Lisboa prepara-se para ser uma das protagonistas da 11.ª edição do Portugal Smart Cities Summit (PSCS), ao ter sido escolhida com a cidade convidada do evento. A capital portuguesa vai dar a conhecer os projetos desenvolvidos neste setor, apostada em mostrar que o município “está a aplicar tecnologia de forma inteligente e ética, promovendo uma cidade mais verde, mais conectada e mais inclusiva”.

Quem o diz é Joana Almeida, vereadora da Câmara Municipal de Lisboa com o pelouro dos Sistemas de Informação e Cidade Inteligente, em entrevista escrita à Smart Cities. A responsável revela ainda o programa e expetativas da autarquia para este PSCS e traça o posicionamento de Lisboa face às outras cidades europeias e mundiais.

Este ano, Lisboa é a cidade convidada do Portugal Smart Cities Summit. Quais as principais novidades e destaques do programa preparado pelo município?

Lisboa acolheu com orgulho e um profundo sentido de responsabilidade o convite para ser a Cidade Convidada do Portugal Smart Cities Summit 2025. Esta distinção representa uma oportunidade única para reforçar o posicionamento da marca Lisboa enquanto referência nacional e internacional em inovação e inteligência urbana.

Um dos grandes destaques será a conferência “Lisboa, Capital da Inovação Sustentável, Inclusiva e Centrada nas Pessoas”, onde daremos visibilidade ao trabalho que temos vindo a desenvolver para tornar Lisboa uma cidade cada vez mais inteligente, resiliente e orientada para o bem-estar dos que aqui vivem, trabalham e visitam.

O stand da Câmara Municipal de Lisboa será um verdadeiro espaço de descoberta e experimentação. Apresentaremos os projetos mais emblemáticos da cidade nas áreas da mobilidade, ambiente, governança, economia, infraestruturas e sociedade — os seis pilares da Estratégia Lisboa Inteligente 2030, que será oficialmente apresentada durante o evento.

Os visitantes poderão interagir com plataformas digitais, simuladores e dashboards que ilustram como a tecnologia está ao serviço de uma cidade mais eficiente e humana. Teremos ainda um programa dinâmico de miniconferências e talks, onde aprofundaremos temas e projetos com impacto direto na vida das pessoas.

Este ano, o evento decorre em junho, mês das Festas da Cidade, o que nos permite também mostrar como a nossa plataforma de cidade inteligente contribui para uma gestão urbana eficaz em momentos de grande afluência, articulando segurança, limpeza e mobilidade de forma integrada e inteligente.

O que nos pode adiantar sobre a apresentação da Estratégia Lisboa Inteligente 2030?

A construção da Estratégia Lisboa Inteligente 2030 tem sido um processo profundamente mobilizador e transformador. Trata-se de um projeto de cidade que envolve todos os serviços e empresas municipais, promovendo uma visão partilhada e um compromisso coletivo com a inovação, a sustentabilidade e a inteligência urbana.

Estamos na fase final de elaboração do plano de ação, que integra medidas concretas e metas ambiciosas, alinhadas com os grandes desafios urbanos do presente e do futuro. Este plano será apresentado no último dia do PSCS, numa conferência dedicada exclusivamente à Estratégia, onde partilharemos com todos o trabalho feito.

A Estratégia assenta em três pilares fundamentais:

  • Pessoas – Os trabalhadores municipais são agentes de mudança e inovação. São eles que tornam possível a concretização de uma cidade inteligente, através da sua dedicação, criatividade e capacidade de adaptação.
  • Organização – A transformação digital exige uma mudança estrutural na forma como a administração pública funciona. Apostamos na modernização de processos, na integração tecnológica e numa cultura organizacional orientada para resultados e para o serviço público de excelência.
  • Cidade – A cidade inteligente é aquela que coloca as pessoas no centro. É uma cidade mais verde, mais conectada, mais inclusiva e mais eficiente. É uma cidade que escuta, aprende e responde, promovendo qualidade de vida, participação cívica e coesão social.

A Estratégia Lisboa Inteligente 2030 é, acima de tudo, um compromisso com o futuro. Um futuro onde Lisboa continuará a afirmar-se como uma smart city de referência, capaz de antecipar desafios e criar soluções inovadoras ao serviço de todos.

Convido todos a visitarem o stand da Câmara Municipal de Lisboa e a participarem nas conferências. Será uma excelente oportunidade para conhecer de perto o que já estamos a fazer — e o muito que ainda está por vir.

Em que conferências vai estar presente e quais as principais ideias e projetos que irá apresentar?

Este ano, a Câmara Municipal de Lisboa assume um papel central no Portugal Smart Cities Summit, enquanto cidade convidada, coorganizando com a AIP/FIL e a Rádio Observador a conferência principal do evento, que terá lugar no dia 5 de junho. Sob o tema “Lisboa, Capital da Inovação Sustentável, Inclusiva e Centrada nas Pessoas”, esta conferência será um momento-chave para refletir sobre o futuro das cidades e o papel da inovação urbana na melhoria da qualidade de vida.

