A organização internacional Carbon Disclosure Project (CDP) lançou, no dia 18 de Novembro, uma lista de 95 cidades que se destacam pelo desempenho e pela transparência relativamente à acção climática. Em 2021, a cidade do Porto e o município de Braga voltam a aparecer neste ranking.

A lista elaborada pela CDP para o ano de 2021 contempla 95 cidades na classificação A, a melhor classificação atribuída. Trata-se de uma lista que tem como objectivo divulgar e sinalizar cidades que, por um lado, são transparentes ao reportarem dados e estratégias relativos ao clima ao sistema da CDP e, por outro, estão a liderar o caminho nas acções urbanas sustentáveis para a mitigação das alterações climáticas e a adaptação às mesmas.

Nesta quarta edição do ranking, Porto e Braga são os únicos municípios portugueses presentes. Estes dois territórios nortenhos já constavam da lista de 2020, na qual também aparecia o município de Águeda.

Num ano em que a lista engrossou, passando de 88 cidades na lista A para 95, das quais 46 cidades são novas adições ao ranking, também os critérios se tornaram mais exigentes para reflectir o nível de ambição necessária para a neutralidade carbónica e para a meta de um aumento de temperatura global máximo de 1,5 ºC.

Na prática, conseguir uma classificação neste patamar superior implica o cumprimento de alguns requisitos, como possuir e divulgar um inventário de emissões compreensivo da cidade, um alvo ambicioso para a redução de emissões e para o uso de energia renovável, um Plano de Acção Climática, uma avaliação de risco climático e de vulnerabilidade e um plano de adaptação climática no qual estejam previstas estratégias a implementar.

Segundo a entidade sem fins lucrativos que estabelece alvos baseados na ciência, as cidades na lista A reportam quase o dobro de medidas de mitigação e adaptação, em comparação com as que não chegam ao topo da classificação. Além disso, identificam mais do dobro das oportunidades na transição para a neutralidade, por exemplo, em sectores de tecnologia limpa e mobilidade sustentável. Neste sentido, a CDP salienta ainda que 81% das cidades na lista A apresentam uma colaboração com o mundo empresarial, o que “é vital” para dinamizar investimentos e potenciar recursos e inovação.

Apesar de a lista ter crescido em 2021, é de destacar que também o número de participações foi superior ao do ano passado – 591 em 2020 e 965 em 2021 –, pelo que, em termos percentuais, o número de cidades a obter classificação A em relação ao número de candidaturas diminuiu (14,9% vs. 9,8%). De acordo com a CDP, a maior participação deve-se a vários factores, “desde mais cidades a reportarem depois da pandemia de Covid-19, até quase 200 novas cidades japonesas a participarem, graças a uma colaboração estratégica da CDP com o Ministério do Ambiente do Japão”.

Dos 95 territórios presentes na lista A de 2021, o país de origem mais recorrente é os Estados Unidos (EUA), que conseguiram ver representadas 41 cidades. A nível de continentes, todos conseguiram classificar cidades para a lista. A Europa, a seguir à América do Norte, foi a que encontrou maior representação, com 37 cidades, seguida da Ásia (8), da América Latina (4), da Oceânia (4) e da África (1).

Para a CDP, há uma preocupante falta de expressão de territórios nesta lista com origem na Índia, Rússia e China, que são, em conjunto com os EUA, os maiores emissores de gases de efeito de estufa. Além desta questão, a CDP alertou que os 95 territórios na lista A apenas englobam 2,6% da população mundial (108 milhões de pessoas), o que “destaca a necessidade urgente de mais cidades aumentarem a ambição climática”, sobretudo, no contexto pós-COP26.