Não existem soluções únicas capazes de lidar eficazmente com os problemas dos idosos nas cidades, sendo de um modo geral preferíveis políticas integradas, que resultam da ação concertada das entidades públicas setoriais nacionais com as entidades do terceiro setor e, naturalmente, com os governos locais, representados pelas câmaras municipais e pelas juntas de freguesia.
À medida que a população global envelhece, as cidades enfrentam o desafio cada vez mais premente de acomodar as necessidades dos seus residentes idosos. Esta classe de residentes vulneráveis enfrenta frequentemente desafios como o acesso limitado aos cuidados de saúde, especialmente serviços geriátricos especializados, dificuldades de transporte devido a infraestruturas inadequadas, incluindo transportes públicos inacessíveis, problemas de habitação como a falta de opções acessíveis e adequadas, e isolamento social decorrente de uma escassez de oportunidades de envolvimento da comunidade. Esses problemas podem impactar significativamente a sua qualidade de vida e bem-estar.
Não existem soluções únicas capazes de lidar eficazmente com os problemas referidos, sendo de um modo geral preferíveis políticas integradas, que resultam da ação concertada das entidades públicas setoriais nacionais com as entidades do terceiro setor e, naturalmente, com os governos locais, representados pelas câmaras municipais e pelas juntas de freguesia.
Ao nível dos cuidados de saúde, são de privilegiar sistemas de cuidados integrados que coordenam serviços médicos, sociais e comunitários para garantir um apoio holístico aos residentes idosos. O acesso ao sistema, o apoio domiciliário e a introdução de tecnologias, como a telemedicina, que permite o acesso remoto a profissionais de saúde e consultas, são aspetos chave a considerar. A existência de programas de apoio para cuidadores familiares de idosos revela-se uma ferramenta de grande impacto, devendo integrar aconselhamento e formação para aliviar a carga do cuidador e garantir o bem-estar destes e dos idosos.
Ao nível da mobilidade física dos idosos, o tema mais crítico é o do acesso ao sistema urbano de transportes. A informação adequada e a disponibilização de tarifários com desconto, ou até gratuitos, como acontece já em muitas cidades, revela-se uma abordagem com resultados visíveis. A adequação da infraestrutura é também importante, como é o caso dos autocarros de piso rebaixado, os assentos prioritários e as rampas de acesso nas estações.
Tal como no transporte, o acesso à habitação carece de um apoio financeiro específico, de forma que os idosos, que de um modo geral têm limitada a capacidade de aumentar o seu rendimento, possam ter assegurado um teto em condições dignas. Uma forma eficaz é garantir alguma proteção extra no quadro do arrendamento. Também ao nível da infraestrutura, as habitações devem ter as condições adaptadas a uma mobilidade mais condicionada.
O isolamento é considerado a maior patologia que afeta os idosos, sobretudo nas cidades, onde a dinâmica quotidiana deixa pouco espaço e tempo. A existência de centros comunitários gera oportunidades de encontro social muito importantes para preencher os dias, mas importa muito garantir programas intergeracionais, que promovam o encontro com os mais jovens, tais como programas de mentoria, oportunidades de voluntariado e atividades de aprendizagem partilhada.
O sucesso das cidades é também medido pela proteção dos seus utentes mais vulneráveis, sendo elemento diferenciador a sua capacidade de garantir aos mais idosos o envelhecimento com dignidade, independência e inclusão.
Fotografia de destaque: © Unsplash
Este artigo foi originalmente publicado na edição n.º 42 da Smart Cities – janeiro/fevereiro/março 2023, aqui com as devidas adaptações.
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