2017-03-13

Rui Queiroga, Schneider Electric

O que é que está a tornar os edifícios mais inteligentes?

Os edifícios estão a ficar mais inteligentes. Este é um facto inegável e a prova disso mesmo está à sua volta – talvez até no edifício onde trabalha. Poderão, eventualmente, ajustar automaticamente a temperatura e as permutações de ar por hora com base na ocupação, seja em divisões individuais ou em toda a infraestrutura. Esses ajustes poupam energia e tornam os escritórios, escolas ou outros edifícios mais confortáveis. Consequentemente, esses prédios têm um custo de operação mais reduzido. Além disso, os ocupantes relatam um incremento de satisfação de 27%  e vários estudos demostram que a ventilação, controlo térmico e iluminação de alto desempenho tornam os ocupantes dos edifícios mais produtivos.


A pergunta que se impõe é: o que é que está a tornar os edifícios mais inteligentes? A resposta a esta questão está nos sistemas de gestão energética de edifícios (SGEE), que a Navigant Research define num relatório recente como “uma solução baseada em TI que alia a ampliação das capacidades de automação do hardware dos diferentes dispositivos de deteção, controlo e automação e/ou melhorias manuais com a utilização da informação das diversas fontes de dados”.


O mercado dos SGEE está em rápido crescimento e estima-se que, a nível mundial, as receitas em hardware, software e serviços irão aumentar dos atuais 2 700 milhões de dólares para 12 800 milhões até 2025. Este cenário representa uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 18,2%. Segundo a Navigant Research, mais de 90% das receitas vão ter origem na venda de software e serviços - algo que faz sentido, uma vez que a maior parte da atividade será na remodelação e atualização de edifícios existentes e implementação de novos sistemas de gestão de edifícios. Se os sensores, atuadores e válvulas de um edifício conseguem dar conta da tarefa, será melhor mantê-los e mudar apenas o software.


No que diz respeito à tecnologia, existe uma grande variedade de soluções para implementar  SGEE, mas os elementos comuns incluem normalmente:

  • Integração via protocolos abertos, tais como o BACnet, Modbus, KNX ou LonWorks;
  • Recolha de dados usando comunicações móveis e sem fios;
  • Software analíticos baseados em cloud acessíveis a partir da internet ou dispositivos móveis;
  • Centro de gestão e operações de redes.


Alguns fornecedores, os maiores, disponibilizam soluções end-to-end integradas usando estes componentes. As empresas mais pequenas podem estabelecer parcerias com outros fornecedores para produzir soluções abrangentes. O desafio comum que todos enfrentam é o mercado em permanente evolução, quer em termos de tecnológicos, quer  na forma de exploração e utilização.


E quais são essas utilizações? Podemos dizer, naturalmente, que incluem gestão energética (parte integrante do SGEE), sendo que os investimentos nesta área resultam em poupanças nas faturas de serviços, uma forma fácil de avaliar a melhoria de desempenho. Outra utilização passa por otimizar a manutenção e reparação, bem como melhorar a gestão dos ativos. O retorno do investimento pode ser na redução dos custos operacionais mais baixos e numa maior continuidade de serviço.


Outra opção de utilização, talvez surpreendente, é o uso de espaço. Os dados de monitorização de ocupação podem revelar onde o espaço está a ser desperdiçado e como poderá ser mais bem utilizado. Esta é uma situação que poderá ser particularmente benéfica em edifícios comerciais e da administração pública, onde, normalmente, o espaço é muito escasso.


Finalmente, uma tendência que está a promover a inovação na tecnologia e software é o envolvimento dos ocupantes dos edifícios. A Geração Millennium, que agora constitui o maior segmento da força de trabalho, sente-se à vontade com smartphones e aplicações associadas, e esperam determinados comportamentos dos sistemas automatizados, incluindo os SGEE. Dar-lhes estas capacidades de interação requer mudanças nos sistemas de gestão de edifícios.

Este é o cenário atual dos SGEE: um mercado em expansão e evolução com funcionalidades principais e fatores comuns. Basicamente, os edifícios estão a ficar mais inteligentes porque faz sentido do ponto de vista económico, seja em termos de poupança de económica, seja no aumento de produtividade e conforto dos seus ocupantes.

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