A universidade indiana CEPT, considerada um instituto de excelência nas áreas da arquitectura, planeamento e design, abriu um novo curso dedicado às smart cities. A ideia surge depois do anúncio do recém-eleito governo de que vai desenvolver o conceito de “cidade inteligente” em 100 cidades do país, com recurso a um financiamento de 1.2 mil milhões de dólares, segundo o The Indian Express.

“As cidades e os estados estão entusiasmados. Contudo, o conceito de smart city ainda é algo desconhecido. Não existe mão-de-obra especializada ou peritos que possam fazer um roadmap”, explicou Saswat Bandyopadhyay, professor da CEPT.

Para reverter este cenário, o curso integra conteúdos temáticos como “compreender os conceitos, discursos e práticas das smart cities, nas diferentes regiões", “reflexões criticas sobre inclusão, viabilidade ou sustentabilidade das cidades inteligentes no contexto dos países em desenvolvimento". Ou, ainda, “como desenvolver parâmetros e critérios de avaliação e monitorização do desempenho das cidades sustentáveis”.

As 40 vagas disponíveis destinam-se a estudantes pós-graduados em arquitectura, planeamento, tecnologia e gestão, que terão a oportunidade de frequentar “aulas interactivas, com revisão de casos de estudo, palestras ou filmes”. Saswat Bandyopadhyay avançou ainda que a integração das áreas desfavorecidas nas cidades inteligentes, “uma questão largamente ignorada”, será uma das preocupações. À semelhança da forma como as cidades inteligentes devem ser construídas ou de como as cidades antigas devem ser reabilitadas, que serão também temáticas a abordar.

“Uma vez que o financiamento municipal é muito escasso na Índia, vamos também estudar como é que as despesas locais podem ser recuperadas”, acrescentou.

 

Desenvolvimento urbano e rural equilibrado

Com a entrada em funções do novo governo, do partido Bharatiya Janata, pretendem-se levar a cabo reformas que conduzam ao aumento do investimento em infra-estruturas e, consequentemente, da dinamização da economia, sendo um dos grandes objectivos diminuir as discrepâncias entre o desenvolvimento rural e urbano. Por isso, o governo quer desenvolver projectos que envolvam edifícios de larga-escala e de modernização – como sistemas para linhas de comboio de alta velocidade e centrais hidroeléctricas.

Para a ‘construção’ das 100 smart cities, o ministro do desenvolvimento urbano, M. Venkaiah Naidu, explicou que serão utilizados “Sistemas de Informação Geográfica, recorrendo às tecnologias e infra-estruturas mais avançadas”, como forma de facilitar o planeamento urbano, fortalecer a rede eléctrica, melhorar a gestão de desperdício e criar uma ligação entre os cidadãos e os serviços.

De salientar que estas estratégias têm chamado à atenção de players internacionais. A Cisco, por exemplo, está envolvida num projecto no Corredor Industrial Deli-Bombaim e a Microsoft quer fazer de Surat a primeira smart city indiana através da iniciativa CityNext.

Apesar dos esforços, há ainda alguma resistência à inovação. O The Guardian, a título de exemplo, noticiou o caso da região de Dholera, onde ocorreram alguns protestos de agricultores locais, que fizeram recuar os investidores no porto da cidade.

Recorde-se que, de acordo com um censo de 2011, o número de pessoas a viver em áreas urbanas da Índia tem vindo a aumentar: 32% (377 milhões) em 2011, contrastando com 28% em 2001 e 17% em 1991.