Atualmente, na Europa, os edifícios representam cerca de 40% do consumo total de energia e são responsáveis por quase 40% das emissões totais de gases com efeito estufa. A época dourada da construção, juntamente com o aumento das expectativas em relação ao conforto dos espaços, resultaram em edifícios residenciais, comerciais e públicos que utilizam inclusivamente mais recursos energéticos do que os serviços de transportes.

Segundo um documento recentemente lançado pelas Nações Unidas, 68% da população mundial viverá em zonas urbanas até 2050. Desta forma, impõe-se uma rápida transformação das cidades e dos edifícios com o objetivo de alcançar uma maior eficiência energética na sua gestão e serviços.

Todos os novos edifícios deviam ser pensados tendo em mente o futuro, uma vez que é no seu projeto inicial que é determinado em grande parte a necessidade e o modo de utilização de energia, e recursos ao longo do seu tempo de vida útil. Ao mesmo tempo, não devemos esquecer a reabilitação e modernização dos edifícios existentes. Nos países da OCDE, cerca de 50% dos edifícios que serão utilizados em 2050 já estão construídos, portanto, a sua adaptação é igualmente importante. A digitalização pode ser a ferramenta-chave em ambos os casos ao proporcionar um potencial de eficiência energética na ordem dos 82% para os edifícios.

As tecnologias de gestão de edifícios, por exemplo, são uma das melhores ferramentas disponíveis atualmente, uma vez que se baseiam na medição e análise de dados de todas as instalações, o que permite descobrir novas oportunidades de poupanças e eficiência energética a todos os níveis, através do controlo e automatização dos sistemas. Assim fez a AEG, que gere mais de 59 instalações desportivas e de entretenimento na União Europeia e que graças ao EcoStruxure Resource Advisor, conseguiu poupar mais de três milhões de dólares.

Ou, no caso de um hotel, as mais recentes tecnologias de gestão de edifícios são capazes de ter em conta os níveis de ocupação dos quartos e desativar os sistemas se estes estiverem desocupados, ou utilizar sensores de CO2 para melhorar o controlo da temperatura, da qualidade do ar e o sistema de ventilação. Permite igualmente abrir e fechar as persianas automaticamente para aproveitar o sol e, assim, obter luz natural e calor sem custos associados. Como no Hotel Lasala Plaza, localizado na baía de San Sebastián, que conseguiu atingir cerca de 30% em eficiência energética, tal como o hotel Glòria de Sant Jaume em Palma de Mallorca.

Além da poupança de energia, a digitalização de edifícios também permite uma melhor otimização do espaço, uma questão como um enorme potencial no setor de serviços. A AIE (Agência Internacional de Energia) estima que o aumento da superfície construída nos países membros da OCDE irá duplicar o consumo de energia entre 2010 e 2050. Poupar em termos de superfície construída traduz-se diretamente em menores emissões de CO2, bem como, a preservação de habitats aturais e terras agrícolas. Ao utilizarmos superfícies de edifícios existentes de uma forma mais eficiente, podemos acrescentar valor aos ativos existentes e limitar a necessidade de construir novas infraestruturas.

 

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