O projeto europeu SharedGreenDeal – Social Sciences & Humanities for Achieving a Responsible, Equitable and Desirable GREEN DEAL, no qual estão envolvidos alguns membros do GI SHIFT – Grupo de Investigação Ambiente, Território e Sociedade, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa), iniciou as suas atividades a 1 de fevereiro de 2022.

O objetivo central do SHARED GREEN DEAL é estimular ações conjuntas entre parceiros académicos e não académicos em torno de iniciativas que promovam o Pacto Ecológico Europeu, por meio de experiências sociais na vida real em 24 locais de toda a Europa.

Para o efeito, serão utilizadas ferramentas das Ciências Sociais e Humanas para apoiar a implementação de oito áreas do Pacto Ecológico Europeu, a nível local e regional. Essas áreas são: Energia Limpa, Economia Circular, Renovações Eficazes, Mobilidade Sustentável, Alimentação Sustentável e Preservação da Biodiversidade. O trabalho realizado em cada uma dessas frentes temáticas vai contribuir tanto para a ação climática, como para as ambições de poluição zero do Pacto Ecológico Europeu.

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O Pacto Ecológico e o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 foram lançados pela Comissão Europeia a 11 de dezembro de 2019. Apesar de não terem a força de uma diretiva, são passos importantes na definição de uma nova estratégia de crescimento para a União Europeia (UE) que visa orientar países, cidades, empresas e cidadãos europeus num processo de transformação para uma “sociedade justa e próspera, com impacto neutro no clima, dotada de uma economia moderna, eficiente em termos de recursos e competitiva”. A ambição é reduzir as emissões de gases com efeito de estufa da Europa em, pelo menos, 55% até 2030 (em comparação com os níveis de 1990). Para as cidades e as comunidades locais, o objetivo é o de alcançar a neutralidade climática até 2050.

O projeto

Nos próximos cinco anos, as equipas de 22 parceiros que constituem o consórcio vão dedicar-se a explicitar o contributo das Ciências Sociais e Humanas na implementação de uma mudança transformadora, para atingir as metas preconizadas no Pacto Ecológico Europeu. Estas 22 organizações do consórcio incluem oito universidades, três instituições de investigação, oito organizações em rede e três pequenas e médias empresas.

Estes parceiros cobrem elementos centrais das prioridades transversais do Pacto Ecológico Europeu, tais como a sociedade civil, as empresas, as questões da democracia, do género, da energia, do ambiente, da economia circular e da inovação. Para além destas, as questões da inclusão e da diversidade estão no cerne do projeto, de forma a ter em conta as experiências de vida e os problemas dos grupos sociais mais vulneráveis.

No que respeita à aplicação de instrumentos das Ciências Sociais e Humanas, é importante frisar que a investigação nestas áreas sobre transições sustentáveis tem-se centrado em mudanças, quer ao nível das experiências individuais (“nível micro”), quer ao nível da organização da sociedade (“nível macro”).

Neste projeto, privilegiam-se as mudanças de “médio alcance” para fazer a ponte entre os níveis micro e macro. Dentro deste nível ‘meso’, o consórcio vai trabalhar com organizações locais para compreender o que realmente funciona e produzir orientações sobre como fazer a mudança transformadora, de forma a facilitar o trabalho dos decisores políticos, das Organizações Não Governamentais (ONG), das empresas e dos grupos de cidadãos de se concentrarem em soluções adequadas. Neste âmbito, é importante ligar os atores da sociedade civil para a transferência de conhecimentos, e aproveitar a sua experiência coletiva para dar retorno aos decisores políticos sobre o sucesso dos seus planos. Atualmente, não existe nenhum mecanismo comprovado que possa proporcionar estes benefícios à escala da UE.

Assim, as atividades deste projeto compreendem a implementação de uma ampla rede de organizações baseada na adesão voluntária. A rede SHARED GREEN DEAL reforçará a capacidade, maximizará os impactos e permitirá mudanças de sistema a longo prazo durante a década de 2020 e mais além.

Também será implementada, em 24 locais na Europa, uma série de “experiências sociais” alinhadas com as prioridades estratégicas das políticas europeias, nacionais e locais. O conceito de ‘experiência social’ tem um sentido diferente das experiências laboratoriais realizadas em ambientes controlados.

Neste projeto, a experimentação é um processo de aprendizagem na e pela prática, de modo a partir de inovações de nicho para transições a uma escala mais ampla. Adota-se uma abordagem sociotécnica nesta conceção da experiência, o que significa reconhecer que os sistemas sociais e tecnológicos estão profundamente interligados. Assim, as mudanças tecnológicas têm de ser entendidas em coevolução com as mudanças comportamentais, sociais e culturais, e vice-versa. Estas experiências serão abertas às cidades, empresas e organizações locais que queiram participar e serão realizadas por equipas transdisciplinares constituídas por académicos, bem como ONG, empresas e grupos de cidadãos.

A equipa do ICS vai realizar análises transversais sobre os desafios societais pós-Covid-19 (por exemplo, o teletrabalho, a digitalização, as dinâmicas políticas, sociais e económicas mais amplas). Este trabalho vai também desenvolver um módulo de formação para profissionais fora da academia, fornecendo ferramentas das Ciências Sociais e Humanas que proporcionam conhecimento transformador útil para atingir os objetivos do Pacto Ecológico Europeu.

Nos próximos anos, serão divulgadas futuras chamadas para encontros, oportunidades de colaboração bem como os resultados do projeto. Estejam atentos!

Uma versão mais longa deste texto foi publicada no blogue SHIFT a 16/02/2022.

A publicação deste artigo faz parte de uma parceria entre a Smart Cities e o ICLEI – Local Governments for Sustainability, e foi originalmente publicado na edição de Janeiro/Fevereiro/Março de 2022 da Smart Cities.