O relatório “Cidades em risco” analisou 620 cidades de todo o mundo, entre as quais Lisboa, Porto, Braga, Cascais e Guimarães, e concluiu que 85% já experiencia impactos reais decorrentes das alterações climáticas. Apenas 46% das cidades realiza avaliações de vulnerabilidades, mas as que o fizeram tomam medidas efectivas seis vezes mais do que aquelas que não o fizeram. O relatório, da CDP - organização sem fins lucrativos que se dedica à gestão e análise de impactos ambientais - foi lançado ontem.

Num lote de 620 cidades globais, incluindo cinco cidades portuguesas, o recém-publicado relatório “Cidades em risco” conclui que 85% de todas as cidades analisadas - com uma população combinada de 517 milhões de pessoas - já sente impactos reais em resultado das alterações climáticas, tais como inundações, secas ou calor extremo. Lisboa, Braga, Porto e Cascais integram este lote. A CDP, organização responsável pela elaboração e publicação do relatório, considera que a acção das cidades é ainda “insuficiente para alcançar resiliência”.

O relatório conclui, ainda, que as cidades que realizaram avaliações das suas vulnerabilidades e da capacidade de se adaptarem aos riscos - apenas 54% do total analisado - adoptam seis vezes mais medidas concretas de adaptação às alterações climáticas. Isto significa que estas cidades “estão mais bem preparadas”, conclui a CDP em nota de imprensa.

Tendo por base dados de 2018, o relatório agora tornado público revela as três principais categorias de riscos actualmente enfrentados pelas cidades avaliadas: inundações, com 71% das cidades a reportar este risco, o calor extremo, com 61%, e as secas, com 36%. Foram ainda reportados riscos sociais: 40% das cidades demonstra um aumento do risco associado às populações já anteriormente vulneráveis, assim como um aumento da procura de serviços públicos como a saúde (33%) e o aumento da incidência e prevalência de doenças (25%).

Entre as acções de adaptação às alterações climáticas mais levadas a cabo pelas cidades, destacam-se as acções relacionadas com a prevenção de cheias (26%) e com a gestão de crises, que contempla a implementação de sistemas de aviso e evacuação (20%).