“Lagoa Smart City 2020” é a estratégia delineada pela cidade açoriana para os próximos anos, na qual a inovação, a sustentabilidade e a qualidade de vida são prioridades. Para a autarca de Lagoa, Cristina Decq Mota, a construção do caminho para uma cidade inteligente está já a ser feita e “contempla um forte compromisso público, aliado a uma atitude de liderança por parte dos cidadãos”.

 

De que forma Lagoa quer ser uma cidade inteligente?

A Lagoa é a primeira cidade da região a estabelecer um plano estratégico integrado com base no Horizonte 2020, assente em seis pilares e orientado para o cidadão, que promove um vasto conjunto de iniciativas incluídas numa rota de crescimento inteligente. Neste contexto, temos apostado no seu crescimento de forma integrada, privilegiando o apoio ao surgimento e desenvolvimento de actividades económicas sustentáveis, bem como em actividades promotoras de uma aumento da qualidade de vida das populações. O evento que recentemente realizámos, "Lagoa Smart City 2020 – Desafios das Cidades Inteligentes", representou, precisamente, o início de uma nova fase do plano estratégico, permitindo reforçar o compromisso público e a partilha por parte de diferentes stakeholders de visões diversas e soluções tecnológicas, possibilitando a difusão de conhecimentos e experiências muito enriquecedoras. A nossa linha de actuação baseia-se, deste modo, na implementação de diversos projectos, actividades e eventos no território municipal com enfoque em áreas ligadas à governação, à inovação, à sustentabilidade, à inclusão e à conectividade que permitem alcançar um elevado impacto regional e tornam a Lagoa, numa cidade  dinâmica e atractiva. É em iniciativas desta natureza que queremos continuar a apostar: que, por um lado, valorizam a interacção entre os diferentes stakeholders e permitem a construção de uma visão partilhada e, por outro, transformem a Lagoa numa cidade inteligente.

Quais os trunfos da cidade para assumir esse desafio?

Posso afirmar que temos alguns trunfos que são estratégicos para assumir este desafio, nomeadamente e, no domínio das infra-estruturas tecnológicas, a Lagoa acolhe o primeiro Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) dos Açores, o NONAGON, com o qual a autarquia mantém uma parceria de cooperação estratégica, fazendo parte dos membros fundadores e dos órgãos de governação. Para além disso, a localização deste PCT confere ao concelho um estatuto singular no contexto tecnológico regional, nacional e atlântico, sendo um local de excelência para fixação de empresas de base tecnológica e, no qual também se encontram disponíveis áreas edificáveis com possibilidade de estabelecer negócios e empresas de diversas áreas. Ainda nesta matéria, a cidade de Lagoa tem integrado redes e projectos estruturantes de forma a potenciar as iniciativas realizadas. Assim, o município já se encontra envolvido em candidaturas e consórcios europeus, como o Horizonte 2020 - Urban Europe e Programa MAC 2014-2020 – Smart Cities. Para além disso, também já iniciou os procedimentos internos que envolvem redes nacionais e internacionais, designadamente o Rener Living Lab - Smart Cities Portugal, o Covenant of Mayors e o Green Digital Charter. Consequentemente a Lagoa tem trilhado um caminho no sentido de assumir o desafio firme de se tornar uma cidade (mais) inteligente.

A insularidade é, muitas vezes, vista como um obstáculo. Como tem sido contornado?

Os Açores e, a Lagoa em particular, têm, claramente, mostrado, ao longo dos últimos anos, que a insularidade, mais do que um obstáctulo é um elemento que incentiva a procura incessante por uma melhor qualidade de vida, associada a um desenvolvimento económico num território privilegiado em termos de natureza. Quando se observa a realidade actual global, o conceito de ilha desvanece-se ainda mais. As tecnologias de informação e comunicação surgem como elementos facilitadores que derrubam os obstáculos e as limitações criadas pela localização e/ou distância. Neste sentido, as condições insulares devem ser entendidas como sendo um factor de atracção. As ilhas surgem como ecossistemas próprios, onde se consegue impulsionar de forma mais harmoniosa e controlada o desenvolvimento de diversos actividades e eventos. Como tal, a Lagoa assume a sua condição de ultraperiferia, afirmando-se como laboratório vivo, equidistante dos continentes Europeu e Americano, localização ideal para incubação de projectos multinacionais.

Tendo em conta o contexto de Lagoa, o que é mais urgente: uma visão mais tecnológica ou uma visão mais social?

