Na busca da eficiência global das cidades, a reabilitação urbana tem uma palavra a dizer e deve ser “olhada como uma pedra basilar”. O alerta é deixado por Carlos Duarte, Engineering offices & Training Center Manager da Schneider Electric Portugal, que participou, entre 7 e 12 de Novembro, na IV Edição da Semana da Reabilitação Urbana, no Porto. Entre as soluções disponíveis para melhorar o desempenho energético dos edifícios existentes e, assim, reduzir a pegada ambiental das cidades, o especialista destaca o papel da inovação digital.

“A inovação digital é um dos princípios basilares da reabilitação energética. A mobilidade e simplicidade das soluções, de navegação fácil e do controlo intuitivo, quer seja através de painéis tácteis, quer seja através de smartphones ou tablets, são baseadas em processos de inovação que permitiram criar produtos tecnologicamente avançados. Tudo isto torna cada vez mais fácil a gestão inteligente do consumo energético, enquanto convergem para o máximo de comodidade e conforto”, explica.

Responsáveis por cerca de 40% do uso de energia a nível global e por um terço das emissões de gases com efeito de estufa, os edifícios são um sector determinante para que se atinja a meta da descarbonização e para que se cumpram os desígnios para o clima do Acordo de Paris. Para Carlos Duarte, reduzir o uso de energia do edificado e, consequentemente, o impacto ambiental das cidades, “requer uma análise mais minuciosa”. Para além da aposta tecnológica, é também necessário reforçar o debate, acrescenta. “O que temos hoje é um cenário de enorme potencial para atingir significativas reduções (entre 30 a 80%) do consumo energético dos edifícios. Além das acções centradas em soluções tecnológicas testadas, validadas e comercialmente disponíveis, é também necessário continuar a promover discussões globais e regionais sobre novas políticas em torno deste tema. Juntar as soluções, os produtos e as tecnologias a bons enquadramentos políticos (isto sem esquecer a interacção com as pessoas e consumidores que são também hoje produtores de energia) é a receita certa para encarar o desafio da redução do consumo energético das cidades”, defende.

Nos últimos anos, o sector da construção, quer novos edifícios, quer na área da reabilitação, em Portugal, foi severamente afectado pela crise. Não obstante, este ano, cidades como Lisboa e Porto têm registado um ligeiro aumento da actividade da reabilitação urbana. Estarão estas obras a ser feitas com vista à melhoria do desempenho energético dos edifícios? A resposta não é clara e, segundo Carlos Duarte, “ainda existe muito trabalho a ser feito nesse domínio”.

“A componente energética está agora a entrar num novo capítulo da sua história. Uma nova era digital começa a ter um impacto enorme nas nossas vidas, na forma como nos relacionamos, como fazemos negócios, tal como a electricidade o fez em finais do século XIX, numa onda de inovação que está a tornar indistintas as fronteiras entre a energia e o espaço digital com novos modelos económicos e oportunidades. Neste contexto, é fundamental continuar a apostar nas soluções e nas tecnologias que permitem uma reabilitação energética, que vão além do básico da distribuição eléctrica e que são mais eficientes, fiáveis, seguras, escaláveis e com elevado desempenho. É também fundamental dotar os profissionais das informações certas e consciencializá-los do papel fundamental que eles terão nas cidades o futuro”, conclui o responsável da Schneider Electric.

Na última década, a eficiência energética dos edifícios tem estado debaixo de olho da Comissão Europeia e as novas construções vão seguindo requisitos de desempenho cada vez mais rigorosos, impostos por diplomas com aplicação nas leis nacionais de cada Estado-Membro. Todavia, grande parte do parque edificado existente na Europa foi construído antes da existência destes regulamentos, o que faz deste o grande desafio ao nível da eficiência energética nos edifícios. Embora existam regras também para os edifícios existentes, os requisitos não são ainda tão exigentes como os para a nova construção, assim como a sua aplicação é também mais difícil.