A atual crise, que ditou o encerramento da generalidade dos estabelecimentos comerciais durante seis semanas, tem sido uma oportunidade para acelerar a transição digital também no comércio de proximidade. O Dott, que iniciou a sua atividade há cerca de um ano e é hoje um dos maiores shoppings online do país, registou uma subida de 20%, nos últimos 40 dias, no número de empresas que vendem os seus produtos através da plataforma e conta já com mais de 900 empresas e mais de dois milhões de produtos na sua oferta. “Nada limita que um comerciante que tenha uma loja de rua possa vender para o outro lado do mundo hoje em dia. A tecnologia veio permitir isso. Os retalhistas devem ver o digital como um aliado e como um potenciador do seu negócio”, afirma Gaspar D’Orey, CEO do Dott. Uma inovação que chegou mesmo às feiras: “Organizámos recentemente a primeira feira digital, a Feira dos Vinhos e do Queijo DOP, o que significa termos dezenas de pequenos produtores, a vender online para o país inteiro. E já temos várias feiras planeadas para abrir nos próximos meses”.

Declarações proferidas esta quarta-feira, 6 de abril, durante o SMART PORTUGAL Webinar, dedicado esta semana ao “Futuro do Comércio: entre a proximidade e a tecnologia”, uma organização da NOVA Cidade –Urban Analytics Lab, o laboratório de inteligência urbana da NOVA Information Management School (NOVA IMS), contando com a revista Smart Cities como media partner.

O webinar contou, também, como convidados, com o Presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, a Secretária-Geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Ana Jacinto, além dos participantes residentes António Almeida Henriques, Presidente da Câmara Municipal de Viseu e Vice-Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, onde coordena a Secção de Municípios “Cidades Inteligentes", e Miguel de Castro Neto, Subdiretor da NOVA IMS e Coordenador da NOVA Cidade – Urban Analytics Lab, que moderou o painel.

João Vieira Lopes reconhece o atraso, principalmente do pequeno comércio, no desafio da transição digital mas destaca as oportunidades do momento: “Por um lado, muitas pessoas redescobriram este tipo de comércio e, por outro, é a oportunidade de darem o salto tecnológico e integrarem-se na digitalização do conjunto da economia e alargarem a sua capacidade de intervenção. Penso que esse será um dos grandes ganhos à saída desta crise”. E adianta: “Curiosamente já tinha existido um salto na crise de 2008, também por más razões, mas que acabaram por criar uma oportunidade. Com o alastramento do desemprego, muitos filhos de comerciantes acabaram por ir trabalhar com os pais e acabaram por rejuvenescer os negócios e serem pioneiros na introdução do digital neste tipo de estabelecimentos”.

Uma oportunidade que a Secretária-Geral da AHRESP reconhece que existe, embora, para isso, seja necessário que as empresas sobrevivam ao atual momento. “Temos aqui uma grande oportunidade para as empresas se digitalizarem e reinventarem, existem grandes oportunidades de construir ofertas interessantes em territórios com menor densidade populacional, mas é necessário que existam empresas”. Ana Jacinto alertava para o facto dos apoios do Governo e da banca não estarem a chegar às empresas, o que leva 27% das empresas inquiridas pela AHRESP a considerarem avançar para processos de insolvência.

Apoios que não se esgotam, contudo, no Governo e na banca. Falar do pequeno comércio é falar de proximidade, também ao nível do poder local. Por isso mesmo, António Almeida Henriques destaca o papel das autarquias, dando o exemplo de Viseu, que isentou todas as taxas e tarifas das esplanadas até ao final do ano, como forma de compensar os bares e restaurantes pela limitação da sua capacidade, e prepara-se para lançar a campanha “Viseu compra aqui” com o objetivo de dinamizar o comércio local. “Tenho a certeza que as pessoas se vão sentir motivadas para comprar mais no comércio de proximidade, até pela dimensão das lojas”, afirma o Presidente da Câmara Municipal de Viseu e Vice-Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Muito embora reforce a importância da transição para o digital no pequeno comércio: “Alguns restaurantes em Viseu serviram mais refeições no último mês, através das vendas online com serviço de entrega, do que serviriam em condições normais”.

Miguel de Castro Neto, Subdiretor da NOVA IMS e Coordenador da NOVA Cidade – Urban Analytics Lab, moderou o painel, e recordou a capacidade portuguesa em “encontrar novos caminhos para fazer negócio”, apesar da necessidade recorrente de diminuir a burocracia e sistematizar e disseminar a informação.

Sessão em ZOOM: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/498241617

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