2017-03-30

José Oliveira, CEO da BI4ALL

Cidades inteligentes, as cidades do futuro

O mundo está a mudar e, com ele, muitas transformações têm surgido. A tecnologia entrou a uma velocidade quase incontrolável na vida das cidades. Colocam-se sensores, automatizam-se serviços, procura-se a eficiência energética, reorganiza-se a mobilidade, criam-se e instalam-se aplicações para gerir o dia-a-dia e podemos afirmar, sem dúvida, que as cidades estão mais inteligentes.


Chamam-lhe cidades do futuro, cidades inteligentes ou até mesmo cidades do século XXI, designações não lhes faltam, assim como os conceitos para as justificar também não. Se antes ficávamos surpresos com o aparecimento dos carros autónomos, agora lidamos com o aparecimento das cidades inteligentes, que até então eram vistas como um conceito futurista.


As cidades estão a mudar. E a tecnologia contribui fortemente para esta mudança. O desenvolvimento da Internet of Things, a implementação de sensores, as redes de telecomunicações cada vez mais rápidas e resilientes, os sistemas de informação geográfica, o Cloud Computing e o Big Data vieram contribuir para que o mundo físico e o mundo digital se desenvolvam em conjunto e tornem possível a criação de cidades inteligentes.


Mas o que são, de facto, cidades inteligentes? Esta é a primeira e a mais importante questão a ser colocada para que consigamos entender para onde o mundo e a sociedade caminham. As cidades inteligentes são, na prática, cidades mais eficientes, automatizadas, sustentáveis e agradáveis para se viver.


Segundo a Gartner, em 2017, cerca de 380 milhões de coisas irão estar conectadas à grande infraestrutura da cidade inteligente. Esse número aumentará para 1,39 mil milhões de unidades em 2020, representando 20% de todas as coisas conectadas em uso nas cidades inteligentes. Cada vez mais temos a certeza de que as cidades tal como as conhecemos hoje deixarão de existir “amanhã”, pois caminhamos em direção ao futuro. Nesta fase, já se começam a implementar redes de transporte inteligentes, já existem carros conectados nas ruas e até mesmo os contentores já começam a ter sensores que possibilitam a monitorização do lixo. Por outro lado, indo mesmo mais longe, a tendência atual é que, para além dos contentores, sejam também instalados sensores nas cidades de forma a que recolham as maiores quantidades de dados.


No entanto, importa referir que uma cidade inteligente não é apenas uma cidade que consegue ter tudo interligado e acesso aos mais variados dados. Uma cidade, para ser uma cidade inteligente, tem mesmo de o ser, ou seja, é essencial que, para além de recolher todo o tipo de dados, saiba também o que fazer com eles e, sobretudo, que atue de acordo com eles.


Desta forma, a mudança na administração e gestão das cidades do futuro deve surgir enquadrada noutras revoluções, como por exemplo, a que estamos a assistir na Indústria - com a chamada Quarta Revolução Industrial, no qual as tecnologias, a automação, o Big Data, a interligação entre sistemas físicos e lógicos, a Internet of Things e a Cloud assumem um papel fundamental na mudança e na sua transformação. Em pleno século XXI, estas tecnologias, ao serem aplicadas nas cidades, irão contribuir, efetivamente, para melhorar a mobilidade dos cidadãos, a gestão de serviços, otimizar recursos, poupar energia e acelerar os serviços de segurança e de primeiros-socorros.

A ligação entre a Cidade e os Cidadãos apresenta excelentes oportunidades de melhoria ao nível da partilha de informação e na disponibilização de serviços. As soluções para smart cities pretendem dar resposta às necessidades imediatas da Cidade, sendo um veículo de comunicação entre a Cidade e os Cidadãos, o que contribui igualmente para a definição de uma estratégia de futuro.


É crucial que os dados produzidos sejam também usados para que se identifiquem tendências e possíveis anomalias no funcionamento diário das cidades inteligentes, de forma a se estimular a inovação de novas soluções que apoiem os cidadãos e os autarcas a tomarem as melhores decisões para o futuro das cidades, mas que, sobretudo, otimizem a experiência dos cidadãos inteligentes. Porque é fundamental pensar hoje as cidades de amanhã.

 

 

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