A MasterCard acaba de lançar um projecto piloto de pagamentos contactless nos transportes públicos de Madrid que promete “reduzir custos e melhorar a segurança de passageiros e motoristas numa frota de 33 autocarros”. Lisboa ou Porto podem ser as cidades que se seguem, até porque “as oportunidades estão todas em cima da mesa”.

Recorrendo à experiência de Londres, o novo sistema implementado na capital espanhola permite, em termos simples, pagar por um bilhete com quaisquer cartões bancários contactless, sendo que os passageiros apenas têm de aproximar o cartão do terminal de pagamento e entrar, dispensando filas para adquirir ou recarregar títulos de transporte. Para começar, os testes vão ser levados a cabo em duas das principais carreiras de autocarro de Madrid, mas a ideia é que, passadas oito semanas de experimentação, o sistema seja alargado à totalidade dos mais de 800 mil clientes que fazem regularmente estas rotas - uma delas faz a ligação do aeroporto de Barajas à estação de Atocha, no centro de Madrid.

A “rapidez e a conveniência de utilização” deverão resultar numa redução do tempo de embarque, assegura a MasterCard que conta com o apoio do banco Santander e da empresa de transportes públicos de Madrid nesta iniciativa. Além disso, o projecto promete aumentar a “simplicidade e a segurança, porque elimina a necessidade de andar com notas ou moedas, de ter o troco correcto - ou até de comprar previamente o bilhete -, isto porque cada transação tem o seu próprio código de segurança único”.

“Trata-se de um piloto que tenta provar uma experiência de consumidor que é fácil e que tem como objectivo alcançar, para já, os clientes esporádicos: alguém que entra no autocarro sem estar munido de tarifas especiais ou dos tradicionais passes sociais, que pode ser um turista que chega à cidade e pode utilizar o seu cartão [contactless] com toda a vantagem dentro do sistema de transportes”, explica, à Smart Cities, Paulo Raposo, country manager da MasterCard Portugal. “Com base nesta experiência, a ideia é alargar isto à rede de transportes”, acrescenta.

Madrid, no entanto, não é caso único na implementação de soluções de pagamento contactless nos transportes, muito pelo contrário. Foi, sobretudo, a operação que foi feita em Londres, beneficiária do alto patronício do mayor londrino, que inspirou a replicação deste modelo na capital espanhola. Hoje, nos autocarros de Londres, já não se consegue pagar um bilhete com libras esterlinas: ou se usa o famoso Oyster – a solução que foi desenvolvida para os transportes da cidade – ou um cartão contactless, MasterCard ou Maestro.

“O que se pretende, especialmente numa cidade muito movimentada como Londres, é que os cidadãos não tenham de fazer fila para comprar ou carregar o título de transporte e que possam usar o cartão [contactless] com que pagam as suas compras para entrarem, directamente, no metro, nos autocarros ou nos comboios”, descreve o country manager da MasterCard Portugal, acrescentando que o objectivo é que os cidadãos possam usufruir “sempre da melhor tarifa que está disponível na hora em que entram dentro do sistema de transportes”.

Para além da facilidade do acto de pagamento para os cidadãos, as empresas de transporte também saem beneficiadas, uma vez que se “torna muito mais fácil a manipulação de todos os fluxos financeiros que se geram com a bilhética dos transportes”, elucida Paulo Raposo.

... e as cidades portuguesas?

Será, então, este modelo de soluções de pagamento contactless facilmente replicável em Portugal? “Penso que há uma procura, mas tem de ser um trabalho de consciencialização que não pode ser feito de uma forma casual, falando-se com a empresa A ou B”, explica Paulo Raposo, aludindo ao sucesso do caso de Londres que derivou, em parte, do alto patrocínio do mayor da cidade. “Foi um endorsement e um compromisso fundamental para que os transportes adoptassem a tecnologia, uma vez que havia a necessidade objectiva de facilitar o fluxo de pessoas e evitar paragens, isto porque o metro de Londres chega a ter filas que saem para a rua”, conta.

Aniquilando o risco de assaltos, perdas de dinheiro ou obrigar os autocarros a ter de parar para ‘fazer a caixa’, tudo isto “faz sentido quando se multiplica numa rede de transportes com milhares de autocarros e milhões de passageiros por dia ou semana”. Por essa e outras razões, a MasterCard não exclui a hipótese de vir a criar uma parceria com municípios portugueses: “as oportunidades estão todas em cima da mesa. Este é um tema recorrente nos diferentes contactos que temos com câmaras municipais ou com a secretaria de Estado dos Transportes que se mostram sensíveis”, avança Paulo Raposo.

“Este sistema de pagamentos teria inúmeras vantagens em cidades como Lisboa ou Porto, uma vez que a tecnologia contactless tende a generalizar-se em Portugal. Para além de todos os benefícios que proporciona às empresas de transporte público e aos passageiros locais, é também um sistema amigo dos turistas que nos visitam e que poderiam, de uma forma mais fácil, rápida e mais conveniente, utilizar o sistema de transportes públicos para visitar a cidade”, fundamenta. Isto porque, quando falamos de uma cidade inteligente, “temos de pensar na questão da mobilidade, não só para os cidadãos que todos os dias vivem dentro da cidade mas também daqueles que nos visitam”, salienta Paulo Raposo. “Se nós pensarmos na penetração de cartões contactless em todo o mundo e, em particular, na Europa, penso que é vantajoso alavancarmos as soluções que vamos criar dentro de uma cidade com tecnologias abertas e com tecnologias standard que são válidas em qualquer lugar do mundo”, conclui.