Balanço positivo, aposta ganha. É desta forma que a Câmara Municipal de Seia faz uma análise retrospetiva da 29.ª edição do CineEco, o Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, que decorreu na cidade beirã entre 5 e 13 de outubro. Durante estes 9 dias, o evento recebeu mais de 3500 espetadores, além de 21 realizadores, produtores ou representantes de filmes a concurso.

Entrevistado pela Smart Cities, o presidente da autarquia, Luciano Ribeiro, afirmou que “a organização correu muito bem, desde logo ao nível da adesão do público, que esteve dentro das expectativas, muito por força do trabalho de proximidade junto das populações, seja através das escolas ou do programa de apadrinhamento de filmes com pessoas da comunidade”. O responsável da Câmara Municipal, entidade que organiza a iniciativa, lembrou a repercussão cada vez maior do festival em Portugal e no estrangeiro, ou não fosse ele o único do país dedicado exclusivamente à temática ambiental e um dos mais antigos do mundo: “como eu costumo dizer, o CineEco é a marca de Seia mais reconhecida no mundo e uma oportunidade única de promover o território e levar o nome da cidade ainda mais longe, ao mesmo tempo que se reafirma como uma referência cultural incontornável no panorama cinéfilo. Por isso, só temos motivos para dizer que a aposta está ganha”.

Luciano Ribeiro sublinhou também que o evento é um exemplo do compromisso do município com a sustentabilidade e os valores naturais, que faz jus ao lema “filmes que mudam o mundo”, porque “aquilo que se pretende mudar é a sensibilidade das comunidades e chamar a atenção do público para as temáticas ambientais e os desafios dos nossos tempos e do futuro”.

Luciano Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal de Seia (o primeiro à esquerda da imagem) na cerimónia de entrega de prémios.

Para 2024, ano em que o festival organiza a 30.ª edição, o autarca promete “celebrar a ocasião de uma forma muito própria” e “com algumas surpresas”, já que o objetivo é realizar um festival ainda melhor: “A cada vez maior notoriedade do evento, os seus reconhecidos padrões de qualidade e os resultados obtidos constituem, sem dúvida, um estímulo redobrado para continuarmos a promover a cultura e a reflexão sobre os desafios ambientais, pelo que voltaremos em 2024 ainda mais fortes e determinados”, concluiu.

Palmarés 2023: filmes que correm o mundo

O último dia do festival terminou com o filme de encerramento, “Ácido”, de Just Philippot, mas antes decorreu a cerimónia de entrega de prémios, com a longa-metragem internacional “PaathKatha” a receber  o “Grande Prémio Ambiente”. Assinado pela realizadora Nishtha Jain, é um documentário indiano sobre a indústria da juta (uma erva lenhosa e fibra têxtil vegetal), que dá trabalho a milhões de pessoas na cidade de Bengala.

Já o “Prémio Curta e Média Metragem Internacional” foi para a película “68.415”, de Antonella Sabatino e Stefano Blasi, que aborda um mundo sem alimentos e com cada vez mais plástico em que, muitas vezes, os novos métodos de reeducação alimentar só chegam a alguns.

Por sua vez, a longa-metragem em língua portuguesa “A Invenção do Outro”, de Bruno Jorge, venceu o “Prémio Camacho Costa”. Trata-se de documentário sobre o primeiro contacto com uma tribo indígena remota na Amazónia que tem entre os protagonistas o investigador e ativista brasileiro Bruno Pereira, assassinado em 2022.

O “Prémio Curta-Metragem em Língua Portuguesa” foi entregue a “Esta É Uma História Sobre Água” de Kathleen Harris e Samuel Viana, um documentário sobre os impactos da agricultura industrial e de um clima em mudança numa comunidade rural no Sudoeste de Portugal, onde diversas multinacionais cultivam bagas destinadas ao mercado europeu.

“Fire Resistant”, de André Rodrigues recebeu o “Prémio Panorama Regional”, um documentário que mostra o renascer de uma pequena comunidade da região das Beiras após os grandes incêndios de 2017 na região.

Destaque ainda para o vencedor do “Prémio da Juventude Longa-Metragem Internacional”, o filme “Le Règne Animal”, com Romain Duris e Adèle Exarchopoulos, cuja história decorre num futuro próximo, em que um fenómeno misterioso atinge a humanidade e mutações inexplicáveis transformam gradualmente parte da população em híbridos humano-animal.

Depois de exibir mais de 66 películas oriundas de 27 países, e organizar exposições, um cine-concerto, workshops, encontros com realizadores e passeios pela Serra da Estrela, o festival CineEco prossegue agora durante os próximos meses através de uma rede de extensões por todo o país.