É a start-up portuguesa Teckies a responsável pela BeeFluent, uma plataforma para ajudar as crianças a “evoluir na leitura”, ligando professores e alunos à distância. Lançada no início do mês, a plataforma condensa o processo de aprendizagem “em sete passos” e pode ser acedida a partir de qualquer dispositivo com browser.

Apesar de já estar pensada “mesmo antes da pandemia”, foi nesta altura - e em tempo de aulas à distância - que a BeeFluent foi lançada. Com o objectivo de ajudar crianças com dificuldades de leitura no seu processo de aprendizagem, a plataforma on-line oferece a possibilidade de treinar de forma individual e personalizada, colocando docentes e alunos em contacto.

Em entrevista à Smart Cities, Patrick Götz, fundador da start-up responsável pelo desenvolvimento da plataforma, explica como funciona: “o docente grava a leitura correcta do excerto e sincroniza o som e o texto, terminando com o envio do ficheiro para o aluno. Este, depois de ouvir o áudio que recebeu, treina a mesma leitura as vezes de que necessitar e, quando estiver satisfeito com o resultado, envia-o para o professor para que este possa avaliar e dar feedback, permitindo que, num próximo exercício, o aluno conheça os pontos a melhorar”. Tudo em “sete passos”, garante o também director executivo da Teckies.

Acessível a partir de qualquer dispositivo com acesso a um navegador de Internet, a BeeFluent tem como público-alvo professores e alunos, tanto com “ritmos de aprendizagem comuns, para que possam aprimorar a leitura”, como crianças com necessidades educativas especiais, casos de “jovens com dislexia”, esclarece a start-up em comunicado. Servindo para “consolidar” a aprendizagem das aulas, a plataforma permite que os docentes tracem “planos personalizados de leitura, com exercícios pensados à medida de cada criança e tendo em conta as suas dificuldades”.

O recurso à BeeFluent está dependente da aquisição de uma licença de utilização, que pode ser realizada “pelas próprias escolas ou agrupamentos” escolares e ainda “pelos próprios professores ou explicadores”, revela Patrick Götz. Os conteúdos de aprendizagem serão criados pelos professores que utilizem a plataforma e poderão, depois, ser partilhados com “outros professores de agrupamentos ou abertos” à comunidade de utilizadores, constituindo uma biblioteca de recursos da recém lançada plataforma. Apesar de, actualmente, funcionar exclusivamente on-line, o futuro da plataforma, em funcionamento desde o dia 1 de Setembro, deverá passar também pelo desenvolvimento de uma aplicação off-line.

Para o futuro da educação, o fundador da start-up portuguesa encontra virtudes na inteligência artificial, já que esta poderá vir a permitir “tirar conclusões muito mais detalhadas e individuais sobre os alunos” e “ajudará os alunos no estudo, por exemplo, através de chatbots que possam simular perguntas”. Reconhece, contudo, que “as máquinas não vão substituir professores, vão agilizar o seu trabalho”.