Colocar Vila Nova de Famalicão no mapa das cidades inteligentes portuguesas é o objectivo do acordo de parceria celebrado entre o município famalicense e a operadora de telecomunicações NOS, no passado dia 15 de Fevereiro. A partilha de conhecimento e informação entre as entidades é o ponto de partida para a implementação de uma Plataforma de Inteligência Urbana, que pretende inovar os serviços municipais em diversas áreas, como a mobilidade, resíduos, protecção civil ou energia, dar “suporte às operações e ao dia-a-dia do funcionamento do território” e trazer uma dose de “boa saúde” à cidadania.

A Plataforma de Inteligência Urbana – o Smart Center – vai consistir num centro de comando e controlo, na instalação e activação de uma plataforma open source para a gestão urbana integrada e na interligação ao Data Center NOS. Com isto, numa primeira fase, o serviço vai integrar as aplicações existentes, o que permitirá correlacionar os dados e disponibilizar uma solução de Gestão de Ocorrências ao concelho. Desta forma, refere a operadora de telecomunicações, os serviços da autarquia passarão a ter “conhecimento detalhado sobre todos os locais e natureza específica das ocorrências reportadas por funcionários e munícipes em tempo real, permitindo uma rápida intervenção e resolução das mesmas”. Para a gestão municipal, as vantagens deste Smart Center são evidentes: “Isso permitir-nos-á gerir a cidade de uma forma mais eficiente e manter os famalicenses mais informados e atentos sobre as diversas ocorrências, inclusivamente com o seu contributo. Acredito que cresceremos enquanto comunidade com este processo”, afirma Paulo Cunha, presidente da câmara municipal de Vila Nova de Famalicão.

A cidade junta-se, assim, a Oeiras e Lagoa como municípios nacionais que contam já com o apoio da NOS no desenvolvimento e implementação de ferramentas de inteligência urbana. No entanto, a operadora garante que as soluções são “customizáveis às necessidades e prioridades de cada município”, havendo a necessidade de um “conhecimento aprofundado e proximidade” das equipas de projecto, o que permite à NOS aplicar uma “abordagem transversal” aos desafios colocados pelas autarquias. “No caso de Vila Nova de Famalicão, a solução é extremamente abrangente e vai permitir ao município ter acesso em tempo real a vários indicadores de leitura de ocorrências no concelho, ao nível dos resíduos, consumos e falhas energéticas, mobilidade e trânsito, protecção civil, infra-estruturas, entre outros”, enumera Manuel Ramalho Eanes, administrador executivo da NOS.

Para além disso, também o munícipe vai poder dar o seu contributo, “alimentando” a solução com informações. “O cidadão vai poder interagir mais com a sua cidade, envolver-se e participar mais nas suas dinâmicas. Estou convencido de que a partilha e a disseminação da informação podem trazer muito boa saúde à cidadania”, exclama o autarca.

“Ao dotar a autarquia de melhores ferramentas de planeamento, gestão e previsão assente em informação credível, coerente e actualizada, bem como ao promover a integração de actividades, aplicações e serviços relacionados com as cidades e minimizar os custos de operação da autarquia e ao maximizar a eficiência operacional dos diferentes prestadores de serviço, reforça-se naturalmente o desenvolvimento local por via da eficiência e da participação cidadã”, esclarece o gestor da NOS.

Objectivos para o futuro próximo

Mas a colaboração entre as duas entidades não termina na implementação da plataforma tecnológica e pretende-se que prossiga no tempo com vista à resolução dos desafios do município. “Tendo em consideração os desafios que a cidade enfrenta ao nível ambiental e territorial”, a ideia é, numa segunda fase, estudar novas soluções que beneficiem a cidade e a qualidade de vida das pessoas. “Sabemos que os desafios da autarquia são permanentemente renovados e que a solução é flexível e escalável para dar resposta a todos eles, pelo que o papel de verdadeiro parceiro tecnológico da NOS nunca se esgota”, antevê Manuel Ramalho Eanes.

Encarando a inteligência como a “receita ideal” para a superação de qualquer desafio, para o município, a parceria está alinhada com os objectivos de longo prazo – “[Olhamos para o conceito de cidade inteligente] Como algo que está no nosso horizonte e que queremos alcançar de forma plena e substancial”, confessa Paulo Cunha, explicando: “Vivemos numa sociedade com recursos tecnológicos que alavancaram a sociedade de informação em que vivemos. Não rentabilizar estes recursos, não acompanhar esta dinâmica é perder o desafio do futuro e da competitividade e estes são os principais objectivos para nós. Queremos afirmar Vila Nova de Famalicão pela sua qualidade de vida e pelo seu potencial, e tanto um como outro, num futuro muito próximo, vão estar dependentes de uma gestão inteligente da cidade”.

O Smart Center não é a única iniciativa nesse sentido, conta o autarca. “Temos todas as áreas municipais em alerta para este assunto. Há poucos dias, por exemplo, apresentamos um projecto piloto de economia circular assente na reutilização de materiais em circuito fechado que envolve os serviços da Protecção Civil da autarquia e a empresa famalicense Tec Pellets e que permite aquecer as escolas do concelho a partir dos sobrantes da limpeza florestal e urbana. Estamos a instalar pontos de carregamento eléctrico na cidade e a investir fortemente na eficiência energética dos nossos equipamentos. Entretanto, estamos a avançar para um amplo processo de requalificação urbana que mudará a face de Vila Nova de Famalicão para uma cidade mais amiga das pessoas, do ambiente e da cultura. Tudo isto são contributos importantes para uma cidade mais inteligente”, considera.

Por sua vez, a NOS está também apostada em dar continuidade à expansão da sua rede de smart cities em todo o país. “A inovação tecnológica representada no paradigma das smart cities engloba muitos elementos e actores, dos quais a autarquia é um deles, mas cuja importância é determinante. Independentemente das soluções tecnológicas encontradas no domínio das smart cities, observamos com orgulho as ambições e trabalho de modernização das autarquias para melhorar a prestação dos seus serviços, reduzindo os custos inerentes, em nome de uma maior sustentabilidade e de uma melhor qualidade de vida para os seus munícipes”, conclui o responsável da operadora.