeia do Ambiente (AEA), com base nos dados atualizados do visualizador de qualidade do ar. Depois de analisar e comparar os níveis médios de partículas finas em 375 cidades durante os anos de 2022 e 2023, a agência atribuiu a Faro o terceiro lugar do pódio. À frente da capital algarvia ficaram apenas duas cidades suecas, Uppsala e Umeå, ambas com resultados muito próximos da portuguesa.
Depois de Faro, surgem mais quatro cidades do norte da Europa – Reiquiavique (Islândia), Oulu, (Finlândia), Tampere (Finlândia) e Norrköping (Suécia) – e logo a seguir aparece o Funchal, na 8.ª posição. O top 10 fecha com as estonianas Talim e Narva.
Os dados revelados esta quinta-feira pela AEA mostram que apenas 13 cidades europeias apresentaram concentrações médias de partículas finas abaixo do nível considerado adequado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ou seja, 5 microgramas por metro cúbico de ar. Além das 10 primeiras, também Estocolmo (Suécia), Helsínquia (Finlândia) e Bergen (Noruega) integram essa lista, mostrando que Faro e Funchal são os únicos centros urbanos fora do norte da Europa que cumprem os limites estabelecidos pela OMS.
Ainda assim, a cidade algarvia desce uma posição relativamente às avaliações homólogas realizadas em 2020 e 2021, altura em que foi considerada a segunda cidade europeia com o ar mais limpo, enquanto o Funchal tinha ocupado o 3.º lugar. Do relatório mais recente constam ainda a Grande Lisboa, que ocupa a 38.ª posição do ranking, e Sintra, que é a 104.ª, ambas classificadas com qualidade atmosférica “aceitável”.

Pelos piores motivos, o destaque vai para a croata Slavonski Brod, a cidade com menos qualidade do ar entre as consideradas, antecedida por Nowy Sacz, na Polónia, e por cinco municípios italianos: Cremona, Vicenza, Padova, Veneza e Piacenza.
De acordo com a Agência Europeia do Ambiente, três em cada quatro europeus vivem em zonas urbanas e estão, na sua maioria, expostos a níveis perigosos de poluição atmosférica. “As políticas de redução da poluição atmosférica conduziram a uma melhoria da qualidade do ar na Europa nas últimas três décadas. No entanto, em algumas cidades europeias, a poluição atmosférica continua a representar um risco para a saúde”, acrescenta a organização numa nota sobre a recente atualização de dados.
Recorde-se que a União Europeia fixou como meta a redução das mortes prematuras causadas por partículas finas em, pelo menos, 55 % até 2030, em comparação com os níveis de 2005. Definiu ainda como objetivo a longo prazo a inexistência de impactos significativos na saúde até 2050.
Fotografia de destaque: © CM Faro