Para encontrar as melhores soluções para aos desafios urbanos do futuro, Guimarães tem uma proposta a fazer: a cidade quer ser um “Laboratório de Futuro”. Como? Através da abordagem living lab, convidando os vimaranenses a experimentar e co-criar, com vista à inovação e à transformação da cidade numa smart city.

Inspirada pelo projecto europeu DREAM, Guimarães está a “construir” um Laboratório de Futuro. O objectivo é o desenvolvimento de soluções urbanas inovadoras que permitam à cidade transformar-se numa cidade inteligente e servir também de montra de testes para a replicação dessas mesmas soluções. Não se trata de uma infra-estrutura física, mas da combinação de três elementos – a metodologia de laboratório vivo (living lab), os desafios (ou projectos transformadores) e o espaço urbano de intervenção (ou seja, onde serão implementados os pilotos).

Com esta estratégia, o Laboratório de Futuro propõe-se a ser, por excelência, o espaço, aberto à experimentação e co-criação, onde se tenta dar resposta aos desafios lançados pelo projecto DREAM, liderado a nível europeu pelo município de Guimarães. Nesta abordagem de laboratório vivo, na qual o cidadão está no centro do processo de inovação, a ideia é que todos participem na criação e inovação – não só os cidadãos, mas também as entidades de investigação, as empresas, e ainda outras cidades e regiões.

Para encontrar as áreas de actuação, o Laboratório de Futuro encontra inspiração naquilo que está previsto no âmbito da iniciativa europeia. Ao todo, os projectos transformativos vão corresponder a 12 sectores que reflectem alguns dos principais desafios para o futuro das cidades: energia, espaço, clima, água, iluminação pública, conhecimento, mobilidade, dados, o futuro do trabalho, habitação, resíduos e pessoas. A cada um destes projectos transformativos corresponderá um modelo de negócio que contribuirá, através da geração de valor urbano, para a transformação da cidade numa smart city.

No âmbito do DREAM, a intenção passa por criar um ambiente de inovação tecnológica, capaz de desenvolver, integrar e implementar soluções para ajudar as cidades a abordar “os desafios globais com que as comunidades se deparam numa óptica de inovação para o futuro e para os seus cidadãos”. O consórcio tem a liderança de Guimarães mas reúne mais sete cidades europeias, a maioria das quais já deteve o título de Capital Europeia da Cultura e beneficia do conhecimento que essa experiência lhe trouxe na capacidade alargada de chegar a várias faixas da população. Tendo como base a cooperação triangular entre comunidade, empresas e universidades, nos próximos cinco anos, o DREAM vai ajudar as cidades participantes a demonstrar, à escala real, soluções inovadoras de tecnologias de informação, optimização de infra-estruturas, mobilidade, eficiência energética, entre outras.

“O DREAM resulta do culminar de um percurso que se caracteriza por factores de inovação, criatividade, projecção e sucesso. Este projecto tem como objectivos o combate aos desafios globais com que as comunidades se deparam numa óptica de inovação para o futuro e para os seus cidadãos. Pretende-se contribuir para a criação de comunidades resilientes, respondendo de uma forma integrada no que respeita às necessidades de desenvolvimento sustentável no vector social, ambiental e económico”, explica Ricardo Costa, vereador de Finanças, Contratação Pública, Financiamentos, Património e Sistemas de Informação da câmara municipal de Guimarães.

O consórcio DREAM apresenta-se formalmente como candidato ao financiamento do programa comunitário Horizonte 2020, no âmbito da iniciativa Smart Cities and Communities. Segundo a câmara municipal de Guimarães, o DREAM tem um orçamento estimado de 18 milhões de euros, completados com outras medidas de financiamento comunitário, local, nacional ou privado.