Descobrir como melhorar o “uso das árvores nas cidades” para fazer face ao triplo desafio “energia, clima e biodiversidade”, utilizando o conhecimento das universidades, é a proposta da nova aliança europeia Cities for Trees. A iniciativa foi anunciada na passada quarta-feira, em Oeiras, e é um apelo à acção local conjunta de municípios, academia e sociedade civil, mas cujo impacto se espera que seja global.

O início oficial da European Alliance Cities for Trees (na expressão original) está agendado para Setembro, mas o evento de apresentação serviu como uma “antecipação” daquilo que são as intenções deste projecto, que recebe o apoio do programa europeu LIFE. “[O projecto] Vai consistir em como fazer a melhor utilização possível das árvores nas cidades e trabalhar pelo clima, biodiversidade e qualidade do espaço público, trazendo a ciência para a solução deste desafio”, explica Marcos Nogueira, responsável em Bruxelas pelo gabinete europeu da IrRADIARE - Science for Evolution, entidade portuguesa que dinamiza a iniciativa. “É uma forma de ter uma rede activa, com objectivos autónomos, actividade e financiamento próprio, que apoie e suporte a universalização dos resultados (...) Temos esta crise tripla – biodiversidade, energia, clima –, esse é um desafio global, mas as soluções são locais. É uma questão universal que diz respeito a todos. Nessa óptica, queremos que as árvores nas cidades sejam o nexo entre esse desafio global e a acção local”, acrescenta.

O conhecimento científico vai ser, para já, assegurado pelo parceiro académico nacional do projecto: o Instituto Superior de Gestão (ISG). “É a forma de as universidades mostrarem como podem intervir mais no espaço público e na concretização de objectivos ambiciosos, e intervir em concreto. Isto dá também uma missão às universidades para além da de formar estudantes. Abre-lhes a resposta aos desafios locais e à necessidade de trazer para dentro da universidade problemas que nascem do concreto, do dia-a-dia, no terreno, nas cidades”, disse.

Contando com o apoio do município de Oeiras, que recebeu a sessão de apresentação da aliança, Marcos Nogueira garante que há já várias cidades interessadas em fazer parte. Ainda sem adesão formal de Viena, na Áustria, a iniciativa conta, pelo menos, com o apoio da responsável pelo projecto Smart City Wien, Ina Homeier, que esteve presente no evento, dando a conhecer o exemplo desta cidade. “[Esta aliança] Faz muito sentido, especialmente agora que estamos a olhar muito para as árvores e a temos de saber como trazê-las para a cidade. Em Viena, estamos a fazer simulações sobre como e onde as árvores devem ser plantadas”, referiu.

Mas o objectivo desta aliança não é o de se ficar apenas por parceiros institucionais, sejam cidades, sejam universidades. “Num tema que é tão próximo das pessoas”, os cidadãos são também bem-vindos, afirma Marcos Nogueira. “Qualquer cidadão pode fazer parte e esse é que é o encanto. Grupos de cidadãos, grupos informais, grupos de estudantes podem aqui ter um espaço de intervenção, com a informalidade que está tão presente numa gestão mais inteligente do espaço urbano”.

Segundo a irRADIARE – Science for Evolution, sendo este um projecto debaixo da chancela do programa LIFE, a European Alliance Cities for Trees vai dispor de um orçamento “de cerca de três milhões de euros”, dividido pelos diversos parceiros. “É um orçamento exigente, já que não é muito vasto. Dá para fazer pilotos, mas vai ter de dar, essencialmente, para induzir, inspirar, mobilizar outros financiamentos e outros parceiros, entidades e mais gente. É uma alavanca e para isso é totalmente suficiente”, explica o responsável.

E “que diferença fazem as árvores nas cidades?! Toda”, exclama Marcos Nogueira. Contribuir para uma melhor qualidade do ar, reduzir o ruído e a temperatura, atenuando os efeitos de ilha de calor e disponibilizando sombreamento, preservar a biodiversidade e tornar o espaço público mais agradável são alguns dos benefícios que as árvores podem trazer ao ambiente urbano. Sendo um importante elemento na mitigação das alterações climáticas, muitas cidades estão, neste momento, a reforçar os espaços verdes existentes. É o caso de Paris, que anunciou recentemente a criação de quatro “florestas urbanas” em zonas centrais da capital francesa.