2017-03-24

Vítor Pereira

Os arquitectos e as smart cities

Dominica Belanská é uma “activista” do Place Making e está, neste momento, a demonstrar enorme qualidade tanto na investigação e pesquisa, como na execução prática de projectos, sobretudo no Leste Europeu, mas, naturalmente, por todo o globo. Dominica também adora Lisboa, e depois de participar num masterclass internacional em City Making, Gentrificação e Turismo, promovido pelo STADSLAB (Urban Design Laboratory of Tilburg University - Amesterdão) e focado no caso de estudo da Mouraria, decidiu voltar e vai continuar a regressar “a linda Lisboa”, garante sorrindo. Dominica é arquitecta e, nos tempos livres, música.

Johanna Ebrahaim lecciona na Universidade de Norte, Colômbia, e, está a desenvolver, a partir de Barranquilla, o Workyager. Uma nova versão do co-working de acordo com as necessidades de cada um. Johanna está também envolvida na discussão da influência das ferramentas digitais no desenvolvimento das etapas de projecto, planificação e execução de obra, ou seja, a virtualização da construção. Um tema que está incluído no evento da “Cátedra Estados Unidos 2016” e que envolve as três mais importantes Faculdades de Arquitectura e Planeamento na Colômbia. Johanna é arquitecta e adora Barcelona.

Saskia Beer foi chamada a participar num périplo pela Austrália juntamente com os reis da Holanda. Os próximos dias serão uma oportunidade para mostrar às cidades daquela zona do globo as potencialidades da sua ferramenta Zo!City, que, pisando todos os conceitos de participação cidadã, é uma tecnologia de Citizen Engagement “do topo para a base” e sempre com muito glamour misturado. A plataforma foi desenvolvida por que Saskia não tinha mais tempo,  nem papel ou canetas para tomar tantas notas e recados entre a comunidade de uma das zonas mais importantes económica e socialmente de Amesterdão. O “caso” foi considerado de enorme relevância científica pela Universidade de Amesterdão. Foi ainda seleccionado para as “boas práticas” do  European Marketplace Smart Cities e, finalmente, foi considerado uma solução inovadora e reconhecida para um piloto entre as cidades de Amesterdão e Lisboa, catapultando-as para o topo da inovação nesta área que muitos pensam ser propriedade exclusiva de municípios ou empresas.

Saskia é arquitecta e, até 2011, estava desempregada e quase a entrar em desespero. Distribuiu num ano mais de 240 mil litros de champanhe.

A história de três estudantes holandeses que compraram, no final do curso, uma casa em Detroit. E com que intenção? Transformá-la num laboratório vivo de construção sustentável e inteligente. Técnicas DIY (do it yourself) que qualquer cidadão pode aproveitar para tornar a sua casa mais sustentável, consumindo menos energia e poupando assim recursos. Técnicas de reutilização de materiais e outras formas inovadoras e algumas tradicionais de manter o equilíbrio. O projecto chama-se Motown Movement. Os três jovens estudavam arquitectura e já concluíram, entretanto, os seus cursos.

Quando oiço questionar “porque os arquitectos não estão nas smart cities”, apetece-me responder que não tem de haver arquitectos nas smart cities. As cidades são construídas por gente criativa e qualificada. Tem de haver cidadãos criativos, inovadores e empenhados em partilhar conhecimento, ideias e sonhos. As cidades não são dos arquitectos, mas estes são das cidades. Por vezes, custa sair da zona de conforto, mas quem o faz, assume a sua total coerência com as capacidades inatas e adquiridas de melhorar o mundo. Seja ele uma metrópole, seja uma simples casa.

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