Reduzir as perdas de água é um dos maiores desafios das cidades nos dias de hoje. Em Aarhus (Dinamarca), as perdas de água no abastecimento baixaram para os 6%. O caso da segunda maior cidade dinamarquesa, que pretende construir a ETAR “mais eficiente do mundo”, foi apresentado em Lisboa, numa sessão realizada na última quinta-feira, em antecipação do Congresso Mundial da Água do próximo ano, que decorrerá em Copenhaga. O encontro, que contou com a presença de Pia Jacobsen, engenheira chefe da Aarhus Vand (empresa municipal de serviços de água de Aarhus) e do embaixador dinamarquês em Portugal, decorreu na residência oficial do embaixador da Dinamarca em Lisboa.

Em 2016, vários concelhos portugueses registavam perdas de água superiores a 70%, casos de Cabeceiras de Basto (72,2%) ou Macedo de Cavaleiros (81,2%). Na Dinamarca, as figuras mostram resultados muito mais animadores: em média, as perdas de água no processo de abastecimento, situam-se nos 7,8%, abaixo do limiar definido pelo país nos anos 90, de 10% - e acima do qual é cobrado um imposto. Foi no contexto de uma visita da engenheira-chefe da Aarhus Vand, Pia Jacobsen, a Portugal, que a residência oficial do embaixador da Dinamarca em Portugal, Lars Faaborg-Andersen, recebeu, na última quinta-feira, um evento destinado a divulgar a política de gestão de água dinamarquesa e o caso de Aarhus, a segunda maior cidade do país nórdico, onde as perdas de água foram reduzidas a 6%.

Desde os anos 80 do século XX, o consumo de água na Dinamarca baixou 40% e hoje o consumo actual residencial é de 106 litros de água diários. Em 2016, este consumo em Portugal ascendia aos 124 litros de água por dia, segundo dados da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSA).

Com um imposto nacional cobrado a cidades que apresentem perdas de água no abastecimento superiores a 10% e com a integração no projecto LEAKman - que visa a redução das perdas de água -, a cidade de Aarhus encontrou incentivos reais para chegar aos 6% que hoje regista. Em Lisboa, em 2016 e a título de exemplo, este número fixava-se nos 10,5%.

A Dinamarca depende inteiramente de depósitos de água no solo para o abastecimento de água e a cidade de Aarhus, com mais de 330 mil habitantes, não é excepção. Ali, a Aarhus Vand é responsável por servir cerca de 275 mil pessoas e todos os anos abastece a cidade com 15 milhões de metros cúbicos de água potável, sendo igualmente responsável pelo tratamento de 30 milhões de metros cúbicos de água anuais.

A cidade de Aarhus, à semelhança de toda a Dinamarca, tem a “tradição de não desinfectar a água”, “nem no serviço de abastecimento”, conta a engenheira chefe da Aarhus Vand, Pia Jacobsen. Assim, a importância de não poluir as águas no subsolo ganha maior urgência. Para cumprir este desígnio, procurando garantir a preservação dos recursos aquíferos, a empresa municipal aposta em acordos compensatórios para agricultores locais que pratiquem agricultura biológica e não utilizem pesticidas, mas aposta também em investimentos na florestação, campanhas de sensibilização e no fecho de poços não utilizados.

Em 2026, a empresa municipal pretende ter em operação a estação de tratamento de águas residuais (ETAR) “mais eficiente do mundo”. Segundo Pia Jacobsen, esta será uma central “modular, automatizada e sustentável” e a sua construção rondará os “200 milhões de euros”. A actual estação de Marselisborg vai, assim, dar lugar à Aarhus Rewater.

Actualmente, a ETAR da Aarhus Vand produz 150% da energia que consume, sendo completamente auto-suficiente em termos energéticos. “Se pudermos tratar mais água, podemos produzir mais energia” - esta é uma “situação win-win”, confessou Pia Jacobsen aos presentes na sessão realizada em Lisboa.

Para o futuro, o objectivo passa por apostar num sistema de abastecimento dual da cidade, abastecendo as habitações e indústrias de água não potável (para utilização em casas de banho, por exemplo), tirando partido das águas pluviais, mas também de água potável.

A sessão realizada na residência oficial do embaixador da Dinamarca em Portugal - e que contou com a presença e participação do embaixador -, realizou-se no âmbito da presença da engenheira chefe da Aarhus Vand no país (fruto de uma parceria da empresa municipal dinamarquesa com a Águas de Portugal) e em antevisão do Congresso Mundial da Água, que decorrerá em Copenhaga, de 18 a 23 de Outubro de 2020. No evento, marcaram presença várias pessoas ligadas aos sectores da água e energia de Portugal.

 

Errata: notícia corrigida às 18h de 07 de Novembro. Na versão anterior, lia-se " (...) fruto de uma parceria da empresa municipal dinamarquesa com a EDP", sendo a informação correcta "(...) fruto de uma parceria da empresa municipal dinamarquesa com a Águas de Portugal".