Mesmo sendo um processo de aprendizagem ao longo da vida, a educação para a sustentabilidade encontra nas crianças e nos jovens um terreno fértil para a mudança de comportamentos, rumo a uma cidadania mais ativa. Em Lisboa, o bê-á-bá da literacia ambiental e energética tornou-se uma ferramenta privilegiada para envolver os mais novos.
Como despertar o interesse das crianças e dos jovens para a sustentabilidade, de modo a que sejam os primeiros a dar o exemplo? Na capital portuguesa, há muito que a resposta passa pela educação para sustentabilidade, e o grande desafio foi sempre torná-la aliciante, inclusiva e consequente. Perante este objetivo, desde 2010 que a Lisboa E-Nova – Agência de Energia e Ambiente de Lisboa tem realizado várias iniciativas e projetos destinados ao público mais jovem, sensibilizando-o para temáticas como o ambiente e a sustentabilidade, a energia, a natureza, a mobilidade, a água, os resíduos ou as alterações climáticas.
Promover e aumentar a literacia ambiental e energética passou a ser um caminho privilegiado para criar uma cidade mais sustentável, envolvendo todos os cidadãos, sem esquecer os mais novos. Conhecer, compreender e agir são, por isso, passos essenciais que se ajustam a todas as idades e, ao mesmo tempo revelam-se cada vez mais urgentes, tendo em conta metas como o Acordo de Paris para as Alterações Climáticas ou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. E Lisboa ainda assumiu um desafio extra, ao comprometer-se em ser uma das primeiras 100 cidades a atingir a neutralidade climática até 2030.

Para Diana Henriques, responsável pela área da Educação para a Sustentabilidade na Lisboa E-Nova, “a literacia ambiental e energética é fundamental para fazer face a estes desafios que as cidades e o Planeta enfrentam, ao capacitar os indivíduos e as comunidades a tomar decisões mais conscientes e informadas para serem eles próprios agentes de mudança. Num mundo que apresenta desafios cada vez mais complexos, é necessário despertar nos cidadãos a criatividade, o espírito crítico e o trabalho em rede para procurar dar resposta a essas questões”. A educação para a sustentabilidade torna-se assim numa ferramenta preciosa pois ajuda a compreender a interligação entre as diferentes problemáticas e a encará-las através desde uma abordagem sistémica. Sempre de uma forma transversal e integrada na sociedade, incluindo entre diferentes faixas etárias porque, “independentemente da idade, estamos constantemente a aprender”.
E que papel poderão assumir as crianças e os jovens? No caso das primeiras, “é importante que estas questões sejam incutidas na tenra idade para que haja, efetivamente, uma mudança de mentalidade – e não apenas de comportamentos – para criarmos uma verdadeira cidadania ativa”, defende a especialista. “É claro que as crianças também acabam por ensinar e até educar os adultos, pais, avós e outros, como verificámos ao longo de vários projetos ambientais em que estivemos envolvidos”, acrescenta.
Também os jovens têm chamado a si mais protagonismo, tornando-se ativistas mediáticos e lutando pela agenda e justiça climática. “Este papel mais ativo tem sido positivo e não é por acaso que as Nações Unidas os consideram um grupo prioritário para envolver neste setor da sustentabilidade. Eles têm curiosidade, garra e comunidades que chegam a todo o lado. E isso faz-nos falta”, defende Diana Henriques.
A brincar, a brincar…

Programa Rock the House Kids chegou a várias escolas de Lisboa para promover a literacia ambiental e energética. Fotografia © GEBALIS
Fazer da sustentabilidade um tema divertido e, ao mesmo tempo, inclusivo, é a missão do “Rock The House Kids”, um programa da Gebalis, empresa de habitação municipal de Lisboa, dinamizado nos últimos anos pela Lisboa E-Nova. Destinado a alunos do 3º e 4º anos do 1.º Ciclo do Ensino Básico, tem passado por várias escolas da cidade, muitas delas situadas junto aos bairros municipais, abordando temas como a eficiência energética, o uso da água ou a mobilidade sustentável. Através de desafios, jogos e outras dinâmicas, as crianças falam com os técnicos sobre a utilização eficiente dos eletrodomésticos ou os meios de transporte com menos pegada carbónica, além de descobrirem os “consumos-fantasma” na sala de aula (como os aparelhos em stand-by) ou participarem em corridas de carrinhos solares.
Divididos por equipas, os alunos vão representando as diferentes etapas do seu dia a dia, seguindo os passos do “Guia Ilustrado 25 Eco Gestos da Energia”, lançado por ocasião da Lisboa Capital Verde 2020. “Percorrendo uma história na qual eram intervenientes ativos, os alunos puderam envolver-se verdadeiramente e pôr as mãos na massa e, curiosamente, até os professores disseram que aprenderam algo novo”, recorda Diana Henriques. Além desta publicação, a Lisboa E-Nova reeditou também o guia “O Ambiente nas nossas mãos: 20 ideias, muitos gestos!”, que incentiva os mais jovens a descobrir a cidade e a conhecer a sua biodiversidade, enquanto desenvolvem o interesse pelas temáticas ambientais e energéticas.
Bastante sucesso entre miúdos e graúdos têm tido também duas curtas-metragens de animação promovidas pela Agência de Energia e Ambiente de Lisboa. A primeira chama-se “Aquametragem” e procura incentivar o uso eficiente da água e alertar para a escassez deste bem, aproveitando a ajuda de uma simpática personagem azul, o “Hidro”. Foi vencedora de vários prémios internacionais, da Bulgária à China, mas o destaque vai para uma distinção no Festival de Cinema sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, em 2018. Além disso, deu também origem a atividades no contexto do programa “Descola”, da Câmara Municipal de Lisboa, e ainda hoje é utilizada como recurso educativo em inúmeras ocasiões. A outra curta-metragem tem por título “Gira Solis” e mostra como o bebé “Solis” descobriu o Sol como fonte de vida, fazendo com que a sua família passasse a aproveitar todo o potencial solar de Lisboa.
Estes materiais já se tornaram presença assídua nas escolas portuguesas, mas o objetivo da Lisboa E-Nova sempre foi difundi-los o mais possível e, como diz Diana Henriques, “há escolas, entidades e indivíduos de muitos outros países a utilizá-los, sobretudo o vídeo com versão em inglês”. Assim, os guias podem ser descarregados gratuitamente e os vídeos também estão à disposição de todos, tanto na página eletrónica lisboaenova.org, como no YouTube. De Lisboa, para o resto do país e do mundo, a educação para a sustentabilidade não tem fronteiras nem idade.
ESTE ARTIGO CONTA COM O APOIO DA LISBOA E-NOVA, AGÊNCIA DE ENERGIA E AMBIENTE DE LISBOA E FOI ORIGINALMENTE PUBLICADO NA EDIÇÃO DE JULHO/AGOSTO/SETEMBRO DE 202R DA SMART CITIES.