2017-09-26

Dez mandamentos para a “Cidade como plataforma digital”

Filipa Cardoso*

“City as a Platform” (Cidade como Plataforma) é o mote para o Manifesto assinado na semana passada, na cidade chinesa de Yinchuan. Durante o evento Smart City InFocus, que teve lugar entre os dias 19 e 21 de Setembro, mais de 40 entidades juntaram-se à associação industrial TM Forum num compromisso com dez princípios orientadores para o desenvolvimento de plataformas urbanas, com vista à criação de uma economia digital próspera, sustentável e inclusiva.

 

Entre os signatários estão cidades de todo o mundo – de Medellín a Dublin, Miami, Wellington, Yinchuan, Liverpool, Chicago, etc. –, a Comissão Europeia, empresas de telecomunicações e de tecnologias de informação e comunicação, como a Orange, a Tele2, Indra e a NEC, e associações e instituições internacionais, tais como FIWARE Foundation, Fraunhofer, Future Cities Catapult ou Leading Cities. A uni-los está a vontade de desenvolver ecossistemas digitais, à escala urbana, com base em dados e capazes de promover a sustentabilidade e a inclusão através de plataformas urbanas digitais.

 

No centro deste entendimento, estão dez princípios que deverão orientar a criação destas plataformas digitais, juntando os sectores público e privado. “Ao compreender, adaptar e aplicar os princípios de modelos de negócio de plataformas, as cidades podem tornar-se hubs de conhecimento e centros de inovação, aos níveis regionais ou globais”, lê-se no documento. “Cidades que o façam irão tornar-se sítios melhores para viver e estarão mais bem equipadas para gerir os desafios urbanos – com mais visão, precisão e transparência. Irão atrair talento, criar empregos e libertar inovação”, continua o texto.

 

Na proposta, apresentada por Carl Piva, vice-presidente da TM Forum, durante o evento, pretende-se que a cidade alcance um estado de “actualização urbana” constante, seguindo uma arquitectura dinâmica piramidal, cuja base assentará numa infra-estrutura tecnológica, na abertura de dados estáticos e em tempo real, numa plataforma urbana de dados. Tudo isto implicará o envolvimento e colaboração entre os vários stakeholders, quer da esfera pública, quer da privada, e um ecossistema de curadoria.

 

Segundo o Manifesto, a criação de um modelo de plataforma urbana aberto, flexível e interoperável vai também depender da utilização de standards comuns e de Open APIs, como, por exemplo, FIWARE.

 

“À medida que a população mundial se expande e as cidades se tornam mais densas, os programas para cidades inteligentes estão a contribuir para uma melhor qualidade de vida. Porém, a tecnologia por si só não vai resolver os desafios que os centros urbanos de todo o mundo enfrentam. Em alternativa, é necessária uma abordagem colaborativa entre os sectores privado e público para o desenvolvimento de economias locais com base em dados, para a criação de serviços que melhorarão vidas”, afirmou Carl Piva, também responsável pela iniciativa para cidades inteligentes da TM Forum.

 

Durante a semana passada, mais de 1000 profissionais ligados ao sector das smart cities, oriundos de cerca de 70 países, estiveram em Yinchuan. Pelo terceiro ano consecutivo, a cidade chinesa, que aspira a afirmar-se internacionalmente como estando na linha da frente das cidades inteligentes, recebe o evento organizado pela associação industrial para a transformação digital TM Forum. Para além da abordagem “City as a Platform”, nesta edição do Smart City InFocus, os holofotes estiveram em temas como big data, smart governance (governação), smart security (segurança), smart environment (ambiente), smart transportation (mobilidade e transportes), smart health (saúde) e smart tourism (turismo).

 

 

Os dez “mandamentos” do Manifesto “City as Platform” determinam que as plataformas urbanas digitais devem:

  1. … providenciar serviços que melhorem a qualidade de vida nas cidades: beneficiando os residentes, o ambiente e ajudando a encurtar a desigualdade digital;
  2. … juntar stakeholders privados e públicos em ecossistemas digitais;
  3. … apoiar os princípios da economia de partilha, assim como a agenda para a economia circular;
  4. … proporcionar condições para que as start-ups e as empresas locais inovem e prosperem;
  5. … reforçar a segurança e privacidade de dados confidenciais;
  6. … informar as decisões políticas e oferecer mecanismos para que os residentes tenham uma palavra a dizer;
  7. … envolver os governos locais na sua governança e curadoria, e são criadas e geridas por organizações competentes e reconhecidas;
  8. … ter como base standards abertos, as boas práticas da indústria e APIs abertos, de forma a facilitar uma abordagem neutra do fornecedor, com modelos de arquitectura acordados pela indústria;
  9. … apoiar uma abordagem comum a entidades organizadas de dados ou serviços entre cidades, possibilitando que cidades de todos os tamanhos façam parte da economia de dados crescente;
  10. … apoiar os princípios definidos no Objectivo para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas 11: tornar as cidades e as comunidade inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.

 

*A jornalista viajou a convite da TM Forum

 

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