O projeto  Dreamers Inc., criado por dois alunos da Universidade de Lund, na Suécia, foi o vencedor do Students Reinventing Cities – Lisboa, uma competição internacional que desafia estudantes e universidades a apresentarem propostas de transformação de bairros em zonas urbanas mais verdes, sustentáveis e inclusivas, alinhadas com o conceito da Cidade dos 15 Minutos.

A capital portuguesa foi um dos 12 municípios internacionais escolhidos para integrar o concurso, promovido pela rede de cidades C40, que reúne cerca de uma centena de autarcas de todo mundo no combate às alterações climáticas. No caso português, a competição ocorre no bairro da Mouraria em Portugal, sendo organizada pelo HUB-IN Lisboa – Colina do Castelo. Uma das suas principais missões é impulsionar a ação climática em áreas históricas. O HUB-IN Lisboa é gerido em parceria pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Lisboa E-Nova, sendo parte de uma rede de centros de inovação europeus que estão a ser estabelecidos no âmbito do projeto H2020 HUB-IN, com coordenação global a cargo da Lisboa E-Nova.

A equipa vencedora do Students Reinventing Cities – Lisboa é constituída por Martyna Idasiak e Ralph Frühwirth, estudantes de mestrado da universidade sueca, que tiveram como consultores externos Andreas Olsson e o atelier Architect SAR/MAS. De acordo com o concurso, a proposta que elaboraram “centra-se em soluções de design inspiradas no património local, adaptadas aos desafios atuais e futuros e que servem de base ao desenvolvimento sustentável”.

Esta assenta numa abordagem com dois princípios orientadores. O primeiro procura estabelecer um “bairro conectado” e consubstancializa-se em diversas ações, como o reaproveitamento de lugares de estacionamento automóvel para a criação de parklets – zonas de descanso junto aos passeios – que permitam o estacionamento de bicicletas e ofereçam algumas ferramentas básicas de reparação. É também proposta a criação de novos percursos pedonais e cicláveis, além de um sistema de transportes que aproveite os tuk tuk existentes na cidade. Ao nível das soluções naturais, sugere-se a instalação de vegetação vertical e nos gradeamentos das escadarias da Mouraria, bem como a otimização da circularidade da água, através de canais próprios.

O segundo pilar da proposta (“bairro local”) incide nas especificidades da Mouraria. Assim, propõe-se a abertura de espaços vazios ou encerrados (nomeadamente terrenos industriais) e o reaproveitamento de edifícios como o Mosteiro da Rosa ou o parque de estacionamento da Rua Damasceno Monteiro, transformando-os em espaços multifuncionais. Estes poderiam ser utilizados, por exemplo, como alojamento para idosos, jardim de infância ou habitação acessível. Outra ideia passa pela criação de uma horta urbana ao longo da Costa do Castelo que forneça produtos de origem local à comunidade.

O júri do concurso foi composto por elementos do projecto HUB-IN Colina do Castelo e representantes do grupo C40, da Câmara Municipal de Lisboa, da Universidade NOVA de Lisboa e da empresa IKEA, que avaliaram 19 projetos candidatos. De acordo com Vera Gregório, coordenadora do HUB-IN, ficaram “muito impressionados com a qualidade da maioria das candidaturas, mesmo muito boas”, mas o projeto Dreamers Inc. acabou por sobressair por várias razões: “antes de mais, a excelente apresentação gráfica, mas também a qualidade e o detalhe do plano de intervenção, que incluiu diversas entidades, orçamentos estimativos e um timeline. Além disso, não se tratou apenas de um trabalho de gabinete, porque também fizeram visitas ao terreno, contactando com a população e, inclusivamente, articularam-se com as estratégias municipais, caso do Plano de Ação Climática”. “É, de facto, um trabalho com um elevado nível de maturidade. Tem uma visão, tem uma abordagem e mostra um elevado profissionalismo, respeitando sempre a ligação entre o património histórico e a sustentabilidade e explicando muito bem a aplicação prática na Cidade dos 15 Minutos, acrescentou em entrevista à Smart Cities.

Os vencedores do Students Reinventing Cities não recebem prémios monetários, mas serão convidados a participar num programa em Lisboa – Immersive Mouraria -, integrado no HUB-IN Colina do Castelo, no Centro de Inovação da Mouraria ou no Fab Lab. Além disso, terão oportunidade de apresentar os seus projetos à comunidade e mesmo a decisores políticos e outros agentes relevantes. “Por exemplo, todas estas ideias inspiradoras poderão ser interessantes para partilhar com a equipa coordenadora do Plano de Pormenor da Colina do Castelo que, aliás, também integrou o júri”, disse Vera Gregório.

À Smart Cities, a coordenadora do HUB-IN avançou, igualmente, que está prevista a realização de um webinar internacional em Lisboa, no mês de Novembro, onde serão apresentados vários projetos deste concurso, com destaque para os melhor classificados. Depois do vencedor (Dreamers Inc.), em segundo lugar ficou o projeto “Futuro Conectado”, apresentado por alunos do Imperial College London (Inglaterra), e em terceiro o “Tram for Transformation”, do Politécnico de Milão. O júri atribuiu ainda duas menções honrosas, uma para a proposta “Baking Power”, de alunos da Universidade Sapienza de Roma, e outra para o projeto “Aim Our Aura”, desenvolvido por estudantes da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

Além da capital portuguesa, nesta edição também participaram na competição as cidades de Amã (Jordânia), Barcelona (Espanha), Chengdu (China), Durban (África do Sul), Freetown (Serra Leoa), Melbourne (Austrália), Milão (Itália), Nova Orleães (Estados Unidos da América), Roma (Itália), São Paulo (Brasil) e Zhenjiang (China).

Imagens: © Dreamers Inc.