As emissões de gases com efeito de estufa (GEE) em Portugal diminuíram 6,3% no ano passado, revela o relatório Estado do Ambiente 2023, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O documento faz um retrato detalhado do setor naquele ano com base em informação estatística de sete área principais: populações e atividades humanas; ar e clima; água; solo; biodiversidade e paisagem; resíduos, energia e transportes; economia e finanças do ambiente.
De acordo com o relatório, divulgado na passada sexta-feira, o decréscimo nas emissões de GEE face a 2022 teve o forte contributo do setor energético, cujas emissões baixaram 9,1%, bem como do setor industrial, com uma redução de 3,3%. Uma melhoria “em linha com o aumento de 24,3% da produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis (75,8% do total) e com o decréscimo da produção industrial (índice de produção industrial diminuiu 3,1% face a 2022)”, refere o INE.
Embora o consumo de energia tenha aumentado 1,7% no ano passado, atingindo o valor máximo no período 2014-2023, a dependência energética nacional diminuiu de 71,2% em 2022 para 66,7% em 2023. Já a energia elétrica produzida no país a partir de fontes renováveis representou 75,8% do total nacional, mais 14,5% que em 2022. Entre as energias importadas, o petróleo continua a ser a mais significativa, representando 42% do consumo nacional.
Lembrando que 2023 foi o segundo ano mais quente dos últimos 93 anos e o quarto ano mais seco dos últimos dez, o relatório sublinha também que o número de incêndios rurais nesse período foi o segundo menor da última década em Portugal continental (7.523), correspondendo também à segunda menor área ardida (34,5 mil hectares).
O INE associa ainda o crescimento da população nacional com o consumo interno, ainda que o Índice de Produção Industrial tenha decrescido 3,1%. “Com o maior aumento populacional desde o início do século XXI (mais 123.105 habitantes), num contexto de crescimento económico (o consumo privado aumentou 1,9%), verificou-se um aumento de 1,7% do consumo interno de materiais extraídos do ambiente”, pode ler-se numa nota do instituto.
Apesar do aumento de resíduos urbanos e setoriais, respetivamente 0,3% e 4,7%, verificou-se “um aumento superior” na recolha seletiva de resíduos urbanos (1,4%) e na valorização dos resíduos setoriais (5,4%). Ainda assim, “o indicador da preparação de resíduos para a reutilização e reciclagem decresceu, situando-se em 32% (33% em 2022), distando 23 pontos percentuais da meta de 55% apontada para 2025”.
Segundo o Estado do Ambiente 2023, a despesa nacional no setor do ambiente foi de 3,8 mil milhões de euros, o que equivale a 1,62% do produto interno bruto (PIB). Ao mesmo tempo, os investimentos das empresas da indústria em termos ambientais subiram 4,5%, sendo que a maior fatia de investimento (33,8%) pertenceu aos setores da Proteção da Qualidade do Ar e Clima.
Por sua vez, o valor dos impostos com relevância ambiental (5,4 mil milhões de euros) subiu 15,7%, “refletindo o aumento de 16,0% da receita do imposto sobre os produtos petrolíferos, o qual manteve a importância relativa no total dos impostos com relevância ambiental (60,2%)”.
O relatório faz ainda uma análise estatística ao setor da água, lembrando que a maioria das águas balneares foram classificadas de “Excelente”, representando 67,7% das águas interiores e 91,9% das águas costeiras ou de transição.
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