2017-07-18

Cinco novos paradigmas para Smart Mayors

Jorge Saraiva*

Com as eleições autárquicas marcadas para 1 de outubro e, consequentemente, a campanha eleitoral entre 19 e 29 de setembro, Portugal inicia o período de apresentação de candidaturas e de preparação dos programas estratégicos para cada cidade. Mas este é também o período de férias.

Por essas razões, gostaria de apontar cinco novos paradigmas que estão a mudar a forma de fazer política e de gerir as cidades:


1. Nova movimentação política
O meu amigo Simon Anholt, criador do “good country index” e prestigiado conselheiro de cidades e nações afirmou recentemente no DigitalTown Hall em Londres que a política já não se movimenta da esquerda para a direita e vice-versa. Atualmente, movimenta-se de frente para trás e de trás para a frente. O novo debate político centra-se sobre o progresso ou retrocesso! Entre o avanço para um mundo uma nova era repleta de ameaças e de oportunidades ou, a instalação de meios protegidos do choque do futuro. Essas são as movimentações políticas da maioria dos ciclos eleitorais e, como as cidades são os próximos centros competitivos, dominará brevemente o debate das cidades.


2. A supremacia das cidades e os Metro-Mayors

Se tivermos em consideração os dados da Pordata de 2016, existem, pelo menos, 100 cidades no mundo cujo PIB é superior ao nacional! Nesta lista, encontramos cidades como Madrid, cujo PIB é 50% superior a Portugal. Lisboa representava, em 2013, 37% do total nacional.

Face a este dilema e em nome do progresso, no Reino Unido, desenvolveu-se o Metro-Mayor (algo como o presidente dos presidentes de câmara de uma região). Na Alemanha, o Vale do Ruhr é a maior zona metropolitana do país, cujo PIB é praticamente o dobro do de Portugal!


Acredito que Portugal e os futuros autarcas terão de olhar para estas práticas,de forma a aumentarem a sua massa crítica, pois o futuro das regiões que governam depende fortemente disso.


3. Os autarcas de terceira geração

Adaptando o princípio de Boyd Cohen, as relações entre autarcas e residentes na cidade devem evoluir do paradigma da obra (o autarca decide e os cidadãos consomem), característico de autarcas de primeira geração, para o autarca de segunda geração, que consulta o povo e implementa orçamentos participativos.

Contudo, o novo paradigma é o de transformação da cidade numa plataforma onde o município, os privados e os cidadãos desenvolvem as soluções em conjunto. Estes são os autarcas de terceira geração!


4. Os ciclos não são de quatro ou 12 anos… São instantâneos!

Existe uma mudança silenciosa que está a afetar o mundo a muitos níveis. Esta mudança é catalisada por um fator: a velocidade do tempo!


Nunca antes os cidadãos foram tão ativos e interventivos como hoje. Contudo, a abstenção continua a crescer em cada ciclo. Os cidadãos não estão menos participativos, apenas não consideram os ciclos eleitorais como a forma correta para intervir. A razão desta falta de representatividade dos ciclos é a velocidade do tempo. As pessoas querem ações e reações imediatas!

Avaliar o efeito da velocidade do tempo no eleitorado é obrigatório no plano eleitoral, na forma como se desenvolvem campanhas e mesmo no repensar da própria democracia.

5.
Os Smart Citizens

Na última década no Reino Unido, surgiram várias associações, comunidades e ou movimentos cívicos cuja intenção é informar, catalogar e explicar os vários projetos políticos em ciclo eleitoral à população geral e o impacto destes na vida de cada família individualmente.

Casos como CitizensUK, MoreUnited e DemocracyClub são apenas alguns das muitas dezenas de movimentos que, não sendo partidários, são fundamentais para a eleição de muitos políticos e representam uma forma de estar nos desígnios das cidades e nações!  



*Jorge Saraiva é vice-presidente para a Europa da multinacional norte americana Digital Town cotada na bolsa (DGTW), cuja plataforma para smart cities está a ser implementada em mais de 23 mil cidades em todo o mundo. Além da sua colaboração com a DigitalTown, é também co-chair em Citizen Focus nas smart cities da Comunidade Europeia e co-chair da iniciativa da Comunidade Europeia: Citizen City. Iniciou a sua atividade profissional em smart cities em 2012 e, durante estes cinco anos, esteve envolvido em dezenas de projetos e muitos eventos/debates sobre quais as melhores práticas. “Felizmente, a minha atividade possibilitou-me conhecer grandes intervenientes na matéria e acesso a alguns meios essenciais para uma análise fidedigna”, exclama.

 


#CIDADÃO é uma rubrica de opinião semanal que convida ao debate sobre territórios e comunidades inteligentes, dando a palavra a jovens de vários pontos do país que todos os dias participam activamente para melhorar a vida nas suas cidades. As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.

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