“Precisamos de uma revolução na mobilidade”, foi assim que Miguel Gaspar, vereador com as pastas da Mobilidade, Segurança e Smart Cities em Lisboa, abriu a conferência “Mobilidade no Futuro”, realizada a 26 de Fevereiro, no Museu das Comunicações, em Lisboa. No evento, promovido pela consultora EY, e que contou com a participação de vários players nacionais e internacionais, a cidade de Lisboa assumiu a pretensão de “alcançar as metas” europeias e mundiais e foi também representada pelo presidente da Carris, Tiago Farias.

No evento realizado no Museu das Comunicações, em Santos, reuniram-se empresas privadas, representantes municipais e empreendedores do mundo das start-ups para falar das novas propostas disruptivas na área da mobilidade e de como será o futuro do sector. Numa manhã caracterizada pelas apresentações em inglês - já que os participantes não vinham, apenas, de Portugal -, a cidade de Lisboa destacou-se. A presença do vereador da Mobilidade e Segurança e do presidente da empresa de transporte público de Lisboa - a Carris -, foram alguns dos pontos altos da conferência.

“Se não mudarmos o espaço público nas cidades, não mudamos a mobilidade”

A partir de Abril, a área metropolitana de Lisboa vai passar a contar com um título de transporte único, no valor de 40 euros, numa iniciativa apoiada pelo Governo e que vem facilitar a actual situação de multiplicação de títulos de transporte e de operadoras, servindo de incentivo à opção pelo transporte público. Na intervenção que abriu a conferência, Miguel Gaspar salientou a importância deste passo e reiterou a vontade da autarquia lisboeta de cumprir com as metas acordadas no âmbito do acordo climático de Paris e das metas de transporte definidas pelo White Paper 2011: “este é o tempo de agir”, disse.

Numa apresentação centrada na importância da intermodalidade, do transporte público, dos novos meios de mobilidade partilhada e dos modos suaves, Miguel Gaspar lembrou que Lisboa “só tem mais um” quadro comunitário de apoio “para financiar as mudanças necessárias”, lembrando ainda que há metas no sector dos transportes a cumprir, como a redução nas emissões de gases com efeito de estufa de 26% no sector dos transportes até 2030, definida pelo Acordo de Paris.

Recentemente responsável também pela área das smart cities em Lisboa, Miguel Gaspar apontou a repartição modal como um dos grandes desafios da mobilidade em Lisboa, encontrando-se a meta da autarquia fixada na transferência de 150 mil pessoas do automóvel particular para os modos suaves, o transporte público ou os sistemas de partilha, como os sistemas de carsharing ou as bicicletas e trotinetas partilhadas. Para aqui chegar, Miguel Gaspar referiu a importância dos investimentos anunciados no reforço da oferta da Carris, que anunciou a aquisição de mais de 300 novos autocarros e a expansão da capacidade da rede de eléctricos em 250%.

Para o vereador da cidade de Lisboa, o futuro da mobilidade passa por soluções pós-pagas e pela utilização dos smartphones para aceder aos vários serviços de mobilidade urbana.

Um futuro, vários players

Automóveis autónomos, eléctricos, o aparecimento de novas formas de mobilidade, como as trotinetas e bicicletas eléctricas partilhadas, e as mudanças na forma de encarar as necessidades de mobilidade nas cidades. Este foi o prato forte de uma conferência que reuniu, no auditório do Museu das Comunicações, representantes de várias empresas. A Miguel Gaspar, seguiram-se Martin Cardell, representante da consultora EY, Alexandre Vaz, director-geral da construtora de automóveis Mercedes Benz, João Pernes, director de produto da Mobiag - empresa portuguesa de soluções de mobilidade -, Afonso Sousa, da Siemens - actualmente responsável pelo sistema de gestão do sistema de bicicletas partilhadas de Lisboa Gira -, e Nuno Silva, director de Inovação e Tecnologia da empresa portuguesa Efacec, entre outros.

O dirigente da Efacec, numa apresentação marcada pelo tema da mobilidade eléctrica, observou que a tendência actual é o “afastamento da propriedade” do automóvel e sublinhou a importância que o desenvolvimento da infra-estrutura pública terá no crescimento dos veículos eléctricos.

A conferência, marcada pela pontualidade, terminou com uma sessão de perguntas e respostas, em que esteve presente Tiago Farias, presidente da Carris, João Pernes e António Oliveira Martins, director -eral da Leaseplan. O presidente da empresa de transporte público de Lisboa considera que, no presente, “o carro é só um dos instrumentos de mobilidade” e acredita que o “transporte público vai desempenhar um papel fundamental” no caminho que as cidades percorrem no sentido da sustentabilidade. O responsável acredita que a mobilidade do futuro vai basear-se na integração de serviços e “no smartphone”. “Temos de integrar mais”, disse.