2017-01-09

Federico Gutiérrez, mayor de Medellín, Colômbia

Como os cidadãos ajudaram a transformar Medellín?

Medellín, a segunda maior cidade da Colômbia, tem um histórico de violência, narcotráfico, pobreza e desigualdade social. No entanto, nos últimos anos, os governos da cidade têm-se empenhado em colocar este passado para trás das costas. A estratégia tem resultado e, hoje, Medellín faz manchetes pela verdadeira transformação que está experienciar e não pela violência. Perguntámos ao actual mayor da cidade, Federico Gutierrez, qual tem sido a chave para o sucesso desta mudança. 

 

 

 

“Sempre afirmei que o melhor de Medellín são as pessoas. A sua tenacidade, orgulho e sentimento de pertença à cidade são a razão pela qual ultrapassamos as dificuldades. Para além disto, as parcerias entre as pessoas, o sector público e a academia ajudaram Medellín a ultrapassar o passado pelo qual somos conhecidos no mundo. Medellín passou do medo à esperança e da esperança à confiança.

 

O papel dos cidadãos na transformação da cidade foi fundamental. Agora, estamos a construir a confiança pública. Uma cidade não é apenas o seu presidente ou a câmara municipal, é também as pessoas e isto é um exercício de responsabilidade.


Devemos sublinhar que Medellín tem tido, sucessivamente, bons governos nos últimos anos, durante os quais os egos foram colocados de lado e o benefício comum prevaleceu. As últimas administrações chegaram mesmo a obliterar ou alterar aquilo que os líderes anteriores deixaram, mas nós, pelo contrário, demos continuidade e melhorámos os projectos e programas anteriores bons. Há vários anos que as políticas têm sido concebidas para uma cidade mais inclusiva com mobilidade sustentável, melhorias na qualidade da educação e uma maior segurança.


A vigilância dos nossos cidadãos e o interesse geral no progresso de Medellín também ajudaram a cidade a continuar o seu caminho e a aumentar a sua resiliência, o que nos tornou actualmente famosos. A cidade tem uma estratégia de longo prazo e isso levou também à melhoria das condições dos municípios circundantes que fazem parte do Vale de Aburrá. Realço ainda a cultura de responsabilidade porque é uma forma de transparência para com a cidade e de manter o diálogo permanente com as pessoas.


Foi graças a um movimento cívico que me tornei mayor. Não me candidatei por um partido político, em vez disso, andei pelas ruas a recolher assinaturas de pessoas que apoiavam a minha candidatura. Chegámos aqui com o apoio dos cidadãos que acreditaram no nosso compromisso político. Por isso, estou convencido de que os cidadãos estão sempre dispostos a participar desde que sejam tidos em conta, encarados, e se tivermos a disponibilidade de tempo para compreender as suas realidades.


O nosso escritório é nas ruas, estamos sempre no exterior a falar com pessoas. A minha equipa e eu saímos uma vez por semana para visitar diferentes bairros de Medellín. Um governante urbano deve evitar isolar-se da realidade das pessoas, tem de continuar a falar com elas. Esse contacto directo ajuda a construir a confiança e leva as pessoas a participarem nas decisões que tomamos. Foi dessa forma que construímos o plano de desenvolvimento 2016-2019 “Medellín conta contigo”, envolvendo a comunidade.

Implementamos uma abordagem participativa, na qual identificamos áreas da cidade nas quais os bairros e os cidadãos tiveram a oportunidade para fazer sugestões ou contar-nos os seus problemas. Estes foram tidos em conta no plano de trabalhos do governo. Temos programas e projectos que nos permitem saber mais sobre as necessidades da população e participar activamente na formulação das soluções possíveis. Entre estes, destaco programas como o Orçamento Participativo e Planeamento Local e plataformas de co-criação dos cidadãos como o Mi Medellín.” 

 



Federico Gutiérrez, mayor de Medellín, tomou posse há um ano. Formado em Engenharia Civil e Ciências Políticas, o político chegou a candidatar-se à alcaldía de Medellín em 2011. Apesar de ter perdido essas eleições, garante que, desde aí, não parou de estudar a cidade. Actualmente, não está ligado a nenhum partido político, mas ao movimento cívico
Creemos.

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