O projecto Lagoa Smart City 2020 procura integrar estas duas visões de uma forma equilibrada, sem nunca esquecer que o elemento central de toda a engrenagem é o cidadão. Os grandes desafios para as cidades passam por conseguirem conjugar a atracção e fixação de pessoas, instituições e empresas com a conservação e sustentabilidade dos recursos naturais. Os projectos que têm sido desenvolvidos na Lagoa e aqueles que se encontram a ser equacionados reflectem a promissora realidade desta cidade. Numa visão mais social, a Lagoa atrai pelo seu potencial e pelo seu carácter reprodutivo, multiplicador e intergeracional, reflexo de uma política de desenvolvimento consolidado. Sob uma óptica mais tecnológica, a cidade é reflexo da aposta no comércio e produção de tecnologias, métodos de investigação inovadores que culminam na modernização da estrutura económica local. Assim, a Lagoa afirma-se, cada vez mais, como sendo um concelho atractivo para empresas, empreendedores e projectos inovadores e, acima de tudo, um local de excelência para viver.

Qual o papel do cidadão na vossa estratégia?

O cidadão tem, efectivamente, um papel fulcral nesta estratégia. Como sabemos, as pessoas procuram, cada vez mais, uma elevada qualidade de vida, ao mesmo tempo que, exigem mais informação, maior disponibilidade de serviços públicos e, ainda, espaços que respondam às suas necessidades sociais, de lazer e culturais. Neste sentido, o cidadão é o elemento principal do modelo de desenvolvimento do projecto Lagoa Smart City 2020. As pessoas são chamadas a ter um duplo papel: de contributivas e de receptoras em todas as fases do processo. Por um lado, incentiva-se o surgimento de projectos e actividades que promovam a Lagoa como um todo, valorizando as especificidades de todas as actividades e o capital humano do concelho. Procura-se, ainda, incentivar práticas quotidianas de empreendedorismo e de redução dos desperdícios e dos impactos ambientais. Por outro lado, todas as iniciativas são equacionadas de forma a garantir um desenvolvimento harmonioso entre os domínios económico, social e ambiental que culmine no aumento da qualidade de vida de todos os que habitam no município. A construção do caminho para uma cidade inteligente contempla, desta forma, um forte compromisso público, aliado a uma atitude de liderança por parte dos cidadãos. O modelo promove, ainda, a elaboração de um alinhamento estratégico concertado entre os diversos stakeholders públicos e privados como forma de colocar os recursos e os resultados ao serviço dos cidadãos.

O que torna Lagoa uma cidade atractiva para viver?

Existem muitos aspectos a apontar, desde logo, a localização geográfica, as condições naturais e ambientais e as condições habitacionais do concelho da Lagoa tornam este concelho uma opção de residência para muitos. A estas características acresce a própria política pública do município  que tem contribuído para o desenvolvimento do concelho, numa óptica de modernidade e progresso, onde o bem estar das pessoas é a principal prioridade. Através da utilização das novas tecnologias, a edilidade potencia e promove uma ligação de proximidade com os cidadãos, facilitando a relação com todos os residentes, bem como, com aqueles que pretendem se fixar no concelho. A Lagoa é, por conseguinte, uma área de atracção e fixação de população. Se, para alguns, surge como o concelho ideal para habitar, para muitos outros, surge como o espaço ideal para viver, trabalhar e educar as futuras gerações.  Aliás, nos últimos anos, fruto de uma constante aposta no tecido empresarial local e na valorização das actividades comerciais , a Lagoa tem conseguido promover o crescimento das actividades económicas locais, fonte de rendimento, emprego e bem-estar para as famílias aqui residentes. Por outro lado, relembro que a Lagoa é dotada de uma rede de escolas com boas infra-estruturas e de uma unidade de saúde pública moderna, oferecendo, desta feita, aos seus habitantes bons cuidados de saúde e educação, adequados às necessidades da população local. Não tenho dúvidas de que, a Lagoa, hoje, assume-se como concelho inovador e empreendedor, atraindo jovens e empresas dinâmicas, não descurando todos aqueles que já nela se encontram fixados desde há muito e que fazem parte do património cultural e social da cidade.

Nesta visão, como será Lagoa em 2020?

Numa perspectiva visionária, acredito que a Lagoa será, neste médio prazo, de 14 anos, uma cidade mais sustentável que envolverá activamente as pessoas, as empresas e as instituições; uma cidade de todos e para todos, ou seja, mais inclusivo, com um crescimento competitivo baseado na inovação, conhecimento e investigação e, também ,catalisadora de empresas inovadoras e empreendedores proactivos com projectos e actividades regionais, nacionais e internacionais. Em geral, e para 2020, veremos, certamente, uma cidade com pessoas mais qualificadas, com mais infra-estruturas de apoio e com mais recursos e oportunidades de aprendizagem e formação. Um território dinâmico, com melhores condições de vida e com uma maior participação, que ser quer, mais activa dos cidadãos num concelho mais inteligente.