2017-10-25

Cidades Seguras, Economia Circular e Mobilidade no SCEWC2017

Filipa Cardoso

De 14 a 16 de Novembro, Barcelona recebe o 7º Smart City Expo World Congress (SCEWC). O evento é um dos mais importantes do sector e serve de barómetro mundial para as novas tendências urbanas. Numa entrevista exclusiva à Smart Cities, Ugo Valenti, director do SCEWC, reflecte sobre a evolução das cidades inteligentes nos últimos anos e como o certame tem contribuído para isso.

 

O SCEWC vai para a sua sétima edição e é já reconhecido como um dos mais importantes eventos do mundo no sector. Qual o segredo?

Tornarmo-nos no evento líder global para smart cities e soluções inteligentes urbanas não tem segredos: é o resultado de muito trabalho, ouvidos abertos para novas tendências, uma equipa de profissionais excelentes e, na perspectiva da Fira de Barcelona, a organizadora do evento, um olhar perspicaz para detectar novas oportunidades. O nosso evento foi o primeiro a apostar nas cidades inteligentes e na inovação urbana como um novo mercado com muito potencial e a fazê-lo com uma combinação equilibrada de conhecimento, negócios e networking. Todos os anos juntamos em Barcelona alguns dos pensadores mais disruptivos, cidades arrojadas e empresas líderes e tentamos oferecer a melhor plataforma possível, na qual possam interagir, criar novas ideias e projectos em conjunto e começar iniciativas em parceria com o objectivo comum de transformar o nosso mundo. Gostamos de pensar que o Smart City Expo é um evento chave e acreditamos fortemente que o que fazemos é de extrema importância. Há dois anos, o mote do evento era “Mudar o mundo” e é exactamente a isso que nos propomos. A nossa equipa acredita que as cidades vão ser os agentes principais no futuro próximo e só tornando-as melhores, mais sustentáveis e inteligentes, iremos conseguir um mundo melhor também. Quero acreditar que os esforços que fazemos para mudar o mundo através do SCE são a razão pela qual continuamos a crescer todos os anos.

 

Quais são as principais tendências no mercado das cidades inteligentes?

A indústria das smart cities actua em áreas diferentes, tais como mobilidade, sustentabilidade ambiental, gestão de resíduos, governança, segurança urbana, economia circular, etc., e há muitas tendências em cada uma dessas áreas. Pessoalmente, acredito que a economia circular é uma das tendências que tem tido o maior impacto nos últimos anos, isto porque é um novo paradigma que nos força a pensar a forma como as coisas têm funcionado até aqui e como devemos redesenhar todos os processos possíveis não apenas dentro das cidades, mas também no campo empresarial. [O tema da] Segurança é também de grande importância, tanto ao nível físico como digital. Diferentes cidades por todo o mundo precisam de enfrentar ameaças de segurança diversas, mas, dada a importância das tecnologias digitais e mais precisamente das TIC [tecnologias de informação e comunicação] e IoT [Internet of Things] na esfera das smart cities, há um consenso geral que exijamos todos os esforços possíveis para assegurar a segurança digital em todos os processos urbanos desde a protecção de dados a iniciativas de participação cívica.

 

E as cidades? Consegue identificar tendências nos últimos anos?

As cidades que querem tornar-se metrópoles inteligentes tiveram a sua própria evolução na última década. No início do movimento smart cities, a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento da infra-estrutura TIC foram as primeiras tendências e por uma boa razão: as tecnologias digitais, e mais precisamente TIC e IoT, foram a espinha dorsal das cidades do futuro e é verdade que, sem elas, a transformação urbana não teria sido possível. Mas as novas tecnologias emergentes tornaram possível a gestão da mobilidade, consumo energético, urbanismo, economia e informação de uma forma radicalmente diferente, e também tornaram possível dar um novo passo em frente. As metrópoles são geridas e habitadas por pessoas e estes cidadãos são, de facto, o pulsar das próprias cidades. Tal como um navio precisa de tripulação, as cidades inteligentes precisam de cidadãos inteligentes, envolvidos e com poder. Temos de continuar a trabalhar em todas estas áreas. No SCEWC, acreditamos que, durante décadas, houve uma divisão entre cidadãos e os governos, mas agora temos novas formas de criar pontes e usar novas soluções urbanas para envolver os residentes e dar-lhes poder para que façam parte da governança urbana. E estamos a testemunhar movimentos nesse sentido em cidades de todo o mundo, desde Nova Iorque a Barcelona, Copenhaga ou Singapura.

