Um em cada 10 casos de asma poderia ser evitado com melhorias no ambiente urbano, revela um estudo que envolveu 350 mil pessoas de sete países da Europa. O trabalho, realizado pelo Instituto Karolinska, na Suécia, concluiu que a combinação de fatores como a poluição atmosférica nas cidades, os espaços urbanos densos e a falta de áreas verdes aumentam o risco de asma na população, tanto em crianças como em adultos.

“Sabemos que a asma tem causas multifatoriais, incluindo genética e estilo de vida, mas o nosso estudo mostra que uma parcela significativa dos casos está ligada a fatores ambientais modificáveis”, explicou Zhebin Yu, um dos autores do documento, publicado na revista The Lancet Regional Health – Europe.

 

“Estudos anteriores calcularam o risco de um fator ambiental de cada vez, mas nós combinámos vários fatores ambientais e descrevemos a forma como estes, em conjunto, afetam o risco de desenvolver asma. Isto proporciona uma melhor explicação dos riscos ambientais, uma vez que a vida na cidade costuma envolver a exposição a vários fatores de risco ambiental ao mesmo tempo”, acrescentou o investigador e professor universitário.

 

De facto, durante o período do estudo, quase 7.500 participantes desenvolveram asma e, de um modo geral, observou-se que os maiores riscos estão associados a uma elevada exposição a partículas e dióxido de azoto, bem como aos “agrupamentos caracterizados por uma elevada área construída e baixos níveis de vegetação”.

Utilizando uma pontuação de risco ambiental que combina os três domínios, a exposição conjunta destes fatores foi consistentemente associada a riscos mais elevados de asma, levando os investigadores a admitir que 11,6% dos casos identificados poderiam ser explicados por uma combinação multifatorial.

Para minimizar os impactos das doenças respiratórias – só a asma afeta cerca de 340 milhões de pessoas em todo o mundo -, os cientistas apresentaram um conjunto de recomendações às cidades e ao poder local. Entre elas estão a redução do tráfego de veículos poluentes em áreas densamente povoadas, a expansão de áreas verdes e corredores de ar puro e uma maior fiscalização dos limites de emissões poluentes.

O mesmo significa dizer que um planeamento urbano que tenha em conta os riscos identificados pelo estudo poderá evitar e atenuar o desenvolvimento de problemas do foro respiratório. “Se as cidades priorizarem um ambiente mais saudável, podemos prevenir milhares de casos de asma e outras doenças respiratórias”, concluiu o coautor do estudo Erik Melén.

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