As zonas costeiras de todo o mundo são as primeiras a sofrer as consequências das alterações climáticas, enfrentando desafios únicos que exigem uma gestão inovadora e sustentável dos recursos marinhos. Num momento em que a sustentabilidade ambiental é uma prioridade global, as algas surgem como uma solução promissora, capaz de estimular uma economia azul que pode transformar as zonas costeiras em modelos de inovação ecológica.

O Potencial das Algas na Economia Azul

As macroalgas marinhas destacam-se por serem um dos poucos recursos naturais que, além de poderem ser utilizadas de forma sustentável, têm também um impacto positivo no ambiente marinho. Consideradas “o pulmão do planeta Terra”, as macroalgas aliviam a pressão sobre os ecossistemas terrestres e aquáticos. Dispensam a necessidade de terra arável ou água doce para o seu cultivo, não levando ao esgotamento dos solos e preservando os recursos de água potável. Em Portugal, onde o mar é um elemento central da cultura e economia, este recurso apresenta um potencial ainda mais significativo. Além disso, o cultivo de macroalgas pode promover a biodiversidade marinha ao criar habitats que suportam uma variedade de espécies.

Na Europa, o mercado das algas está a ganhar popularidade, especialmente nas comunidades costeiras, devido aos seus numerosos benefícios socioeconómicos, conforme destacado pelo Global Seaweed New and Emerging Markets Report 2023, do Banco Mundial. Uma das principais razões para este interesse crescente é o potencial das algas em gerar emprego e revitalizar economias locais através do cultivo e transformação deste recurso. Um exemplo é a empresa ‘ALGAplus’, membro fundador da PROALGA, em Ílhavo, que promove o cultivo de macroalgas e peixe BIO num sistema aquacultura multitrofica integrada (IMTA). Este projeto, inserido numa zona Natura 2000, tem revitalizado áreas costeiras economicamente enfraquecidas, criando empregos verdes, promovendo práticas de pesca sustentável e fornecendo produtos valiosos para alimentação e cosmética. A produção das macroalgas, nativas da costa Portuguesa, tem por objetivo dar resposta à procura crescente do mercado internacional por esta matéria-prima natural e diferenciadora, obtida de forma sustentável e consistente com o interesse comercial a nível global.

Do ponto de vista ambiental, a cultura de algas marinhas oferece uma gama de serviços ecossistémicos valiosos. As algas proporcionam habitats que beneficiam uma vasta gama de espécies, promovendo a biodiversidade, tem capacidade de fixação de carbono, mitigando a acidificação dos oceanos e reduzindo a pegada de carbono, e melhoram a qualidade da água ao absorver nutrientes em excesso, como o azoto. Além disso, contribuem para a proteção das linhas costeiras, reduzindo o impacto das ondas e prevenindo a erosão, ao mesmo tempo que proporcionam habitats que beneficiam uma vasta gama de espécies, promovendo a biodiversidade. Quando integradas em sistemas de policultura, as algas também ajudam a reciclar nutrientes e oxigenar a água, aumentando a produção de mariscos e peixes.”

Esta simbiose reflete como a economia azul pode beneficiar tanto o meio ambiente quanto as comunidades costeiras.

Desafios e Oportunidades

Apesar do grande potencial, o desenvolvimento da indústria das macroalgas enfrenta desafios. A criação de políticas públicas que incentivem o cultivo e a pesquisa é essencial. Portugal tem dado passos importantes, como a Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030, que inclui metas ambiciosas para a economia azul. No entanto, é necessário um maior investimento em regulamentações claras e incentivos fiscais que possam catalisar o crescimento deste setor.

A educação e a sensibilização também são cruciais. Campanhas educativas podem ajudar a população a compreender os benefícios das algas e a importância de uma economia azul. Sem o apoio do público, será difícil implementar as mudanças necessárias para uma transição sustentável. A transição para uma economia azul sustentável é essencial para o futuro das cidades costeiras, e as algas estão no centro dessa transformação.

 

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