Mesmo continuando a fazer parte do grupo com melhor classificação, Portugal desceu duas posições no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas (CCPI na sigla original), um ranking que compara as políticas climáticas de 63 países e da União Europeia, responsáveis por 90% das emissões mundiais.
Embora ocupe agora o 15.º lugar, na prática o país está na 12.ª posição, uma vez que os três primeiros postos voltaram a não ser atribuídos. Isto porque, dizem os autores do relatório, nenhuma nação está completamente alinhada com o objetivo do Acordo de Paris de manter o aquecimento global abaixo do limite de 1,5° C. Apresentado esta quarta-feira durante a COP29, a decorrer em Baku, no Azerbaijão, este ranking é elaborado anualmente por um conjunto de organizações não governamentais – Germanwatch, NewClimate Institute e CAN International -, e conta com a participação da Zero.
A associação ambientalista portuguesa justifica esta descida no ranking com os incêndios e os maus resultados do setor dos transportes, dois fatores que deverão contribuir para um possível aumento das emissões durante o ano de 2024. Ainda assim, sublinha que “Portugal é um país com bom desempenho”, resultado da classificação “alta” que recebeu no campo das emissões de gases com efeito de estufa e da “média” no que diz respeito à utilização de energia, às energias renováveis e à política climática.
“É de ressalvar que a revisão do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC) apresenta pontos positivos, como o objetivo global de redução das emissões para 2030 ter sido revisto para 55% em relação a 2005, em conformidade com a Lei de Bases do Clima, e a meta de longo prazo, de neutralidade climática antecipada para 2045, já está refletida, mas fica ainda a faltar a consideração de uma meta para 2040”, afirma a associação em comunicado.
O documento, aponta o dedo a vários pontos a melhorar no país, deixando uma recomendação principal. “Devem ser tomadas ações que contribuam para a melhoria da governação climática ao nível nacional, como seja a implementação de políticas públicas mais corajosas e consequentes na descarbonização nos transportes e na agricultura, e a implementação plena da Lei de Bases do Clima, cujo incumprimento é grosseiro”, defende a Zero.
Da Dinamarca à Arábia Saudita: um mundo de contrastes
Tal como aconteceu no ano passado, a Dinamarca lidera o ranking, que começa no quarto lugar, por deixar vazias as três primeiras posições. Seguem-se os Países Baixos, o Reino Unido, as Filipinas, Marrocos e a Noruega. No grupo dos países a verde, os melhor classificados, estão também a Índia, a Suécia, o Chile, o Luxemburgo e a Estónia, além de Portugal que encerra a lista dos melhores classificados.
Por sua vez, a União Europeia (UE) cai este ano para o 17.º posto, descendo uma posição, embora ainda se mantenha com classificação “média”. A boa notícia é que, pela primeira vez, nenhum Estado-Membro recebe a pontuação “muito baixa”. A UE faz parte da lista a amarelo, encabeçada pela Alemanha (16.º lugar) e fechada por Malta (34.º lugar). Segue-se a secção laranja, que inclui países como a Bélgica (35.º lugar) ou a Austrália (52.º)
Já na lista vermelha, destinada ao pior desempenho ambiental, estão 15 países, incluindo a China, o maior emissor mundial, na 55.ª posição, e os Estados Unidos, que mantêm o 57.º lugar. A Coreia do Sul (63.º lugar), a Rússia (64.º) e a Arábia Saudita (66.º) ocupam os três últimos lugares.

Portugal fecha a lista dos países a verde. Mancha vermelha ocupa parte considerável do mundo. Fonte: CCPI
“De um modo geral, todos os países apresentam metas insuficientes para 2030, pelo que devem aumentar a sua ambição e estabelecer objetivos alinhados com o Acordo de Paris para 2035. Apenas 19 países têm um objetivo adequado, enquanto 45 ficam aquém”, destaca a Zero. “Apesar de o CCPI destacar que o ritmo de expansão das energias renováveis não é suficiente, mostra um vislumbre de esperança na luta contra as alterações climáticas, e alerta para a fundamental eliminação rápida e completa dos combustíveis fósseis, incluindo o fim da sua subsidiação e proibição de novas licenças de extração”, conclui a associação ambientalista.
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