Autores: Carolina Cruz, Associate Career da Mercer Portugal | Paula Marques, Principal Career da Mercer Portugal

 

Uma das competências mais misteriosas dos seres humanos é a nossa capacidade para imaginar o que não existe. Imaginamos constantemente… Mundos novos. Coisas novas.

E depois de imaginarmos, criamos, acrescentamos esses mundos e essas coisas à natureza. Mundos que não existiam antes. Coisas que não existiam antes.

Como o Vincent van Gogh dizia: “I dream of painting, and then, I paint my dream”.  Só a espécie humana imagina coisas e acrescenta coisas à natureza.

Este processo é dos mais complexos de entender, mas hoje sabemos mais como funciona, porque a tecnologia nos ajuda a perceber o que acontece no nosso corpo e no nosso cérebro quando imaginamos e criamos algo novo.

Fala-se tanto, hoje, sobre inovação, que esta palavra se tornou um lugar comum desprovido de um significado claro. A inovação surge dependendo do contexto e das circunstâncias. A internet, quando concebida, visava facilitar a colaboração. Pelo contrário, os computadores pessoais, sobretudo os de uso doméstico, foram inventados como ferramentas para a criatividade individual.

A colaboração que criou a era digital não sucedeu entre pares, mas também entre gerações. As ideias eram entregues por um grupo de inovadores ao grupo seguinte. A criatividade colaborativa, que marcou a era digital, incluiu a colaboração entre humanos e máquinas. Segundo Isaacson, a verdadeira criatividade da era digital, e não só, tem sido fruto daqueles que foram capazes de ligar as artes e as ciências.

A beleza era uma constante, era uma crença. A capacidade de o humano contemplar, observar o Mundo. Observar é um olhar refletido que o âmago, por meio dos sentidos, aplica aos objetos para adquirir o conhecimento preciso das suas qualidades, dos seus efeitos, dos seus relacionamentos e dos seus propósitos. Cada humano tem o seu. É uma premissa pela qual nos guiamos.

Como é que podemos ser criativos sem observação? Não podemos. Esta é a base fundamental de todos os conhecimentos. É escutar o não dito. É a capacidade de ver para além do óbvio. Quando não se observa, ou não se investiu o tempo suficiente na observação, apenas se pode conjeturar, e, por conseguinte, apenas se podem ter obtido noções menos verdadeiras, pouco profundas.

Quem observa é o corajoso. Corajosos para ver a frio. Para examinar a frio. O artista, o médico e o advogado têm de ser observadores a frio. Ser capazes de sentir. Têm um tempo próprio.

Sou capaz de inovar, quando crio, quando previamente observei, quando digeri. Tem a ver com ganhar perspetivas sobre mim, nós, o bairro, o clima, o ambiente, o planeta, o ruído lá fora... tudo!

Empatia é entrar em nós, nos outros e no Mundo. A primeira observação deveria ser connosco mesmos. Ao nosso mundo dentro. Ao nosso íntimo. Quando nos conhecemos, conseguimos ser curiosos pelo outro. A curiosidade essencial é connosco.

Crio quando aceito, ou quando necessito. Inovo quando me junto, quando sou melhor com a essência humana. Quando conheço os humanos e a natureza.

As pessoas que têm um sentimento de pertença no cruzamento entre as humanidades e a tecnologia ajudam a criar uma simbiose entre humanos e máquinas. Da Vinci é um dos melhores casos que explana a interligação entre arte e a ciência. Uma das melhores definições de inovação. Einstein, quando se sentia frustrado com a Teoria da Relatividade Geral, pegava no violino e tocava Mozart. Ada Byron, a Condessa de Lovelace, apaixonada por poesia, e estudante de matemática profunda.

E então? E se a Inovação fosse, afinal, a observação levada ao limite?

As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.