Cascais está em vias de se tornar um município mais verde com a ajuda dos cidadãos – a vila está a aumentar as hortas comunitárias para a agricultura biológica sem custos, geridas pelos cidadãos e monitorizadas pela autarquia. Este sistema inovador permite reanimar bairros degradados e aumentar a coesão social entre as comunidades marginalizadas.
Cascais faz parte do projecto proGIreg, financiado pela União Europeia (UE) e que utiliza soluções baseadas na natureza para revitalizar bairros pós-industriais em cidades europeias e chinesas. Através do projecto proGIreg, o município foi capaz de aprender sobre diferentes tipos de soluções baseadas na natureza, tais como telhados verdes, muros e corredores, aquaponia e o sentido de comunidade baseado nas quintas urbanas, que ajudam a trazer nova vida a áreas degradadas.
Em Março de 2022, todas as cidades envolvidas no projecto foram convidadas a visitar Cascais com a finalidade de discutirem as suas abordagens para ajudar a divulgar conhecimentos sobre soluções bem-sucedidas baseadas na natureza. Representantes de Turim, Dortmund, Zagreb, Zenica, Cluj-Napoca e Pireu foram recebidos por Joana Presas Pinto Balsemão, vereadora do município de Cascais para Políticas de Ambiente, Descarbonização e Cidadania e Participação. A governante realçou que uma grande parte do território de Cascais é um parque natural – juntamente com a sua imaculada costa – e, por isso, a preservação do ambiente é crucial para a autarquia. Joana Pinto Balsemão recordou aos participantes na visita a importância de envolver os cidadãos nos processos de ecologia urbana, nos quais Cascais se tem destacado.

Costa de Cascais. ©proGIreg
Aproximar os cidadãos da agricultura urbana
Para envolver os cidadãos, o município cria hortas comunitárias, que são áreas de 30 m² e com aproximadamente 40 parcelas cada uma. Os cidadãos em Cascais estão entusiasmados – há mais de mil futuros agricultores urbanos, numa fila de espera para as hortas comunitárias.
Os cidadãos recebem as hortas comunitárias gratuitamente, mas, em troca, assumem os custos de manutenção e dos equipamentos para as hortas comunitárias, o que fomenta a colaboração entre os jardineiros/agricultores. Todos os jardineiros/agricultores escolhidos recebem formação em horticultura biológica para apoiar o seu trabalho. Os jardins são atribuídos com base em lista de espera e na localização para assegurar um acesso fácil, com especial consideração às comunidades marginalizadas.
Cascais tem um sistema digital inovador para monitorizar as suas hortas comunitárias: os funcionários municipais podem tirar uma fotografia de uma horta comunitária com um telemóvel e software reconhece a localização, fornecendo os detalhes e o número de telefone do agricultor designado responsável pela parcela. Esta abordagem ajuda a assegurar que os jardins sejam mantidos em boas condições regularmente.
Os jardins foram também concebidos para criar benefícios adicionais, nomeadamente através de um design paisagístico inovador para lidar com as inundações, de integração de plantas variadas para apoiar a biodiversidade polinizadora e a segurança alimentar. Além disso, o município envolveu as escolas locais, de modo a encorajar as próximas gerações de amantes da jardinagem/agricultura urbana. No contexto do projecto proGIreg, Cascais transformou uma área na periferia da cidade que costumava ser caracterizada como ilegal em hortas comunitárias estruturadas e atribuídas às pessoas que viviam na vizinhança. Estas pessoas também receberam formação e orientação sobre como gerir as hortas comunitárias.

Vinhas de Carcavelos. ©proGIreg
Cascais também apoia a agricultura urbana nas vinhas sustentáveis na freguesia de Carcavelos, na Prisão Feminina de Tires e no Parque Agrícola Quinta do Pisão. Em Carcavelos, a prática de produzir vinho com uma variedade de castas tradicionais e únicas estava a diminuir até que o município começou a apoiar as actividades e a envolver os locais. A Quinta do Pisão, gerida pela Cascais Ambiente, acolhe uma grande horta e um pomar onde os jardineiros/agricultores podem colher os seus próprios produtos. A horta implementa práticas sustentáveis, tais como o cultivo entre culturas e a utilização de animais de pastagem para o controlo da lavoura e de ervas daninhas.
As reclusas da Prisão Feminina de Tires recebem remuneração e formação em agricultura biológica para gerirem as suas hortas urbanas. O município vende produtos a restaurantes locais oriundos da Prisão de Tires e dos jardins da Quinta do Pisão, onde são criadas refeições deliciosas a partir desses produtos, ajudando a sensibilizar para a importância dos produtos biológicos, sazonais e locais.
O sucesso da Cascais Ambiente consiste na sua abordagem aberta e colaborativa. O município envolveu internamente outros departamentos municipais e cidadãos para assegurar que as transições de sustentabilidade sejam equitativas e desejáveis. Cascais é também membro do ICLEI Europe, uma rede global de cidades dedicadas ao desenvolvimento sustentável, através da qual Cascais se envolve com outros projectos no trabalho ambiental.
Saiba mais sobre o excelente trabalho desenvolvido pelo município português com o proGIreg aqui e na página web Cascais Ambiente.
A publicação deste artigo faz parte de uma parceria entre a Smart Cities e o ICLEI – Local Governments for Sustainability, e foi originalmente publicado na edição de Julho/Agosto/Setembro de 2022 da Smart Cities.
