Dizem que a moda é cíclica e esta frase feita ajusta-se na perfeição ao novo olhar que os amantes do desporto começam a ter sobre a cidade. Muitos se lembrarão do tempo de infância passado a brincar nas ruas, praças e pracetas, quando as horas se perdiam na agitação dos corpos que, ao final do dia, caiam cansados na cama. Hoje, a realidade é outra, mas o tempo é também de regresso da atividade física ao espaço público das cidades.

O treino outdoor é já o desporto dos três “sem”: sem portas, sem horas, sem submissão. E não será isso que, afinal, todos desejamos? Treinar quando queremos, onde queremos e sem condicionalismos, aproveitando o melhor que o ar livre tem para oferecer? Pelo menos para alguns, a ideia agrada e, agora, o desafio passa por conseguir acompanhar as solicitações que a cidade oferece para pôr o corpo em movimento…

 

 

" Os interessados são todos aqueles que querem aproveitar ao máximo as oportunidades para mexer o corpo (dentro e fora de portas), mas também as próprias ruas citadinas que assim experienciam novas formas de estar e viver o desporto".

Do conforto dos ginásios mega adaptados às exigências dos clientes ao desporto livre, despojado e desprendido de horas e de orçamentos, as cidades atuais testemunham palcos espontâneos da prática desportiva. Os interessados são todos aqueles que querem aproveitar ao máximo as oportunidades para mexer o corpo (dentro e fora de portas), mas também as próprias ruas citadinas que assim experienciam novas formas de estar e viver o desporto.

Se, há uns anos, esta realidade se cingia às corridas que, a espaços, se iam fazendo aqui e ali, agora, a dificuldade é escolher por onde seguir. Senão, vejamos: em Lisboa, já são cerca de 1600 os equipamentos desportivos espalhados pela capital e o investimento autárquico na matéria diversifica-se quer em termos espaciais quer no que respeita ao desenho urbano (como a aposta na nova configuração dos arruamentos e no reforço das ciclovias). Argumentos que jogarão a favor da candidatura lisboeta a Capital Europeia do Desporto 2021. Também no Porto, desde há alguns meses que Os Dias Com Energia propõem, a custo zero, nos Jardins e Parques da Invicta, a prática de pilates, yoga ou tai chi. E a Sul não faltam exemplos: em Loulé, distinguida como Capital Europeia do Desporto em 2015, coordena-se o projeto europeu Vital Cities, com este município algarvio a liderar a rede de outras nove cidades europeias apostadas em promover um estilo de vida saudável, combater o sedentarismo e reforçar a coesão social. Aqui, trata-se não só da requalificação urbana em bairros menos favorecidos, mas também da organização de aulas gratuitas ao ar livre com o contacto privilegiado com personalidades ligadas ao desporto.

Sob escrutínio autárquico, as potencialidades do treino outdoor podem revelar-se um tema complexo e ainda com muito por realizar, mas uma coisa parece simples. Arregaçar as mangas, que é, como quem diz, calçar os ténis, e mexer-se lá fora facilita todas as contas que tenha de fazer no final do mês. Ou no final do dia.

#CIDADÃO é uma rubrica de opinião semanal que convida ao debate sobre territórios e comunidades inteligentes, dando a palavra a jovens de vários pontos do país que todos os dias participam activamente para melhorar a vida nas suas cidades. As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.