2016-11-29

Stéphanie Gay-Torrente, directora do Pollutec

Lyon, “Capital Mundial da Inovação Ambiental”

De 29 a 2 de Dezembro, Lyon é a casa da inovação ambiental sustentável. Mais de 60 mil profissionais vão estar, por estes dias, na cidade francesa para percorrer os 93 mil metros quadrados do salão Pollutec e conhecer, em primeira mão, cerca de 200 inovações com vista à sustentabilidade também das cidades. Stéphanie Gay-Torrente, directora do Pollutec, fala à Smart Cities sobre o que podemos esperar da edição deste ano do certame.

 

Qual tem sido o contributo do salão Pollutec para promover a inovação ambiental sustentável na Europa?

Criado em França, na região de Rhône Alpes,  no coração de uma das maiores bacias industriais da Europa, o Pollutec abrange em cada uma das suas edições todos os avanços que caracterizam os mercados ambientais. São mais de dois mil expositores provenientes do mundo inteiro e cerca de 200 inovações a serem apresentadas em estreia mundial ou europeia. A principal motivação dos 60 mil profissionais franceses e internacionais aguardados no salão é a inovação em termos de soluções tecnológicas e organizacionais de temas emergentes ou de novas abordagens, passando pelas fileiras em fase de lançamento ou de estruturação e que constituem o ADN do Pollutec desde há 40 anos.

 

Vamos ter oito sectores principais em exposição. Qual (ou quais) tem apresentado progressos mais significativos?

A observação das inovações apresentadas este ano no salão revela uma tendência geral da busca por uma maior eficiência e valor acrescentado das soluções ambientais e que abrange todos os sectores. É o caso da pesquisa sistemática de soluções de grande valor acrescentado nos detritos, no biogás bio metano, nos metais e nos efluentes líquidos e da perseverança em encontrar soluções eficientes ou de diversificação para depósitos complexos (resíduos biológicos, biomassas contaminadas, resíduos diversas matérias, plásticos mistos…). É ainda o caso para as soluções de tratamento menos agressivas para o meio e uma vontade de reduzir os recursos mobilizados (energia, água, matérias-primas). Em paralelo a estes objectivos técnicos, outra evolução nítida é a busca de descentralização dos procedimentos com sistemas que, à falta de serem móveis, são rentáveis em pequenas quantidades e permitem o desenvolvimento de fileiras de proximidade num espírito de economia circular e um balanço ambiental mais favorável. São estas múltiplas abordagens que criam valor acrescentado e balanços económicos e ecológicos cada vez mais convergentes, ajudados pela grande expansão das ferramentas numéricas, dos objectos conectados e dos dados.

 

Este ano, a Pollutec inaugura dois novos espaços - Spot Innos e Vitrine de l’Innovation. O que motivou a sua aparição no salão e de que forma serão dinamizados?

O Pollutec é um salão de 93 mil m² que reúne oito sectores ambientais representados por cerca de 2300 expositores. Para valorizar a inovação no conjunto de todas as fileiras, enriquecemos o nosso dispositivo de valorização da mesma, a fim de a tornar facilmente identificável pelos visitantes, com novas animações e espaços. São propostos este ano e pela primeira vez os Spots Innos, espaços inteiramente dedicados à inovação de cada sector (transição energética e crescimento verde, Indústria do Futuro, Veículos fora de uso...) e uma Vitrine de l’Innovation uma operação inédita sem precedentes para apoiar a integração das inovações nas actividades. O salão confirma assim o seu papel como Capital Mundial da Inovação Ambiental.

 

A digitalização e conectividade são cada vez mais tendências e este sector não é excepção. Que oportunidades e desafios isto poderá trazer e como o Pollutec está a acompanhar essas tendências?

O salão Pollutec 2016 regista uma aceleração da integração das soluções digitais, dos objectos conectados e do tratamento de dados em todas as fileiras do ambiente. Esta ilustração é feita nomeadamente pelas start-up da primeira incubadora premiada da «GreenTech verte» reunidas no mesmo espaço, procedimento que se apoia na estratégia de Open Data do Estado. Mas a prova da sua popularidade é que podemos encontrar as novas soluções espalhadas por todo o salão e em todos os sectores sem excepção – temáticas da água, do ar, do solo, da energia, para a engenharia, as colectividades, a construção, o residencial, a indústria e até para a agricultura. Os desafios são os da eficiência, da economia dos recursos e da redução do impacto sobre o meio e, evidentemente, a sustentabilidade (através da manutenção preditiva possibilitada pelos dados recolhidos) e dos ganhos da produtividade. Esta aceleração explica-se pelo nível de maturidade do mercado em aceitar as novas ferramentas de gestão e pela consolidação e democratização dos suportes das telecomunicações indispensáveis ao seu desenvolvimento. Sublinhamos o interesse de dispor, no mundo do ambiente, de actores com capacidade em trabalhar com, abordagens multissectoriais de objectos conectados e de gestão de dados. A chegada de Objenious, filial do grupe Bouygues, é disso uma ilustração tal como o ganho de importância da M2Ocity nas soluções globais (e não só como operador de telecomunicações) ou ainda a chegada de actores como GreencityZen, start-up pioneira de objectos conectados para o acompanhamento industrial, ambiental e agrícola. Dentro do contexto global, a cidade sustentável parece constituir um motor à parte para todas as ferramentas que permitem gerir ou tomar decisões de desenvolvimento mais pertinentes.

A temática da cidade sustentável já fazia parte do programa das edições anteriores do Pollutec. Quais as novidades na abordagem do tema este ano?

Em respostas a tais expectativas, propomos este ano aos visitantes dois fóruns de conferências “Cidade Sustentável”, um direccionado para as infra-estruturas e redes e outro para os modos de decisão, de organização e de vida em evolução. Outra novidade: este ano, pela primeira vez, a organização de uma sessão de intercâmbios entre cidades do mundo inteiro no decorrer de uma conferência (sexta-feira, 2 de Dezembro às 10h00). O objectivo desta sessão é o de valorizar iniciativas inovadoras, diversas e localizadas, em diferentes patamares da cidade, decorrendo de esquemas circulares, em diversas cidades da Europa e do mundo. Favorecemos a participação de cidades europeias, na medida em que a economia circular representa, hoje, um compromisso coordenado à escala europeia. Para lá das iniciativas, trata-se também de se interessar às alavancas e meios das cidades (inovações tecnológicas e/ou organizacionais) para criar progressivamente autênticas estratégias integradas de economia circular, adaptadas ao seu contexto. A contribuição das cidades de países em vias de desenvolvimento será importante para enriquecer uma visão comum mais diferenciada da economia circular em contexto urbano.

 

De forma geral, como considera que as cidades estão a integrar a sustentabilidade no seu dia-a-dia?

As cidades e os territórios não se contentam em respeitar os regulamentos ambientais que permitem o desenvolvimento das nossas fileiras. Têm, antes de mais, como objectivo, de responder às expectativas dos cidadãos a curto prazo e com capacidades de investimento adaptadas. Dá-se o privilégio às abordagens pragmáticas a fim de identificar as soluções aqui testadas já noutros locais.

Quais são as expectativas para esta edição?

Dizem-me regularmente que o Pollutec é um salão que nos faz bem pois reúne os profissionais de um mercado que mexe e que inova para lá das expectativas do mercado. Durante esses quatro dias, realizam-se imensos encontros e esperamos que as ferramentas que desenvolvemos darão a possibilidade a todos de partirem com novos clientes/fornecedores, projectos/soluções adaptados às suas necessidades imediatas e com ideias para um futuro respeitador do ambiente.

 

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