2017-10-18

Tecnologia smart chega à varredura das cidades portuguesas

Instalar sensores nos carrinhos da varredura utilizados pelos cantoneiros, de forma a recolher dados sobre o serviço e, assim, melhorar a sua eficiência e prestação, é o passo que a Cascais Ambiente está a dar para tornar a limpeza urbana mais inteligente. O projecto piloto já está a ser implementado e foi apresentado durante o I Encontro Nacional de Limpeza Urbana, que aconteceu a 29 de Setembro no Centro de Congressos do Estoril.


“Precisamos de reunir mais dados sobre este serviço, de modo a podermos introduzir eficiência e melhorias na prestação do serviço”, explicou Luís Capão, administrador da Cascais Ambiente. Segundo o responsável, “em 2016, 27% do total de resíduos recolhidos em Cascais tiveram origem nos serviços da limpeza urbana. Em termos de recursos alocados, estes absorvem a maior parte dos recursos humanos e financeiros: a limpeza urbana representa cerca de 60% dos gastos, comparativamente com os  40% da recolha e transporte dos resíduos”. Sem dados concretos e profundos, acrescentou, não é possível “optimizar, nem criar padrões de serviço considerando que as imensas variáveis que estão associadas, como o vento, a chuva, e outros fenómenos extremos, o comportamento das pessoas ou e a sua caracterização, que é complexa”.


Em matéria de limpeza urbana, Cascais tem apostado na inovação, com a introdução do Smart Waste Management, que está agora a ser ampliado, com a instalação de sistemas inteligentes nas varredouras mecânicas com recurso a tecnologia disponível no mercado.


Para além de Cascais, outras cidades aproveitaram também o evento para partilhar boas práticas. Foi o caso de EMARP - Empresa Municipal de Água e Resíduos de Portimão, que está também a testar um sistema inteligente nas varredoras mecânicas. “O sistema dá-nos informações sobre o que a varredora faz no momento, a que horas, se varre à esquerda ou direita, se está em deslocação, se está em operação, as horas de passagem, etc.”, descreveu Luís Fernandes, da EMARP.


Por sua vez, Luc De Rooms, da cidade de Antuérpia, Bélgica, apresentou o sistema Big Belly (contentores com sistema de compactação dos resíduos), que permite reduzir a frequência da recolha dos contentores. O design dos contentores foi um dos problemas para a introdução do projecto, contou o responsável, mas os resultados obtidos estão a ajudar a superar a situação.


Num olhar mais global ao sector, Pedro André, da Ecogestus, apresentou os resultados de um diagnóstico recente, que revela que há áreas a melhorar. Ausência de indicadores e de métricas que avaliem o desempenho dos serviços, elevado investimento feito pelas entidades gestoras em meios mecanizados sem que sejam aferidos resultados e reduzido investimento na avaliação da eficiência dos meios foram algumas das fragilidades apontadas pelo especialista.

O I Encontro Nacional de Limpeza Urbana reuniu cerca de 160 representantes de autarquias, empresas municipais, associações sectoriais, empresas privadas, fornecedores de serviços e tecnologias em torno do tema da Limpeza Urbana, num palco que serviu de partilha de experiências e dificuldades. No encerramento da iniciativa, Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, anunciou o II Encontro Nacional já para 2018.

 

 

 

 

 

 

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