Lisboa volta a marcar presença no Portugal Smart Cities Summit, que se realiza de amanhã até quinta-feira, na FIL. Durante o evento, a autarquia vai dar a conhecer os principais projetos da cidade nesta área, com destaque para a Estratégia Lisboa Inteligente 2030, que tem estado a elaborar.
Em entrevista à Smart Cities, Joana Almeida, vereadora com os pelouros dos Sistemas de Informação e Cidade Inteligente, revela que o documento deverá estar concluído no próximo ano e dá conta das várias soluções de inteligência urbana que o município vai apresentar durante o certame.
Amanhã vai estar presente na conferência “Autarquias, Empresas e Cidadãos” do Portugal Smart Cities Summit (PSCS) onde, certamente, irá abordar a Estratégia Lisboa Inteligente 2030. Em que consiste e quais os objetivos deste trabalho?
A Câmara Municipal de Lisboa (CML) está a construir a sua estratégia de cidade inteligente, com o envolvimento dos serviços e empresas municipais, academia e outros peritos nesta matéria. Esta estratégia vai alinhar todas as iniciativas de cidade inteligente de forma a responder às necessidades da população. Queremos construir uma solução agregadora, orientada para um futuro mais sustentável, inclusivo, inovador e eficiente.

A construção desta Estratégia segue uma abordagem de dentro para fora. Para este efeito está estruturada em três eixos: PESSOAS, em que o foco está na capacitação dos recursos humanos da CML; ORGANIZAÇÃO, que se foca na melhoria do funcionamento dos serviços municipais; CIDADE, em que o foco é prestar um bom serviço público que garanta uma melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Para além dos três eixos (pessoas, organização e cidade), a Estratégia Lisboa Inteligente estrutura-se em seis domínios de smart city: economia, ambiente, infraestruturas, governança, sociedade e mobilidade, os quais se traduzem em ações concretas a desenvolver até 2030.
A Lisboa Inteligente que estamos a construir é a cidade que valoriza as pessoas, contribui para a melhoria da sua qualidade de vida, com recurso a tecnologias inovadoras, assegurando as necessidades das gerações presentes e futuras, face aos desafios económicos, sociais e ambientais.
Durante a elaboração da Estratégia, realizaram vários grupos de discussão e workshops. Que ideias, discussões e consensos têm surgido destes encontros?
Este trabalho de cocriação na elaboração da Estratégia, realizado em colaboração com a Nova-IMS, consistiu em quatro frentes de trabalho: questionários dirigidos aos serviços municipais, entrevistas a especialistas, grupos de discussão e sessões de cocriação. Desta fase resultaram 101 iniciativas smart city a implementar.
Em paralelo, realizámos também um levantamento de todas as iniciativas smart city já em curso ou planeadas pelos serviços e empresas municipais, bem como o benchmarking do trabalho que algumas cidades europeias têm vindo a desenvolver neste âmbito.
Da auscultação aos serviços e empresas municipais é incontornável a necessidade de soluções digitais, inteligentes, que permitam a obtenção de dados de qualidade e, sempre que possível, em tempo real. Foi também consensual a necessidade de maior centralização e integração de toda a informação que o município produz, sendo necessário reforçar a sua governação e potenciar a utilização da nossa Plataforma de Gestão Inteligente.
Das entrevistas com os peritos, destacam-se os temas da transformação digital, da inteligência artificial e da necessidade de sensorização em domínios como a mobilidade, ambiente e energias renováveis, iluminação pública eficiente, reutilização da água, gestão de resíduos e reciclagem. No topo das opiniões dos peritos, surge novamente o conceito de Governança dos Dados, como estratégico para a Lisboa Inteligente.
Temos agora um amplo conhecimento do nosso ponto de partida e das nossas aspirações para 2030. Queremos assim consolidar a posição de Lisboa como cidade inteligente.
Quais os próximos passos a dar e para quando espera o lançamento da Estratégia?
Temos bem claro os objetivos estratégicos que guiarão o desenho do plano de ação. Com o envolvimento dos serviços municipais, cada um no seu domínio, vamos agora definir criteriosamente as ações e medidas a adotar para responder às necessidades da nossa cidade.
Sendo um documento estratégico para a cidade, e considerando que as medidas terão impacto na qualidade de vida das pessoas, a proposta de estratégia será submetida a participação pública após validação do executivo municipal.
A estratégia será lançada assim que todo o processo esteja concluído, mas estamos convictos que 2025 será o ano da Lisboa Inteligente.
“Estamos convictos que 2025 será o ano da Lisboa Inteligente”
Este ano, o que poderão encontrar os visitantes do Portugal Smart Cities Summit no stand de Lisboa?
A CML tem sido uma presença constante neste evento nacional e este ano estaremos a partilhar com outros municípios, empresas, academia e todos os interessados no tema das smart cities o que de melhor se faz no Município ao nível da inteligência urbana.
Todos os anos apresentamos projetos e iniciativas novas, que mostram o trabalho que se faz e que nem sempre é muito visível. Estamos a preparar um stand aberto a todos os públicos, desde o profissional ao escolar.
Quem visitar o stand de Lisboa poderá ficar a conhecer melhor a Plataforma de Gestão Inteligente de Lisboa (PGIL) e o projeto do Laboratório de Dados Urbanos de Lisboa (LxDataLab), ambos a cargo do Centro de Gestão e Inteligência Urbana de Lisboa (CGIUL). Iremos também disponibilizar informação sobre as tecnologias inteligentes que suportam o trabalho: do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL); da equipa Programa Municipal de Promoção da Resiliência Sísmica (ReSist); do Serviço Municipal de Proteção Civil; do Departamento de Higiene Urbana. Vamos também ter um espaço interativo, com o envolvimento dos visitantes do stand, com demonstrações associadas ao tema das cidades inteligentes. Teremos ainda uma mesa-redonda, com professores universitários, na qual vamos construir uma matriz de indicadores que nos permita apoiar decisões relacionadas com a oferta de uma habitação acessível para todos, a partir de dados disponíveis na PGIL.