Chama-se DREAM e é nome do novo desafio de Guimarães. A cidade berço portuguesa lidera um consórcio de Capitais Europeias da Cultura num projecto que procura soluções tecnológicas acessíveis a todos os cidadãos para responder aos desafios urbanos do futuro. Com um orçamento estimado de 18 milhões de euros, o consórcio acaba de formalizar a candidatura ao financiamento do programa comunitário Horizonte 2020, no âmbito das Smart Cities & Communities.

A acompanhar Guimarães, estão Weimar (Alemanha), Salamanca (Espanha), Vilnius (Lituânia), Timisoara (Roménia), Dundee (Escócia), Thessaloniki (Grécia) e Kharkiv (Ucrânia)*. Em comum está o facto de estas cidades já deterem ou terem como ambição o título de Capitais Europeias da Cultura. Tendo como base a cooperação triangular entre comunidade, empresas e universidades, nos próximos cinco anos, o DREAM vai ajudar as cidades participantes a demonstrar, à escala real, soluções inovadoras de tecnologias de informação, optimização de infra-estruturas, mobilidade, eficiência energética, entre outras. Segundo a autarquia vimaranense, pretende-se criar um ambiente de inovação tecnológica, capaz de desenvolver, integrar e implementar soluções para ajudar as cidades a abordar “os desafios globais com que as comunidades se deparam numa óptica de inovação para o futuro e para os seus cidadãos”.

Os projectos a testar vão ser seleccionados mediante determinados critérios, sendo que a questão mais importante será mesmo o impacto na qualidade de vida dos cidadãos e na melhoria da eficiência do uso de recursos. Em cada uma das participantes, o projecto será “vivido” tendo em consideração a identidade da cidade, assim como a sua estrutura social e eventual necessidade de ser adaptado e transformado, de acordo com a cultura e comunidade locais. Por outras palavras, os projectos a desenvolver terão em conta as estratégias de cada cidade e os pontos de partida nas variadas áreas. A experiência destas cidades enquanto Capitais Europeias da Cultura é também um dos trunfos deste projecto, na medida em que lhes concede um maior know-how na capacidade alargada de chegar a várias faixas da população.

No caso concreto de Guimarães, uma das intenções do executivo camarário é a de tornar a cidade num hub para os nómadas digitais. As redes e as novas tecnologias de informação e comunicação serão pontos chave da estratégia da cidade, já que esta pretende afirmar a sua atractividade enquanto sítio para viver para este público. Os trabalhos nesse sentido estão já a decorrer com uma rede de stakeholders, que inclui entidades como a PT Meo, a Siemens, a Schneider Electric, a Universidade do Minho, a Altice, o InescTec, a Efacec, a Universidade das Nações Unidas e a IrRADIARE.

Enquanto líder do consórcio, o município terá a seu cargo “a coordenação de todas as acções previstas e garantir o cumprimento dos resultados propostos pelas cidades suas parceiras assim como do próprio município”, revela à Smart Cities Ricardo Costa, vereador de Finanças, Contratação Pública, Financiamentos, Património e Sistemas de Informação da câmara municipal de Guimarães.

“O DREAM é muito mais do que uma iniciativa, é uma nova forma de pensar e de agir enquanto sociedade de futuro. O projecto pretende afirmar Guimarães como cidade líder na projecção para a preparação do futuro com base na resiliência milenar da sua comunidade. Os impactos serão sentidos nos diferentes sectores, em particular no que respeita à optimização dos recursos e dos benefícios para a população”, reconhece.

*Notícia actualizada a 22/02/2017 às 14h23, adicionando Kharkiv à lista de cidades participantes.