Com o objectivo de promover a vida activa e prevenir situações de dependência na população jovem, o Governo vai “escolher e desenvolver” novas aplicações móveis, no âmbito do Programa Nacional para a Saúde, Literacia e Autocuidados. A prevenção da diabetes ou da obesidade e a promoção da saúde mental, do envelhecimento saudável e da utilização racional e segura do medicamento estão entre os enfoques centrais desta acção.

A iniciativa tem como principal objectivo, de acordo com o Governo, “fazer com que os cidadãos tomem decisões informadas sobre a sua saúde, tendo em conta que Portugal tem baixos níveis de literacia em saúde”. Por essa mesma razão, durante 2016 e 2017, serão também desenvolvidas campanhas que explorem “todas as oportunidades para promover o conceito de vida activa”, em diversos meios comunicacionais e promocionais, como explicou, na quinta-feira, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, numa declaração após a apresentação do Programa.

A primeira fase de desenvolvimento do Programa vai, assim, centrar-se na “noção de vida activa, física, intelectual e afectivamente”, na qual o Governo pretende criar uma rede de voluntários para apoiar pessoas dependentes, atribuindo aos cuidados informais uma “grande importância”.

A ideia é criar uma rede de pessoas – em regime de voluntariado, a nível familiar ou comunitário – que estejam dispostas a dar o seu tempo para ajudar idosos ou dependentes no seu domicílio e assim “diminuir a pressão e recurso inapropriado aos hospitais por falta de apoio e isolamento”.

No próximo ano, já deverão estar reunidas as condições necessárias para “avançar para a definição do estatuto do cuidador informal e isso será muito bom para o conjunto de respostas de saúde”, adiantou o ministro sobre este projecto a médio prazo.

“Cada vez mais, com o envelhecimento da população, é preciso criar condições para que os idosos e as pessoas com dependência fiquem em sua casa e possam ser apoiadas, naturalmente com o apoio dos serviços de saúde e do Serviço Nacional de Saúde”, concluiu Adalberto Campos Fernandes.

Relembre-se que o novo portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é outra das ferramentas que o Governo pretende utilizar para que os utentes possam conhecer melhor os serviços de saúde, de forma a utilizá-los "mais eficaz e eficientemente". Nesse sentido, o portal vai abrigar um Repositório de Literacia em Saúde, que "recolhe, analisa, selecciona e divulga selectivamente projectos e instrumentos que configurem boas práticas em educação, literacia e autocuidados". Paralelamente, os espaços de atendimento do SNS deverão também passar a incluir informações de educação para a saúde e literacia.