 

SCEWC é um evento para cidades, mas que não esquece os cidadãos. Como integram essa filosofia no certame?

O SCEWC é uma feira industrial e isso significa que estamos focados na audiência profissional. A nossa contribuição mais directa está no facto de que promovemos activamente um papel mais importante e pró-activo dos cidadãos no ambiente urbano. Na verdade, a edição de 2017 apela “Empower Cities, empower citizens” porque acreditamos fortemente que nunca antes na História houve tanto talento e tanta criatividade concentrados num espaço tão pequeno e é a nossa responsabilidade maximizar esta oportunidade e usar todos os meios ao nosso alcance para aproveitar todo este potencial urbano. Dito isto, é também verdade que explorámos diferentes modos de participação cívica nos nossos eventos. Inclusivamente, nalgumas das nossas edições regionais, como o Smart City Expo Casablanca, o evento acolheu uma série de actividades para o público em geral em diversos pontos da cidade, tais como exposições, conferências ou demos de tecnologias. Poderemos estender estas iniciativas para outros eventos, mas o evento global anual que tem lugar em Barcelona irá continuar um evento profissional.

 

A escolha de Barcelona como cidade anfitriã foi uma decisão inocente ou prendeu-se com a estratégia da cidade?

Foi uma decisão óbvia por muitas razões. A primeira e mais importante é o facto de a Fira de Barcelona, a instituição empresarial de Barcelona, estar por detrás do conceito do SCEWC. Mas o facto de ter sido a Fira de Barcelona a ter a ideia de organizar um evento como este não foi uma coincidência. Barcelona tem sido pioneira no movimento smart cities desde o início. O governo municipal sempre foi adepto da inovação urbana em todos os seus aspectos e fez dos seus objectivos promover cidades melhores, mais sustentáveis e com boa qualidade de vida para os seus cidadãos. Por isso, podemos concluir que não se trata apenas de não ser coincidência, mas de que tinha de [era imperativo] ser Barcelona.

 

Que diferenças vêem entre as várias regiões que acolhem os eventos Smart City Expo?

Todas as nossas edições regionais partilham um ponto comum: organizamo-las com as autoridades locais. Isto ajuda a afinar as necessidades e foco de cada edição, quer seja mais direccionada para disseminar o conceito, como acontece em Casablanca, quer seja centrada no equilibrar da relação entre a sociedade e as tecnologias smart, como em Quioto, quer vise promover sociedades mais equitativas, como a Smart City Expo Latin Congress em Puebla (Mexico) ou a Smart City Expo Buenos Aires (Argentina). Este ano, lançámos também a Smart Island World Congress, que teve lugar em Maiorca, para abordar as necessidades específicas das ilhas.

 

Quais são os pontos fortes da edição de 2017?

Estamos constantemente a tentar melhorar ou afinar os nossos conteúdos e a estrutura para responder às necessidades das cidades e das empresas e também de forma a cobrir as novas tendências ou conceitos que se tornam importantes no nosso enquadramento temático. Este ano, o programa do nosso congresso vai conter novos tópicos como Cidades Seguras e a Economia Circular – que, no ano passado, esteve num evento paralelo – e que estarão totalmente integradas no programa. Mas a maior mudança poderá ser a celebração conjunta do primeiro Smart Mobility Congress, que vai centrar-se não só no transporte urbano, mas também interurbano. Neste contexto, estou certo de que alguns novos modos de transporte apresentados ou debatidos no evento, como os novos táxis autónomos voadores que o Dubai vai apresentar em Barcelona ou o Hyperloop, vão estar debaixo dos holofotes.

 

 

A revista Smart Cities é media partner do SCEWC 2017 e oferece 25% de desconto na inscrição, através do código CD8ADDDD aqui.

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