Um grupo de cientistas identificou que mais de 90% das áreas habitadas por baleias estão em rotas marítimas utilizadas por grandes navios, revela um estudo da revista Science. Apenas 7% das áreas críticas apresentam medidas de mitigação para este problema.

O estudo foi realizado com base no cruzamento de informação relativa à localização das baleias e a posição geográfica, velocidade e rota de mais de 170 mil embarcações de grande dimensão. Os dados, recolhidos pelo Sistema de Identificação Automática (AIS) e processados pela Global Fishing Watch, indicam que quatro espécies (azul, comum, jubarte e cachalote) estão “significativamente ameaçadas” por colisões com navios. 

O estudo estabelece relação entre a velocidade das embarcações e o risco para os mamíferos, ao concluir que velocidades mais altas aumentam a letalidade das colisões.

O estudo, que mapeou as áreas do oceano onde existe maior risco de colisão entre baleias e navios, concluiu ainda que muitas das áreas de alto risco não possuem medidas de gestão eficazes, como a redução de velocidade ou o desvio de rotas. Apenas 7% das áreas de risco elevado têm medidas de proteção em vigor, revela o documento. 

Assim, o estudo sugere que, para reduzir significativamente as colisões fatais entre baleias e navios, bastaria estabelecer novas zonas de velocidade limitada em 2,6% da superfície do oceano. No ponto de vista dos autores, esses esforços são fundamentais para proteger os animais, à medida que a circulação marítima se intensifica. 

A maior parte dos pontos críticos identificados situa-se ao longo da costa de vários continentes, dentro da zona económica exclusiva de diferentes países.  

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