Barcelona apresentou, na semana passada, a sua estratégia para aumentar a segurança e reduzir a poluição em torno das escolas. Intitulada ‘Protegemos as escolas’, a estratégia da cidade catalã vai trazer redução de velocidades, redução de vias de circulação e a eliminação de estacionamento a 20 escolas do município já este ano.

A estratégia ‘Protegemos as escolas’ - ou, em catalão, ‘Protegim les escoles’ - vai implementar medidas que limitam a circulação automóvel perto da entrada das escolas, com o objectivo de “aumentar a segurança para as crianças”, melhorar a qualidade do ambiente e “criar espaços mais agradáveis em centenas de escolas”. Até ao final deste ano, a iniciativa vai abranger 20 estabelecimentos escolares da cidade, estendendo-se depois a dezenas de outros até ao final de 2023.

Com prioridade de implementação dada a escolas em áreas com insegurança rodoviária e em que se registem altos níveis de poluição, a estratégia da cidade de Barcelona, apresentada no passado dia 13, pretende criar espaços de estada e usufruto com “pelo menos dez metros de diâmetro”, incluindo a instalação de espaços verdes e mobiliário urbano.

Com projectos já prontos para oito escolas, a primeira intervenção, na Escola Grèvol, em Sant Martí, vai criar uma praça em frente à entrada do estabelecimento de educação com 280 metros quadrados e vai reduzir para 20 quilómetros por hora o limite de velocidade na envolvente. Serão ainda instalados parqueamentos para bicicletas e o espaço alocado à circulação automóvel será reduzido para metade, com a pedonalização de duas ruas e uma via de circulação automóvel e outra de estacionamento eliminadas. Para demarcar a zona em que são implementadas as medidas de acalmia de tráfego, será utilizada tinta laranja no pavimento.

A criação de áreas circundantes às escolas mais seguras e saudáveis é, para Barcelona, “mais um passo para combater a emergência climática”, lê-se em nota publicada no sítio web da cidade catalã. Em 2021, devem ser 35 as escolas a intervir, seguindo-se outras 35 em 2022 e o mesmo número no ano de final de implementação da estratégia.

Segundo o município espanhol, a iniciativa surge em resposta às exigências dos cidadãos e inspirou-se na iniciativa Superblocks, responsável pela reorganização de bairros em Barcelona nos quais o tráfego deixa de poder circular livremente e onde nascem parques infantis, crescem árvores e surgem estacionamentos para bicicletas, sendo colocados obstáculos que obrigam os veículos motorizados a autênticas gincanas, resultando na acalmia e na redução do tráfego (esta estratégia é explicada neste artigo).

Barcelona declara emergência climática

Na passada quarta-feira, dia 15, Barcelona declarou emergência climática. O plano de acção aposta em medidas como a pedonalização de 15 quilómetros de ruas, a criação de 400 mil metros quadrados de novas áreas verdes, o investimento em transportes públicos e a continuação da expansão da rede ciclável. Uma das medidas com maior impacto é a criação de uma zona de restrições à circulação automóvel. A zona de baixas emissões entrou em vigor no dia 1 de Janeiro e abrange 95 quilómetros quadrados, uma área superior à implementada pela capital espanhola com a iniciativa Madrid Central. Esta medida deve limitar a circulação de 50 mil veículos, cortando as emissões de dióxido de azoto (NO2) em 15% este ano.

Com a apresentação de 100 medidas de acção climática, Barcelona assume a ambição de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa para metade em 2030, face a valores de 1990.

Ada Colau, autarca de Barcelona, defende ainda a supressão da ponte aérea entre as cidades de Madrid e Barcelona, apostando no transporte ferroviário, com o objectivo de reduzir as emissões provocadas pela aviação na cidade.