2017-01-13

Alírio Costa, Primeiro secretário executivo da CIMTS

Desafios e oportunidades das Alterações Climáticas no Tâmega e Sousa

O Acordo de Paris, recentemente ratificado por Portugal, é um importante instrumento político para reduzir significativamente os riscos e impactos das alterações climáticas através do aumento da capacidade de adaptação, da promoção da resiliência do clima e do baixo desenvolvimento de emissões de gases de efeito estufa. O sucesso deste acordo depende de ações locais que envolvam os territórios e os cidadãos, pois estes estão dos dois lados da barricada. Se, por um lado, são um dos causadores das alterações climáticas associado ao consumo de recursos, por outro, são também os que mais vão sentir os seus efeitos.

 

O relatório de 2015 “Viver num clima em mudança” da Agência Europeia do Ambiente demostrou que já se fazem sentir as alterações climáticas na Europa, nomeadamente através do aumento das temperaturas médias globais, da alteração de padrões de precipitação e do aumento na frequência de fenómenos meteorológicos extremos.

Estas alterações fazem-se sentir no território do Tâmega e Sousa através de fenómenos como secas e ondas de calor mais frequentes e intensas e o aumento dos fenómenos extremos, em particular de precipitação intensa. Assim, a Comunidade Intermunicipal Tâmega e Sousa (CIMTS) pretende intervir em dois eixos, nomeadamente na mitigação e na adaptação. Para cumprir estes desígnios, a CIMTS está em processo de adesão ao Pacto de Autarcas em matéria de clima. Esta é a mais importante iniciativa urbana global ao nível do clima e da energia, que reúne milhares de autoridades locais e regionais que voluntariamente se empenham na implementação dos objetivos relacionados com o clima e a energia da União Europeia (UE) nos respetivos territórios.

Em termos de mitigação, a CIMTS elaborou um Plano de Ação para a Sustentabilidade Energética (PASE) que foi apresentado em setembro no seminário “O Futuro das Cidades do Tâmega e Sousa”. Este plano prevê a adoção de medidas e políticas que, por um lado, conduzem a uma redução do consumo de energia no território e, por outro, geram oportunidades, nomeadamente na transformação das cidades para smart cities, tal como discutidos pelos peritos intervenientes no seminário. Esta transformação deve ser adequada à dimensão e dinâmica territorial, envolvendo o cidadão e os stakeholders locais, atraindo investimento para o aumento da qualidade de vida dos cidadãos.


Em termos de adaptação e face às características e impactos locais, a CIMTS pretende elaborar um Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas (PIAAC) em linha com a Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas. Face às referidas vagas de calor, existe um aumento da probabilidade de ocorrência de incêndios florestais que causam avultados danos ambientais, patrimoniais e a perda de vidas humanas, implicando uma maior exigência da capacidade de intervenção no combate. Neste âmbito, a CIMTS tem em elaboração um projeto de reforço da instalação de redes de defesa da floresta contra incêndios.


Os desafios são enormes e, em especial, quando os recursos são limitados, é necessária a elaboração de planos como o PASE e o PIAAC, que forneçam uma visão clara e efetiva sobre as ações a tomar para que as mesmas estejam em linha com as especificidades locais, sem deixar de promover o desenvolvimento territorial.

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