Será uma oportunidade privilegiada para partilhar a visão estratégica da cidade, apresentar projetos transformadores e promover o diálogo com especialistas, decisores e cidadãos. No centro da discussão estará a Estratégia Lisboa Inteligente 2030, que propõe uma abordagem integrada à transformação digital da cidade, assente em premissas como a transparência, a eficiência dos serviços públicos, a sustentabilidade ambiental e a participação ativa dos cidadãos.

Vamos destacar projetos que demonstram como Lisboa está a aplicar tecnologia de forma inteligente e ética, promovendo uma cidade mais verde, mais conectada e mais inclusiva. Esta conferência será, acima de tudo, um espaço de inspiração e partilha, onde Lisboa se afirma como uma cidade que aprende, inova e lidera com propósito.

Em matéria de cidades inteligentes, como está Lisboa face às restantes cidades europeias e mundiais?

Lisboa tem vindo a afirmar-se como uma cidade em constante evolução no panorama das smart cities, com uma abordagem estratégica que combina inovação tecnológica, sustentabilidade e inclusão social. Através da construção da Estratégia Lisboa Inteligente 2030, realizámos um mapeamento aprofundado das melhores práticas internacionais, identificando tendências emergentes e soluções eficazes nas áreas da mobilidade, governança digital, ambiente urbano e participação cidadã.

As cidades mais avançadas neste domínio não se destacam apenas pela adoção de tecnologia, mas também pela capacidade de promover reformas organizacionais, integrar dados de forma inteligente e envolver ativamente os cidadãos. Lisboa está a trilhar esse caminho com determinação e já implementou um conjunto robusto de soluções que, embora muitas vezes invisíveis no quotidiano, têm um impacto direto na vida das pessoas.

Entre os exemplos mais relevantes, destacam-se:

  • Ambiente: uma rede de sensores que monitoriza em tempo real a qualidade do ar, ruído, temperatura, tráfego e consumo de água, permitindo uma gestão ambiental mais eficaz;
  • Mobilidade: uma rede de ciclovias e bicicletas partilhadas, semaforização inteligente e videovigilância do tráfego, promovendo uma mobilidade mais segura e sustentável;
  • Governança e dados: a Plataforma de Gestão Inteligente de Lisboa, o Portal Lisboa Aberta com dados em formatos abertos, e a rede de comunicações LoRa, que suporta sistemas IoT públicos e privados;
  • Participação cidadã: as aplicações NaMinhaRuaLX e Lisboa.24, o Conselho de Cidadãos e o Portal Lisboa Participa, que reforçam a proximidade entre a autarquia e os munícipes.

Lisboa está, assim, numa posição sólida para se comparar com várias cidades europeias de referência. Mais do que seguir tendências, está a contribuir ativamente para moldar o futuro das cidades inteligentes, com soluções que podem servir de inspiração a outras realidades urbanas.

Quais os principais desafios que Lisboa irá enfrentar nesta transição ambiental e climática, que se quer cada vez mais inteligente?

Lisboa enfrenta desafios significativos na sua transição ambiental e climática, num contexto em que a inteligência urbana se torna cada vez mais essencial para garantir uma cidade resiliente, sustentável e preparada para o futuro. Entre os principais desafios estão a adaptação às alterações climáticas — como o aumento da frequência e intensidade das ondas de calor, o risco de inundações urbanas e a pressão crescente sobre os recursos hídricos — bem como a necessidade urgente de reduzir as emissões de carbono e promover uma mobilidade mais sustentável e inclusiva.

Para responder eficazmente a estes desafios, é fundamental adotar uma abordagem baseada em dados, que permita recolher, integrar e analisar informação em tempo real sobre o ambiente urbano — desde os padrões de tráfego e qualidade do ar até ao consumo energético e às dinâmicas populacionais. A inteligência artificial (IA) desempenha aqui um papel crucial, ao permitir identificar padrões, prever impactos e apoiar decisões mais informadas e eficazes. Em Lisboa, já integramos IA no dia-a-dia dos serviços municipais, e o nosso objetivo é torná-la cada vez mais acessível e útil também para os cidadãos.

Um dos projetos mais promissores neste caminho é o Lisboa Digital Twin — uma réplica digital da cidade que permitirá simular cenários futuros, testar o impacto de diferentes medidas e apoiar o planeamento urbano com maior precisão. Esta ferramenta será essencial para reduzir riscos, melhorar a eficiência das políticas públicas e reforçar a transparência e a comunicação com os cidadãos.

Acreditamos que só com uma abordagem verdadeiramente inteligente — que combine tecnologia, inovação, participação cidadã e compromisso político — será possível garantir uma transição climática justa, eficaz e centrada nas pessoas. Lisboa está preparada para liderar este caminho, com ambição, responsabilidade e visão de futuro.


Este artigo foi originalmente publicado na edição nº 46 da Smart Cities – Janeiro/Fevereiro/Março 2025.